quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Bairro do Mocambo (dos pretos) em Lisboa
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Os muros invisíveis da intolerância
Entrevista na Rádio Atlântida
domingo, 22 de Novembro de 2009
Mayumana em Ponta Delgada

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Angola
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Dengue em Cabo Verde
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Jantar à luz de velas
sábado, 31 de Outubro de 2009
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
As perversidades das quotas
No actual quadro legal, o governo substituiu as quotas por contingentação, estando aqui perante um mero exercício de cosmética, já que a substância não foi alterada. Essa contingentação é aprovada anualmente pelo Governo e alicerça-se nas oportunidades de emprego presumivelmente não preenchidas por cidadãos nacionais ou provenientes de algum Estado Membro da União Europeia. Ao contrário do que sucedia na anterior lei, as regiões autónomas passaram a ter quotas autónomas. Os números vieram confirmar o que já era previsível, ou seja, foram insignificantes os imigrantes que entraram através da contingentação. Independentemente da questão da crise económica que condicionou os movimentos migratórios para a Europa, o facto é que o sistema de contingentação não funciona e a partir do momento em que a Região apresenta uma quota regional está a validar uma má opção política. É sabido que a Região não tem poder nesta matéria e não me parece que o mais relevante seja a abolição da quota regional, até porque a manter a contingentação nacional pouco valerá na prática essa opção regional. Agora não tenho dúvidas de que poderíamos ter ido mais além e a autonomia deve saber experimentar coisas e interferir de forma positiva para a alteração de más políticas a nível nacional.
Interculturalidade explicada aos mais novos

domingo, 25 de Outubro de 2009
Os possíveis para o Director Regional da Cultura
Jorge Paulus Bruno - Actual Director do Museu de Angra de Heroísmo
Padre Duarte Melo - Actual Director do Museu Carlos Machado
Alexandre Pascoal - Deputado do PS na ALR
sábado, 24 de Outubro de 2009
Quero uma casa, senão faço greve de fome

A greve de fome feita pelo deputado corvino Paulo Estêvão dominou a imprensa regional na última semana, com direito a algumas referências na imprensa nacional (algumas até com fotografia).
Depois de um jejum de 61 horas, o chefe do executivo açoriano, com medo de que o Paulo Estêvão viesse a tombar, acedeu a instalar a dita delegação na mais pequena ilha. De facto, não é por aí que a reivindicação teve acolhimento até porque não descobri nenhum português que tenha morrido por causa de uma greve de fome. Aliás, se fosse assim, Portugal já teria perdido muitos cidadãos devido à inanição. Há bem pouco, foram os depositantes do BPN que disseram que iam entrar em greve de fome, caso não lhe fossem pagos os seus depósitos, foi um senhor que queria reabrir um processo num tribunal, enfim existem muitos episódios. A base de uma greve de fome tem a ver, essencialmente, com a possibilidade de aparecer na televisão e, por consequência, dar a visibilidade a uma reivindicação e condicionar a respectiva decisão.
Por isso é que a greve do deputado Paulo Estêvão foi absolutamente excêntrica e a resposta do Governo veio agravar essa excentricidade. Em primeiro lugar, se o Estatuto Político-Administrativo dos Açores diz que Parlamento Regional deve ter delegações em todas as ilhas, não se compreende a razão pela qual isso foi não resolvido há muito tempo, tendo em conta que o Corvo é a única ilha que não quem a dita delegação. Não me parece que seria por razões financeiras e mesmo que fosse, ter mais ilhas custa e como estamos sempre a reivindicar essa perspectiva em relação ao continente, fica-nos muito mal que internamente estejamos a discriminar as ilhas mais pequenas. Se não, e como alguns iluminados já defenderam, seria mais rentável fechar o Corvo.
Segundo, custa-me ver que um deputado regional que está em melhores condições de pressionar para alterar o estado de coisas tenha de recorrer à greve de fome para conseguir alguma coisa. Quem faz isso é na pior das hipóteses um cidadão comum que não é, geralmente, ouvido. Das duas, uma: ou o sistema democrático não está a funcionar convenientemente (no mínimo) ou Paulo Estêvão não tem importância nenhuma no parlamento açoriano. O leitor escolha a resposta. Já agora, preciso de um apartamento e, se não mo derem, entro para a semana em greve de fome. É melhor deixar a greve de fome para coisas mais sérias e pelo andar da carruagem é bem possível que venhamos a precisar dela
sábado, 17 de Outubro de 2009
Maitê...fodix
O passivo do Obama
Entendo a distinção dessa natureza sob duas perspectivas: a primeira pelo percurso de um indivíduo em que é analisado resultados concretos das suas acções; a segunda alicerça-se sobre o potencial do galardoado em que é necessário incentivar para que a mudança seja suportada no futuro por factos e acções concretas. Fiquei absolutamente empolgado com a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Barack Obama e estou convencido que ele saberá aproveitar essa distinção para elevar ainda com mais força essa nova esperança.
Os críticos murmuram que ele ainda não fez nada a não ser promessas, isto apesar do recorde de votos favorável que a nomeação de Barack Obama teve (205).
Nos poucos meses da sua presidência, Barack Obama está a devolver à ONU o seu papel central ao contrário da marginalização que a anterior administração a remeteu. A política é feita de princípios e estamos a viver, graças a nova visão de Barack Obama, uma época estimulante apesar dos problemas terríveis que temos pela frente: a pobreza, as alterações climáticas, a ploriferação de armas nucleares, etc. Ninguém é ingénuo ao ponto de pensar que Obama sozinho mudará o mundo. Claro que não. No entanto, estou seguro que com o espírito de cooperação, do diálogo e do exercício permanente da diplomacia internacional, o mundo em que hoje vivemos tem fortes hipóteses de conseguir resolver com sucesso alguns desses problemas. Ele sozinho não resolve, mas pode estimular. O Prémio Nobel quis justamente transmitir isso, e não tenho dúvidas também, que Barack Obama ficou com uma divida perante o mundo. Estou certo que ele saberá transformar essa divida em lucro para o bem de todos nós
quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
Cabo Verde mais pobre culturalmente
As contemporaneidades
Um exemplo deste ganho é a existência de duas excelentes salas de espectáculos (Teatro e Coliseu Micaelense) que vieram trazer novo impulso cultural à cidade e todos nós agradecemos. Hoje, a oferta cultural de Ponta Delgada é perfeitamente comparável a qualquer cidade do continente.
No outro dia, enquanto Berta Cabral inaugurava um lar para idosos, Carlos César anunciava no mesmo a construção de um lar no Concelho de Ponta Delgada. Claro que os nossos idosos saem a ganhar com a existência de mais e melhores resposta e espaços para os acolher. Todavia, não seria descabido pensarmos em políticas alternativas para a terceira idade e que fogem ao encaixotamento. Tenho a noção da política de lares muito mais fácil, mas porque não aproveitar a relativa pequenez do nosso espaço e a proximidade que existe entre a população para potenciar abordagens inovadoras no apoio aos idosos?
O novo despique entre CC e BC tem a ver com as coisas contemporâneas. CC anunciou, no outro dia, que o Concelho da Ribeira Grande irá receber o Centro da Arte da Contemporânea e BC disse, por sua vez, que iria construir um Museu de Arte Contemporânea na Avenida do Mar que será projectado pelo arquitecto brasileiro Óscar Niemeyer. Para já, ganha BC que anunciou o nome de um arquitecto famoso, isto apesar dos seus 101 anos e uma saúde muito débil. Não é novidade para ninguém que somos meia dúzia de almas na Região e que o Concelho de Ponta Delgada dista pouco mais de vinte quilómetros da Ribeira Grande. Por isso, é legitimo perguntar se não seria mais benéfico para a Região um projecto único da arte contemporânea em vez de dois? No caso de avançarem os dois projectos, fica a pergunta: onde é que CC e BC irão buscar as contemporaneidades para os seus respectivos espaços?
quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
Cabo Verde ocupa 2º lugar em 53 países africanos, segundo mais recente avaliação de Governação Africana

domingo, 4 de Outubro de 2009
Os cabo-verdianos em São Tomé
Claro que a situação dos cabo-verdianos no arquipélago do equador é reflexo dos problema sociais e económicos do país e atinge de forma transversal toda a popualção. De qualquer modo, parece-me que a pobreza atinge de forma muito mais dura a comunidade cabo-verdiana em São Tomé.
quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
A ressaca das eleições

sábado, 26 de Setembro de 2009
Política de imigração em Cabo Verde
Percebi bem??
“Na anterior legislatura as pessoas votaram no PS convencidas que iriam ter políticas de esquerda e na prática governaram à direita; desta vez para terem políticas de esquerda é melhorem votarem na direita, ou seja, no CDS-PP”
Percebi bem???…. Se a direita vencer as eleições iremos ter um governo de esquerda e ao contrário também será verdade.
Será que ouvi bem...?
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
Vote, mesmo em branco

O título do meu artigo poderia ser perfeitamente um apelo ao voto étnico, mas não é, pelo menos para já. Caso fosse candidato, seria uma coisa do tipo “ não vote em branco”. Num registo mais sério, o título do meu artigo surge como um apelo profundo à participação cívica e a responsabilidade que todos nós temos na construção dos nossos destinos colectivos. Os senhores deputados e senhoras deputadas, mesmo não parecendo, vão condicionar a vida de todos nós nos próximos quatros anos e, por isso, não ir votar é a pior coisa que pode fazer. Se não se revê em nenhum dos partidos ou nas suas propostas vote em branco. Simplesmente é o melhor protesto que se pode fazer e não se iluda em relação a isso.
Quase todos os partidos, influenciados pelo sucesso do Obama, tentaram “obamizar” as campanhas políticas, sendo que a presença nas redes sociais é o aspectos mais visível dessa nova forma de fazer política. Agora como o conteúdo das mensagens não se alterou, fica tudo ou quase tudo na mesma. Por isso, os resultados no próximo domingo não terão infelizmente nenhuma ligação com a “obamização” da política, até porque os candidatos não trazem nenhuma esperança em relação à nova forma de fazer política, tanto nos seus protagonistas como nas mensagens.
De qualquer modo, a convicção da necessidade de participação política através do voto faz mais sentido de atendermos que, hoje, em Portugal, uma parcela importante do que é hoje esse país (mais de 5%) simplesmente não tem direito nesse processo de construção colectivo. Refiro-me em concreto aos imigrantes que na sua larga maioria não tem direito ao voto. Quem tem esse direito convêm não desperdiça-lo. Dentro do programa eleitoral, apenas duas forças partidárias se comprometem a estender, por exemplo, o direito de voto aos imigrantes nas eleições locais. Um deles é o MEP Movimento Esperança Portugal (que tem tido uma dinâmica muito interessante) e o outro é o PCP. O PS diz que irá aprofundar a participação cívica dos imigrantes mas não se compromete com uma opção clara. O PSD também assume uma visão positiva mas vaga em termos de acções concretas para potenciar a integração dos imigrantes e não diz nenhuma palavra sobre a participação política. O CDS reafirma, no seu programa eleitoral uma visão perfeitamente errada e altamente securitária da imigração.
sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
A agenda da diáspora açoriana
domingo, 6 de Setembro de 2009
Imigrante indocumento ganha 166 mil dolares...
Quiseram deporta-lo para o seu país de origem mas a Eritreia não o quis aceitar.
Moral da história: Um cidadão indocumentado não pode jogar raspadinhas ou mesmo o euromilhões… por isso que digo que um cidadão indocumentado simplesmente não existe, excepto para trabalhar.
sábado, 5 de Setembro de 2009
A ilusão dos famosos

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
As paranóias de ser cabo-verdiano ou não?

Exmo Senhor
Director Geral dos Desportos
Cabo Verde
Como é, seguramente, do seu conhecimento o desporto tem a capacidade de aproximar os povos e potenciar o conhecimento mútuo. Como também deve saber, o nosso país tem apostado, nos últimos anos, numa aproximação aos arquipélagos que compõe o espaço da Macaronésia, no sentido de potencializar as afinidades existentes entre esses espaços e favorecer um relacionamento mais próximo com a Europa.
Como também é do seu conhecimento, o nosso país foi convidado a participar no Campeonato de Fotografia Subaquática da Macaronésia que está a ter lugar desde o dia 29 de Agosto na Região Autónoma dos Açores onde, para além da vertente desportiva está subjacente a ideia da aproximação entre a Madeira, Canárias, Açores e Cabo Verde. O evento é organizado pelo Clube Naval de Ponta Delgada e a Associação dos Amigos do Mergulho e tiveram, excepcionalmente, a gentileza de suportar todos os custos inerentes à participação de Cabo Verde na prova.
Apesar da pouca expressividade da fotografia subaquática em Cabo Verde, enquanto actividade desportiva, foi possível encontrar um mergulhador disponível para vir representar Cabo Verde no referido evento. A pessoa a que me refiro chama-se Alain Hurtebize, nasceu em França mas já reside há mais de 20 anos em Cabo Verde para além da esposa ser cabo-verdiana.
Chegou ao meu conhecimento que o Senhor Director teve a miserável ideia de dizer que o Alain Hurtebize não pode representar o nosso país porque não é natural de Cabo Verde.
Permita-me o desabafo para lhe dizer que a sua atitude para além de andar muito perto de uma visão xenófoba ela contraria a nossa própria história enquanto país fortemente ancorado no fenómeno das migrações.
Sinto igualmente vergonha e, como eu, tenho a convicção que a maioria dos cabo-verdianos (dentro de fora) que uma pessoa com responsabilidades governativas tenha a coragem de dizer a um indivíduo que nasceu noutro sítio qualquer mas que já vive há mais de duas décadas em Cabo Verde não poder representar o nosso país
Fica esta nota como um contributo para um olhar mais atento sobre essas questões e que face à nossa história da emigração temos responsabilidades acrescidas na forma como recebemos e tratamos os que nasceram noutras paragens mas que estão entre nós para a construção de um Cabo Verde mais desenvolvido.
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
A farsa da CPLP?
Rangel recomenda a leitura do Maquiavel

domingo, 23 de Agosto de 2009
Os transportes nos Açores....é melhor falar com o Bambo
O engraxador e a Clinton
A invisibilidade politica dos imigrantes em Portugal
Face ao gigantesco défice que existe em torno desta mesma participação que é condiciona pelo próprio legal, da pouca sensibilidade e, por consequência, do fechamento da generalidades dos partidos políticos e, seguramente, à pouca motivação dos próprios imigrantes parecem-nos concorrer para a esta invisibilidade dos imigrantes na sociedade portuguesa que, actualmente, representam perto de 5% da população residente e 10% da população activa.
A inclusão política dos imigrantes é tão importante para a credibilidade do regime democrático ou mais que noutras esferas sociais e, por isso, consideramos que não podemos ter pessoas a trabalharem, a contribuírem ao lado dos portugueses para um Portugal mais desenvolvido e próspero e, simultaneamente, negarem-lhes um dos direitos cívicos básicos. Portugal está a balizar a participação política em torno de dois eixos: Por um lado, a partir da lógica da reciprocidade e que perante o novo actual quadro migratório português não faz sentido nenhum e Portugal não ganha absolutamente nada na manutenção da reciprocidade. Por outras palavras, esperar, por exemplo, que a Ucrânia reconheça a capacidade eleitoral passiva e activa dos cidadãos portugueses que aí vivem para que Portugal atribuir o direito de voto aos ucranianos é uma atitude completamente desajustada e contrária à nova realidade migratória em Portugal. Esta é uma questão de direitos individuais, de direitos de cidadania e não uma questão de diplomacia e dos negócios estrangeiros. O segundo eixo, é o confinar esta participação a apenas às eleições autárquicas e excluindo as eleições regionais, legislativa e presidenciais que, sendo importante, é insuficiente e pouco lógico já que o contexto regional e nacional e europeia condiciona a vida dos cidadãos. A nossa expectativa é que Portugal possa rever o actual quadro legal de participação política dos cidadãos estrangeiros em Portugal, pondo termo ao regime de reciprocidade e estender os direitos políticos aos imigrantes, é um desafio que se impõe, sob pena de minarmos o próprio conceito da democracia. Por isso, é que a política de integração dos imigrantes nos dias que correm, interpela os decisores políticos na construção de um novo conceito de cidadania em que o território não pode constituir um factor determinante na sua concepção.
sexta-feira, 17 de Julho de 2009
quinta-feira, 16 de Julho de 2009
quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Os flagelados do vento de leste
sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Uma morte ressucistada

sábado, 27 de Junho de 2009
Guiné Bissau

sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Cidade Velha em Cabo Verde, é a partir de hoje, património mundial da Humanidade
Participação política dos imigrantes
quarta-feira, 17 de Junho de 2009
O exotismo do voto obrigatório?
Eu sou favor do voto obrigatório, apesar de reconhecer que face ao dramático cenário que temos actualmente a nível de participação política e da própria credibilização dos seus protagonistas, tornar o voto obrigatório não é, por si só, suficiente. Por outras palavras, parece-me que o problema não está só na abstenção, mas sim na própria relação dos políticos e da política com a população. Tentando ser ainda mais objectivo, diria que a alienação das pessoas é uma das consequências do estado deplorável em que se encontra o relacionamento entre a política e os cidadãos. Neste sentido, só o voto obrigatório não chega; é necessário alterar as regras do jogo e ir ao encontro das suas verdadeiras causas. Uma das coisas que penso que seria importante concretizar, efectivamente, é uma maior abertura dos partidos políticos à sociedade, sobretudo, os que até agora têm alternado no poder, já que esse problema me parece mais preocupante junto do PS e PSD. Não falo na abertura a nível de retórica em que todos estão de acordo. Acredito ainda que os líderes partidários querem e anseiam que os seus partidos sejam efectivamente mais abertos e em permanente sintonia com os anseios e dificuldades das pessoas. No entanto, tenho a sensação de que no meio dos partidos políticos existem umas mãos invisíveis e que filtram à entrada o contributo de pessoas em função de lógicas estritamente partidárias e de manutenção do status quo.
Não bastam só as palavras, precisamos de acções. Aliás, o sociólogo António Barreto num discurso muito cirúrgico e pedagógico, aquando das comemorações do Dia de Portugal, chamou atenção para o facto de que da parte dos políticos já não bastam só discursos eloquentes e recheados de boas intenções. O país (entenda-se, também, os Açores) precisa é de exemplos. Vale a pena tomar atenção às palavras de António Barreto. De qualquer forma e voltando ao voto obrigatório, reforço a ideia de que transformar um direito numa obrigação pode ser um tratamento de choque e, se calhar, precisamos mesmo disso. Tendo em conta o contexto catastrófico que temos tido ao nível de participação política, a hipótese do voto obrigatório tem de ser, no mínimo, discutida. Chamo a atenção para o facto de mais de duas dezenas de países terem o voto obrigatório. Pervenche Bères, Presidente da Comissão Económica e Monetária, numa entrevista recente defendeu a necessidade de se abrir a discussão sobre o voto obrigatório. Por isso, a tese do Carlos César não pode ser entendida como algo lunático, mas sim como uma proposta credível que pode ajudar-nos a sair deste cenário de completa alienação das pessoas para a vida política. Para os que subscrevem a ideia da liberdade individual, julgo que com o voto obrigatório a perda da liberdade individual seria incomparavelmente menor com o ganho colectivo que essa medida terá em muitos aspectos, nomeadamente, na valorização e credibilização do sistema democrático. Todavia, tenho a convicção de que é ilusão pensar que o voto obrigatório pode tornar um indivíduo politicamente activo e participativo. Pode é ser um contributo para contrair os actuais níveis de abstenção.
domingo, 31 de Maio de 2009
A bebedeira dos putos
Todos os estabelecimentos têm afixado a tal placa que diz “ proibido a venda de bebidas alcoólicas a menores de 16 anos”, mas no interior ou mesmo no exterior dos espaços apercebemo-nos de miúdos e miúdas a apanharem brutas bebedeiras. Quero crer que os responsáveis dos bares muitas vezes, na confusão da multidão, não se apercebem a quem estão a vender as bebidas. Por outro lado, e porque existe a vergonhosa conivência entre todos nós sobre a questão do alcoolismo não custa nada que a bebida seja adquirida por jovens mais velhos. Ainda ontem num seminário organizado no Nordeste, foram divulgados dados que apontam que 2 em cada 10 jovens são dependentes de álcool, comprovando uma vez mais a pertinência de uma discussão urgente e consequente sobre o problema.
No ano passado, estava em discussão, na Assembleia Legislativa Regional, a hipótese de alteração da idade mínima para o consumo de álcool dos 16 para os 18 anos mas infelizmente não teve consequências. O problema do alcoolismo junto dos jovens é real e tem atingido, face ao clima de impunidade que existe, dimensões preocupantes na região. Seguramente que pode ser importante fazer uma discussão em torno da idade mínima para o consumo de bebidas alcoólicas, convergindo, com efeito, com o resto da União Europeia. No entanto, o mais importante é o Estado ser intransigente e implacável na fiscalização de forma a criar um clima de punição em caso de violação da legislação existente que é razoavelmente boa, se for cumprida à letra. O problema é que nenhum de nós respeita a legislação e nem vou enunciar as consequências negativas que decorrem de um consumo precoce e exagerado de bebidas alcoólicas.
Não menos preocupante, é o clima potenciador para o consumo de álcool que se cria com base em anúncios absolutamente apelativos no qual a mensagem assenta na associação entre as bebidas e o divertimento. O terreno desta discussão tem algo de subjectivo mas nem por isso tira a pertinência de pensarmos sobre o tema.
O que me inquieta é que se perde tempo, energia e recursos para a criação de um conjunto de instrumentos para combater um problema social e ao mesmo tempo, criamos zonas cinzentas que colocam em causa todo o trabalho realizado. A nossa região é pequena e uma fiscalização eficaz com certeza que teria um forte impacto, pelo menos, para colocar na agenda politica regional o problema do alcoolismo. Agora o que não pode ser é fingir que todos estão a cumprir a legislação, com o simples afixar do placar e ao mesmo tempo vende-se bebidas aos putos. O problema está cá entre nós e, por isso, é importante o empenho de todos para, pelo menos, se respeitar a legislação existente.
quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Nós, os “não europeus”
É a mesma Europa que debate todos os dias a importância da integração dos imigrantes, que produz uma lei que diz que só podem beneficiar da tarifa de residente os cidadãos comunitários. Podem cá estar a trabalhar mas definitivamente não são europeus. É a mesma Europa humanista que assiste com uma passividade, à eminência da aprovação de uma Lei em Itália que criminaliza, segrega e reprime o imigrante em que o único “crime” que cometeu foi a de procurar melhores condições de vida num outro país que não o seu de nascimento e não ter para o efeito uma autorização administrativa. Isso é crime? Para além do imigrante pagar uma multa que varia entre os 5000 e 10000 euros, a lei prevê até três anos de prisão para qualquer um que alugue uma casa para um imigrante irregular.
Por cá, vamos construindo o “Nós Europeus” com os seus nuances. Participação política é mesmo só para alguns europeus e percebemos facilmente que as listas (para as europeias) são bastantes homogéneas, com excepção do PCP que colocou na Lista (em lugar não elegível) uma cidadã imigrante.
No entanto, parece-me que a Europa e os políticos europeus não perceberam uma coisa básica nos tempos que correm. Essa coisa básica chama-se a construção de um nós, assente, na multiplicidade de origem e cultura. A integração não pode ser uma palavra circunstancial. Ela tem de ter conteúdo e que passa, essencialmente, por colocar as pessoas em igualdade de circunstância para o exercício de um conjunto de direitos e deveres. Se não formos capazes de fazer isso, a integração não passa de um mero exercício de retórica. Como eu acredito que somos nós, os europeus e não europeus, os cidadãos e os políticos que fazem, também, a qualidade de democracia, irei dar o meu melhor para denunciar essas violações que entram em contradição com a democracia que todos nós queremos construir, assente, na igualdade entre as pessoas.
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
caldeirão 2
Caldeirão 1
segunda-feira, 11 de Maio de 2009
As contradições
domingo, 10 de Maio de 2009
Petição: Tarifa da Residente
A propósito das quotas
A PERCIP entende ainda que esse recuo contraria um princípio que deveria ser assumido de forma clara por este governo, que é importância da imigração no desenvolvimento de Portugal e a necessidade de construir uma paz social longe de demagogias e de ideias preconceituosas que pairam sobre os imigrantes que muito têm dado a esse país.
Em bom rigor os factos são estes:
- O mercado de trabalho constitui, por si só, um regulador natural dos fluxos migratórios, sendo que o estabelecimento de contingentação tem pouca ou mesmo nenhuma interferência no processo, face à própria e demonstrada inoperância do sistema. Ninguém sabe exactamente quantos imigrantes entraram em Portugal no âmbito do sistema de quotas e nem o governo divulga os números, na medida em que tem a noção que esse número é absolutamente ridículo.
- Os fluxos migratórios para Portugal têm diminuído nos últimos dois anos, como consequência da perda de atractividade do país , decorrente da crise e da emergência de outros destinos migratórios.
De qualquer modo, entendemos que a discussão deverá centrar-se sobre três aspectos. Primeiro, na criação de respostas céleres para muitos cidadãos imigrantes que ainda se encontram em situação irregular no país e inseridos no mercado de trabalho. Segundo, evitar cair na tentação de aplicar e reforçar essa redução de quotas junto dos imigrantes cujo processo de regularização está ainda a decorrer, e cuja conclusão do processo está cada vez mais demorada. O terceiro aspecto é nossa preocupação em relação aos milhares de imigrantes que, quer pela situação de irregularidade, quer pela inexistência de qualquer tipo de vínculo laboral, estão a viver situações dramáticas, sendo excluídos de qualquer tipo de protecção social.
quinta-feira, 7 de Maio de 2009
A gripe H1 dos deputados açorianos (alguns)
A primeira notícia tem a ver com a taxa de gravidez na adolescência na qual a Região está no pelotão da frente a nível nacional, ou seja, temos uma taxa que é sensivelmente o dobro da nacional. Temos de ser absolutamente claros neste aspecto: uma elevada taxa de gravidez na adolescência está associada aos problemas de pobreza, na medida em que os seus protagonistas encaixam-se genericamente dentro do perfil de baixa escolaridade, abandono precoce do sistema de ensino e de famílias de baixos rendimentos, etc. Para além disso, tenho a convicção que o aspecto mais grave desses dados, relaciona-se com a real possibilidade da reprodução desses problemas e das respectivas debilidades, dos pais para os filhos. Diz-nos a realidade que uma das causas do abandono escolar tem a ver com a pouca ou nenhuma valorização da escola por parte dos pais o que, significa, como uma hipótese plausível, que os filhos de pais adolescentes, irão quase certo enfrentar os mesmos problemas e contribuírem para o aumento desses índices preocupantes. Sabemos ainda que esses problemas têm nas suas explicações processos estruturais e de mentalidade que não se alteram da noite para o dia. Os Açores, são hoje, uma região, incomparavelmente melhor do que à décadas atrás. Apesar disso, precisamos urgentemente, de (re)centrar seriamente o desenvolvimento nas pessoas, tarefa seguramente mais difícil e de resultados pouco visíveis, pelo menos, a curto e longo prazo. Como a actuação política, gosta de resultados mais imediatos a coisa torna-se mais complicada.
A segunda notícia e que até certo assume pontos de contacto com a primeira, tem a ver com o número das infecções de HIV-Sida na Região, que na génese do seu crescimento encontra-se a questão comportamental e de educação sexual. Por ser uma região pequena, facilmente passamos de 8 para 80 e, por isso, vale a estar atento e encarar essas questões numa perspectiva mais abrangente e não numa óptica exclusivamente de saúde no sentido mais restrito.
A terceira notícia, que na sua génese e interpretação é péssima para a região, prende-se com as alertas preocupantes deixadas pelo Conselho Médico dos Açores da Ordem dos Médicos, a propósito da actual situação da saúde nas ilhas e da inexistência de um planeamento de saúde nos Açores. O Secretário da tutela reagiu, como aliás seria expectável, contrariando as declarações do responsável da ordem nos Açores. No entanto, é preciso ir mais além, ou seja, é preciso que fique bem claro se a região tem ou não um planeamento da Saúde e quais são os seus resultados concretos. É preciso ter em consideração que as críticas não foram feitas por “treinadores de bancada” mas sim por profissionais da área e, por isso, devem ser levados em devida conta e fazer os ajustes necessários.
Enquanto a região têm problemas que urgem respostas adequadas, os nossos deputados ou melhor (para não ser injusto), alguns deputados, aproveitando as novas faculdades proporcionadas pela Revisão do Estatuto Político-Administrativo, o primeiro diploma que é produzido é sobre a sorte da vara nos Açores. Para além das óbvias discordâncias que existem sobre o tema, acho no mínimo surreal que a primeira coisa que alguns deputados entendem fazer é legislarem sobre a possibilidade de torturem um animal em nome da diversão de alguns. Perante isso, fico mais animado pensar que alguns deputados foram apanhados na teia de uma febre que ainda ninguém descobriu mais que atrevo de apelidar de H1. Como todos calculam a actuação política é feita, também, com simbolismo.
terça-feira, 5 de Maio de 2009
quinta-feira, 30 de Abril de 2009
A partidocracia
Efectivamente e para o mal de todos nós, os dados vem comprovar essa alienação dos partidos aos problemas e anseios das pessoas. Hoje, são cada vez menos as pessoas que se interessam pela política, assumindo sobre ela e os políticos uma percepção negativa. Por outro lado, a participação dos cidadãos nos vários momentos eleitorais tem vindo a atingir valores críticos. A título de exemplo, na semana passada, foram divulgados os números que dão conta que metade dos portugueses não estão interessados nas próximas eleições europeias o que significa, provavelmente, que 5 em cada dez não irão votar. Se contabilizarmos os que disseram que iriam votar mas não o irão fazer, os números tornam-se ainda mais preocupantes e não deixa, no entanto, de se ser estranho que um país e uma região que tanto devem à União Europeia, exista tamanho desinteresse pela União Europeia. Por isso, os políticos deveriam ficar preocupados com esse desinteresse que tende a ser cada vez mais agudo e que mina os alicerces da própria democracia. No entanto, em vez de agirem no sentido de darem um contributo real para contrair essa tendência só reforçam o desinteresse dos cidadãos pela vida política.
A questão é que se os próprios políticos não levam muito a sério a política, dificilmente estão em condições de pedirem que o cidadão comum se interessa pela política. Dois exemplos recentes e que por acaso têm a ver com as eleições europeias em que a escolha das pessoas para fazerem parte da listas em posição elegível, deveria ser um momento que pudesse dar uma ajuda para credibilizar a vida política e partidária, contribuindo para motivar as pessoas a não alienarem a sua participação: no lado do PSD, Duarte Freitas foi anunciado publicamente que continuará no Parlamento Europeu, ocupando um lugar de exigível na lista. Em menos de 24 horas, Duarte Freitas dançou e regressará ao Parlamento Regional. A rotatividade é importante para a qualidade democrática, mas fazê-la de forma primária e obedecendo a lógica de “caças aos de lugares” e mediante critérios exclusivamente partidários e na busca de uma falsa paridade nas listas, é um excelente contributo para aumentar a distância entre os eleitos e os eleitores. Em relação ao PS, Paulo Casaca (que foi considerado o terceiro eurodeputado mais produtivo) entendeu-se que seria o candidato ideal para vir fazer literalmente um passeio nas próximas eleições autárquicas.
Não basta dizer que é preciso mudar ou que as pessoas têm de mostrar interesses em participar. As pessoas estão aí, e o exemplo que veio recentemente dos Estados Unidos, onde foi possível uma participação sem precedentes, diz-nos que a culpa pende para o lado dos políticos. Não basta aderir às redes sociais na Internet para efectuar a mudança no relacionamento entre os governantes e os governados. As pessoas precisam de sentir que as opções que os partidos assumem resultam claramente na defesa do interesse do colectivo e não de meros expedientes partidários. Da minha parte, estou cada vez mais decepcionado com a forma como os partidos e os políticos organizam a conquista do poder e fico convencido que estão a reunir todas as condições para que possam perder a exclusividade na conquista do poder.
quinta-feira, 26 de Março de 2009
Fica o desabafo
O ranking dos deputados
O provedor dos políticos

O segundo entendimento é que a classe política em vez de pensar verdadeiramente nos cidadãos, está a pensar em primeiro lugar neles e na capacidade em “comerem tudo”, ou seja, de ocuparem todos os cargos que não deveriam, por definição, ter nenhum cunho político. Se é um Provedor de Justiça, não percebo e custa-me acreditar a existência desse jogo absolutamente desmotivante para a existência de uma relação séria entre os governados e os governantes. Por causa deste episódio, valeria a pena alterar o nome de Provedor de Justiça para Provedor dos Políticos. Querem um exemplo? Em Dezembro, a AIPA deu entrada com uma queixa contra o Estado Português por causa das tarifas áreas junto da Provedoria da Justiça. Passados três meses “nem ai nem ui” do Provedor, nem para dizer que recebeu e arquivou a queixa. Sabemos que deu entrada, porque os CTT têm uma coisa que se chama “ Carta Registada”. Depois a malta vem falar da transparência e na relação saudável entre a política e os cidadãos. Tudo treta.
sexta-feira, 20 de Março de 2009
quinta-feira, 19 de Março de 2009
Sata Low Cost
quinta-feira, 5 de Março de 2009
Vale a pena chorar pelo presidente?

Com o assassinato do Nino Vieira, a Guiné Bissau deu, uma vez mais, a prova de que tem todas a condições para não funcionar. Infelizmente, para todos nós. Inclusive para muitos açorianos que sei que lá estiveram no período colonial e que muitos deles guardam as melhores recordações. Nas conversas que vou tendo com alguns guineenses e outras pessoas que seguem de perto a realidade daquele país, percebo que é cada vez mais visível o desânimo, a incerteza e a consciência do fracasso da Guiné Bissau, enquanto tentativa de construção de um país democrático e com um mínimo de possibilidades de desenvolvimento. Se Amílcar Cabral estivesse vivo o que ele pensaria disso tudo? O que ele pensaria, do país pelo qual deu a sua própria vida, pela independência e pela edificação do seu próprio destino, e que 34 anos depois está ainda mergulhado num autêntico caos que só tende a piorar. Amílcar Cabral nasceu na Guiné -Bissau e foi um dos intelectuais mais brilhantes que o continente africano já produziu e acreditava na possibilidade de uma união forte entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau.
Ficava, sinceramente, menos apreensivo se o assassinado do Nino Vieira fosse um acto isolado, concretizado por um indivíduo motivado por convicções próprias. Mesmo se fosse um golpe de Estado a situação era menos gravosa do que o contexto em que Nino Vieira foi assassinado. Não podemos esquecer que foi um grupos de militares que assassinou um Chefe de Estado por razões que ainda ninguém conseguiu explicar convenientemente. O que está em cima é um acerto de contas, fruto do passado do Nino Vieira e da sua relação com os militares. O assassinato de Ansumane Mané, em 2000, constitui mais um exemplo do poder bárbaro que é exercido pelos militares guineenses, não sendo abusivo dizer que quem está ditar as regras na Guiné Bissau são os senhores dos uniformes.
De qualquer modo, Nino Vieira, estava a preparar este seu desfecho que teve o início, no regresso dele, em 2005, à Guiné Bissau, depois do exílio em Portugal, com permanências regulares na casa do insuspeito Valentim Loureiro. O regresso de Nino Vieira não tinha vantagens nenhumas para os guineenses e nem para ele próprio como, aliás, está confirmado.
A complicar as coisas, a Guiné Bissau tornou-se num importante ponto de passagem da droga da América Latina para Europa, juntando o poder dos militares com o dos traficantes a mistura é no mínimo explosiva. Quando um avião aterra num determinado país com toneladas de droga e ninguém se responsabiliza(aconteceu no ano passado) não é preciso dizer muito mais.
A situação da Guiné-Bissau é tão catastrófica que é muito fácil apontar as situações improváveis que vão acontecendo por lá.
No entanto, importa perceber quais são as reais hipóteses de contrariar a tendência de fracasso agudo da Guiné-Bissau, sendo certo que quem sofre as consequências são os guineenses que vivem na mais absoluta miséria.
O assassinato do Nino Vieira representa ainda mais uma machadada na CPLP até porque é a Guiné-Bissau que está a presidência neste momento.
O interessante disso tudo é o silêncio ou, melhor as palavras dentro do politicamente correcto, que são utilizadas pela classe política, nomeadamente, em Portugal. Poucos quiseram falar sobre o assunto e os que o fizeram foi no anonimato ou com termos muitos suaves.
quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009
domingo, 22 de Fevereiro de 2009
Imigrar é um direito humano básico
Afinal, cada um de nós tem, literal e legitimamente, o direito de viver em qualquer país deste nosso mundo.
China reforça presença em Cabo Verde
Versão Madeirense de "British Jobs for British Works!

A crise de uns e de outros
Voltando à Direcção Geral do Comércio. Acho que todas as crianças gostam de acompanhar os pais para o trabalho. Fui crescendo, deixei de acompanhar a minha mãe no içar da bandeira, mas continuei a ir ao trabalho dela nas horas de expediente e, claro, fui-me apercebendo melhor como é que as coisas funcionavam. Lembro-me de alguma coisas, que para a maior parte dos leitores, possam parecer um pouco estranhas. Hoje, Cabo Verde tem um acordo com Portugal que permite que o escudo cabo-verdiano tenha uma paridade fixa como euro. Alguns anos atrás, a licença de importação era limitadíssima e mesmo para os que tinham a tal licença não poderiam faze-la de qualquer maneira, pois, estavam condicionados à disponibilidade de moeda estrangeira no único Banco de então que, como podem deduzir, era público. Também sou do tempo da EMPA (Empresa Pública de Abastecimento) que detinha o monopólio para a importação e comercialização. Era fantástico trabalhar na EMPA. A empresa foi, todavia, fechada e, hoje, muitos antigos funcionários ainda estão a reivindicar junto do governo alguns direitos que não foram salvaguardados. De repente, corria a informação de que o açúcar “ dja dâ nó”. Significava que o stock já tinha terminado e que nas semanas seguintes muita gente iria ficar sem açúcar. Outras vezes era o óleo, farinha etc.
Comer maçã importada era um pequeno luxo. Ficávamos na fila, durante longos e angustiantes minutos, para comprar num dos estabelecimentos geridos pela EMPA um quilo de maçãs de Lisboa. Isso foi há pouco mais de duas décadas e ainda bem que foi passado e, como é expectável acontecer, quantos mais recuarmos no tempo mais episódios inacreditáveis aparecerão, pelo menos, à luz das nossas perspectivas actuais. Hoje, Cabo Verde é um país diferente e transpira confiança e credibilidade.
Cá estamos hoje perante a crise. É inegável que estamos perante uma crise mundial, cujos contornos e amplitude ninguém sabe exactamente responder. Para além da crise real, temos de somar a crise de confiança que é, sempre, complicada gerir. Estou a crer que só com uma intervenção cuidada mas vigorosa e credível dos governos será possível repor a confiança dos consumidores. Existe, no entanto, o perigo real para a eminência das políticas proteccionistas, tendo eu a consciência que, à primeira vista, constitui a forma mais rápida de ultrapassar a crise. Puro engano. O modelo de sociedade que temos está, irreversivelmente, assente na ligação e interdependência entre nações. Por isso, as respostas têm, obrigatoriamente, de serem encontradas neste contexto global. Essa lógica é aplicável tanto nos produtos e serviços como nos recursos humanos.
Artigo Publicado no Jornal " Terra Nostra" - 18-02-09
sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Um amigo meu está livre para amar

Um carnaval diferente em Ponta Delgada

Se um dia tiverem em Ponta Delgada por essas alturas, recomendo vivamente um dos bailes de carnaval no famoso Coliseu Micaelense.
quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009
Importar Políticos para Portugal
O nós e os outros
terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Jardim deve estar a brincar
O homem deve estar a brincar e pergunto se os vinte trabalhadores servirão para cuidar apenas do jardim do Palácio do Alberto João Jardim?
sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Espelho 2
Todos nós já sabemos para que lado a corda arrebenta numa situação de tensão social. Cabe aos responsáveis, nomeadamente, os que têm responsabilidades política, uma pedagogia pró-activa e eficiente no sentido de que todos nós somos necessários para ultrapassar este mau momento económico. Pessoalmente, tenho receio de que, em época de alguma tensão, possam aparecer os tais salvadores que, a partir de diagnósticos fáceis e populistas, conseguem apresentar soluções na exacta proporção demagógica dos diagnósticos.
Espelho, Espelho meu…
Julgo que a imagem que teremos dessa nossa sociedade não será, infelizmente, muito longe disso.
1. Há duas semanas, três jovens italianos ataram fogo a uma pessoa que, por acaso, era um imigrante indiano. Puseram fogo ao homem enquanto ele dormia numa estação de comboio. Quase toda a imprensa deu conta desta violência sob o chapéu de xenofobia Depois de detidos, os suspeitos da agressão confessaram que andaram nos copos e a consumir drogas e queriam experimentar algo novo e que não foram motivados por nenhuma perspectiva xenófoba. Depois desta confissão, fiquei com a sensação de que a imprensa não ficou excitada ao saber que não foi por motivo xenófobo que o homem foi queimado com gasolina por três jovens. Para além dessa perda de excitação, ficou-se com a estúpida sensação de que “ Ok, afinal não lhe puseram fogo por ser imigrante”.
terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
Mark Pollock um verdadeiro exemplo

segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
Pauleta.. uma homenagem bem merecida

Uma das formas de transmitir e perpetuar a esperança é, justamente, reconhecer e prestar o nosso reconhecimento ao talento das pessoas; é dizer e partilhar com os outros que aqui, entre nós, somos capazes de produzir pessoas de talentos inquestionáveis, como é o caso do Pauleta. Que o percurso extraordinário do Pauleta sirva de inspiração para que possamos ter mais “Pauletas” no futebol e fora dele.
Será que todos os pretos são obamas?
A conversa ficou por ali e lá levei esse desabafo comigo para as minhas horas de reflexão tendencialmente inconsequente que, presumo, todos nós temos. No dia seguinte à tomada de posse, um conhecido meu, gritando do lado oposto do passeio, perguntou-me, em tom de brincadeira, se eu assisti à tomada de posse do meu primo. Também do lado oposto, acenei-lhe com a cabeça e em tom afirmativo que assisti a tomada de posse do meu primo. Claro que todos os pretos, negros, de cor,”afro-qq” ficaram, concerteza, satisfeitos com a eleição de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos, convergindo num momento ímpar na História daquele país e do mundo que deve ser evidenciado e reforçado. Mas, essa vitória perpassa a questão da cor dos indivíduos. Eu acho que um dos grandes alicerces da vitória do Barack Obama foi a transversalidade da sua mensagem. Pessoas de todas as cores, credos e estatutos sociais aderiram sem precedentes à mensagem e ao conteúdo dos seus discursos. Envolvendo milhares de voluntários, houve um recenseamento em massa de pessoas que por um conjunto de razões nunca tinham votado. Esse mesmo grupo de voluntário suportou de forma exemplar a campanha do actual presidente. Isso, para dizer que estou ansioso que apareça um Barack Obama, homem, mulher, preto, branco, na Europa em Portugal. Tanto faz. O importante é que apareça e que seja capaz de transmitir a esperança e a confiança na liderança. A nossa classe política precisa de motivar e de transmitir uma coisa fundamental: confiança às pessoas. Precisamos de uma nova esperança nas lideranças. Apesar de todos nós sermos culpados pelo estado lastimoso que se encontra a relação dos políticos com as pessoas, a responsabilidade maior está sobre os primeiros. Precisamos de ver reflectido em todas as pessoas que nos governam a imagem de credibilidade e de competência inquestionáveis. Por isso, uma das formas de devolver ou mesmo criar essa esperança em todos nós, é passar a mensagem que quem está no centro da decisão está por mérito próprio e dificilmente outra pessoa exerceria melhor as suas funções.
segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
Sim, iremos conseguir
Ontem, vimos esse mesmo país a empossar um homem que encarna e representa uma nova América e uma nova esperança. Uma sociedade que nos diz que com trabalho árduo e com princípios qualquer um consegue alcançar os seus objectivos. Assistir à nação mais poderosa do mundo a superar a barreira do preconceito é um feito extraordinário.
O Barack Obama sentou-se, ontem, pela primeira vez na sala oval da Casa Branca. Por isso, impõe-se perguntar o quê que poderemos esperar dele? Algumas pessoas já chamaram atenção para o facto de que as expectativas são muitas altas e que é preciso geri-las com particular atenção.
É verdade que os desafios são enormes e a herança, dentro de fora dos Estados Unidos é pesadíssima: crise económica, sistema de saúde norte-americano praticamente falido, Iraque, Afeganistão, Médio Oriente, aquecimento global, são alguns dos temas que carecem uma resposta. É certo, também, que por detrás da sua vontade tem atrás dele uma equipa e uma máquina burocrática que é preciso liderar e o sempre difícil equilíbrio entre os interesses dos norte-americanos com os do resto do mundo. Porém, tenho fé na Presidência de Barack Obama; tenho esperança que ele será um grande presidente e, por causa disso, a sua poderosa mensagem “ Yes, we can”, ficará imortalizada.
No seu discurso de tomada de posse partilhou princípios muito claros: o príncipio de partilhar decisões e não de impô-las; a noção de que o poder não dá a ninguém o direito de fazer o que lhe apetece e que a forma melhor de exerce-lo é dar o exemplo; a certeza de que a cooperação é o meio mais eficaz que os governantes têm para enfrentarem os gigantescos problemas globais; o facto acreditar na diversidade étnica dos EUA, onde todos têm um lugar à mesa; a convicção da força e da necessidade do diálogo e da paz entre povos.
Barack Obama convocou ainda homens e mulheres de boa vontade para a construção de um mundo verdadeiramente melhor; pode não ser tão depressa como gostaríamos; mas iremos conseguir. God Bless You Mr President
domingo, 25 de Janeiro de 2009
Quem virá passar férias nos Açores por causa das vacas?

Os Açores têm ainda um longo a percorrer na divulgação, enquanto destino turístico, junto dos portugueses continentais. Por outro lado, são muitas as pessoas que ainda têm uma ideia errada dos Açores, feita à base de vacas, velhos, calamidades etc. Existe uma modernidade cada vez mais visível (longe de ser o ideal) que importa dar a conhecer.
Colocar vacas em plena cidade de Lisboa, parece-me uma ideia infeliz e inconsequente. Por outras palavras, ninguém virá passar as suas férias aos açores para ver as nossas vaquinhas… por mais bem tratadas que elas estejam.
quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
Um momento muito interessante
Rádio Atlântida, Antena 1 e Açoriano Oriental fizeram a ponte com a socieade açoriana.
quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
Discurso de Barack Obama em Português
Quarenta e quatro presidentes americanos prestaram até hoje o juramento presidencial. As suas palavras foram proferidas em tempos grandiosos de prosperidade e períodos tranquilos de paz. Contudo, houve também ocasiões em que o juramento foi prestado entre nuvens que se avolumavam e tempestades violentas. Nesses momentos, a América prosseguiu o seu caminho não apenas devido à capacidade e visão dos que ocuparam este alto cargo, mas porque nós, o povo, permanecemos fiéis aos ideais dos nossos antepassados e aos nossos documentos fundadores.
Assim foi. E assim será com esta geração de americanos. Que estamos a braços com uma crise já todos compreenderam. O nosso país está em guerra contra uma rede poderosa de violência e ódio. A nossa economia está enfraquecida, uma consequência da ganância e irresponsabilidade por parte de alguns, mas também da nossa incapacidade colectiva de fazer escolhas difíceis e preparar o país para uma nova era.
Perderam-se casas, extinguiram-se empregos, fecharam-se empresas. O nosso sistema de saúde é demasiado oneroso; as nossas escolas reprovam demasiado; e cada dia traz mais provas de que as formas como utilizamos a energia reforçam os nossos adversários e ameaçam o nosso planeta. São estes os indicadores da crise, objecto de dados e números estatísticos. Menos mensurável mas não menos profunda é a diminuição da confiança em todo o país - um receio perturbante de que o declínio da América é inevitável e de que a próxima geração tem de reduzir as suas ambições. Hoje digo-vos que os desafios que defrontamos são reais. São graves e são muitos. Não terão resposta fácil nem num curto espaço de tempo. Mas que todos fiquem sabendo: terão resposta.
Neste dia, reunimo-nos aqui porque escolhemos a esperança em vez do medo, a unidade de objectivos em vez do conflito e da discórdia. Neste dia, viemos proclamar o fim de querelas mesquinhas e falsas promessas, das recriminações e dos dogmas gastos que durante demasiado tempo sufocaram a nossa política.
Continuamos a ser uma nação jovem, mas nas palavras das Escrituras, chegou o momento de pôr de parte as infantilidades. Chegou o momento de reiterar a firmeza do nosso espírito; de escolher o melhor da nossa história; de levar por diante essa dádiva preciosa, essa ideia nobre passada de geração em geração: a promessa divina de que todos são iguais, todos são livres e todos merecem a oportunidade de lutar pela sua quota-parte de felicidade.
Ao reafirmar a grandeza da nossa nação, compreendemos que essa grandeza nunca é um dado adquirido. Tem de ser conquistada. A nossa jornada nunca foi feita por atalhos nem se contentou com pouco. Não foi um caminho trilhado por cobardes - por aqueles que preferem o lazer ao trabalho ou que procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama. Foi antes trilhado por aqueles que aceitam os riscos, os executores, os que fazem - alguns célebres, mas na maior parte das vezes homens e mulheres que trabalharam na obscuridade - e que nos conduziram por um caminho longo e difícil até à prosperidade e à liberdade.
Por nós, embrulharam os seus poucos haveres e atravessaram os mares à procura de uma vida nova. Por nós, trabalharam duramente em oficinas e colonizaram o Oeste; sofreram chicotadas e lavraram a terra dura. Por nós lutaram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandia e Khe Sahn.
Vezes sem conta, estes homens e mulheres lutaram e sacrificaram-se, e trabalharam até que as mãos sangrassem para que nós pudéssemos ter uma vida melhor. Viram a América como sendo maior do que a soma das nossas ambições individuais; maior do que todas as diferenças de nascimento, riqueza ou facção.
É este caminho que prosseguimos hoje. Continuamos a ser a nação mais próspera e mais poderosa da Terra. Os nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando a crise começou. A nossa mente não é menos criativa, os nossos bens e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada, no mês passado ou no ano passado. A nossa capacidade não foi diminuída. Mas o nosso tempo de imobilismo, de proteger interesses mesquinhos e de adiar decisões desagradáveis - esse tempo passou definitivamente. A partir de hoje, temos de nos levantar, sacudir a poeira e recomeçar a tarefa de refazer a América.
Porque para qualquer lado que olharmos, há trabalho que tem que ser feito. O estado da nossa economia exige acção, ousada e rápida, e nós agiremos - não apenas para criar novos empregos mas para lançar as novas fundações do crescimento. Construiremos as estradas e as pontes, as redes eléctricas e os circuitos digitais que alimentam o nosso comércio e que nos ligam uns aos outros. Devolveremos à ciência o lugar a que tem direito e utilizaremos com eficácia as maravilhas da tecnologia para aumentar a qualidade dos cuidados de saúde e reduzir os seus custos.
Aproveitaremos o sol, os ventos e a terra para alimentar os nossos carros e fazer funcionar as nossas fábricas. E transformaremos as nossas escolas e universidades para responderem às exigências de uma nova era. Tudo isto sabemos fazer. E tudo isto faremos.
Agora, há quem ponha em dúvida a escala das nossas ambições - quem insinue que o nosso sistema não pode permitir muitos e grandes planos. Têm a memória curta. Porque se esqueceram do que este país já realizou; do que homens e mulheres livres podem alcançar quando conjugam a imaginação e o objectivo comum, a necessidade e a coragem.
O que os descrentes não conseguem compreender é que o chão mudou debaixo dos seus pés - que os velhos argumentos políticos que nos consumiram durante tanto tempo já não se aplicam. A pergunta que hoje fazemos não é se o nosso governo é demasiado grande ou pequeno, mas se funciona - se ajuda as famílias a encontrar empregos e um salário decente, serviços que possam custear, uma reforma digna. Se a resposta for sim, tencionamos seguir em frente. Se a resposta for não, os programas serão terminados. E aqueles de nós que administram os dinheiros públicos serão responsabilizados - para gastarem com sensatez, reformarem velhos hábitos e gerirem os nossos interesses com transparência - porque só então poderemos restaurar a confiança indispensável entre um povo e o seu governo.
Também a pergunta que se coloca não é se o mercado é uma força do bem ou do mal. O seu poder para gerar riqueza e difundir a liberdade não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante, o mercado pode descontrolar-se - e que um país não pode prosperar durante muito tempo quando favorece apenas os mais prósperos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho do nosso produto interno bruto, mas da abrangência da nossa prosperidade; da nossa capacidade para dar oportunidades a cada alma de boa vontade - não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o nosso bem comum.
Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como uma falsidade a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, confrontados com perigos que mal podemos imaginar, delinearam uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos humanos, uma carta reclamada pelo sangue de gerações. Esses ideais continuam a iluminar o mundo e não desistiremos deles em nome da conveniência. E portanto, a todos os povos e governos que nos estão hoje a ver, desde as grandes capitais à pequena aldeia onde o meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de todas as nações e de todos os homens, mulheres e crianças que procuram um futuro de paz e dignidade, e que estamos preparados para liderar uma vez mais.
Recordem que gerações anteriores defrontaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças resolutas e convicções duradouras. Compreenderam que o nosso poder não consegue por si só proteger-nos nem nos confere o direito de fazer o que nos agrada. Pelo contrário, perceberam que o nosso poder aumenta com o seu uso prudente; que a nossa segurança emana da justeza da nossa causa, da força do nosso exemplo, de qualidades como a humildade e a moderação.
Somos os guardiães desse legado. Guiados por estes princípios uma vez mais, podemos estar à altura dessas novas ameaças que exigem um esforço ainda maior - e mesmo maior cooperação e compreensão entre nações. Vamos começar a deixar responsavelmente o Iraque ao seu povo, e a planear uma paz bem merecida no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, trabalharemos sem descanso para diminuir a ameaça nuclear e repelir o espectro do aquecimento do planeta. Não pediremos desculpa pelo nosso modo de vida nem hesitaremos na sua defesa, e para aqueles que procuram impor os seus objectivos induzindo o terror e massacrando inocentes, dizemos-lhes que o nosso espírito é mais forte e não pode ser dominado; não nos podem vencer pelo cansaço e nós derrotá-los-emos.
Porque sabemos que o nosso património feito de muitos retalhos é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, de judeus e hindus - e de não crentes. Somos formados por todas as línguas e culturas, atraídas de todos os cantos da Terra; e porque experimentámos o travo amargo da guerra civil e da segregação e emergimos desse escuro capítulo mais fortes e mais unidos, só podemos acreditar que os velhos ódios passarão um dia; que as linhas de divisão se dissolverão em breve; que à medida que o mundo se torna mais pequeno, a nossa humanidade comum se revelará; e que a América tem de desempenhar o seu papel de condutora para uma nova era de paz.
Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Aos líderes por esse mundo fora que procuram semear o conflito ou lançar as culpas dos males da sua sociedade ao Ocidente: saibam que o vosso povo vos julgará por aquilo que conseguirem construir, não pelo que destruírem. Para aqueles que se agarram ao poder através da corrupção, da falsidade e do silenciamento da oposição, saibam que estão do lado errado da história; mas que nós vos estenderemos a mão se estiverem dispostos a abdicar.
Aos povos das nações pobres, prometemos trabalhar convosco para que as vossas terras floresçam e para que haja água potável; para dar de comer a corpos esfomeados e alimentar espíritos sedentos. E aos países que como o nosso gozam de uma relativa abundância, dizemos que já não podemos suportar a indiferença perante o sofrimento fora das nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos mundiais sem ter em conta o seu efeito. Porque o mundo mudou e nós temos de mudar com ele.
Ao olharmos o caminho que se estende diante de nós, recordamos com humilde gratidão esses bravos americanos que neste mesmo momento patrulham desertos remotos e montanhas distantes. Eles têm algo a dizer-nos hoje, tal como os heróis caídos que jazem em Arlington nos segredam através do tempo. Prestamos-lhes homenagem não apenas porque são os guardiães da nossa liberdade, mas porque encarnam o espírito do serviço; uma disposição para encontrar significado em algo maior do que eles próprios. E contudo, neste momento - um momento que definirá uma geração - é precisamente este espírito que deverá habitar cada um de nós.
Porque por muito que um governo possa e deva fazer, é afinal da fé e da determinação do povo americano que este país depende. É a generosidade de receber um estranho quando um dique rebenta, o altruísmo de trabalhadores que preferem reduzir o seu horário do que ver um colega perder o seu posto de trabalho, que nos conduzem nas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro ao abrir caminho por uma escada cheia de fumo, mas também a vontade de um pai para criar um filho, que finalmente decide o nosso destino.
Os nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos de que dispomos para os enfrentar podem ser novos. Mas os valores dos quais depende o nosso sucesso - trabalho árduo e honestidade, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo - são velhos. São verdadeiros. Foram a força tranquila do progresso através da nossa história. O que se exige é então um regresso a essas verdades. O que se exige de nós é uma nova era de responsabilidade - um reconhecimento, por parte de todos os americanos, que temos deveres com nós próprios, com o nosso país e com o mundo; deveres que não aceitamos relutantemente mas que cumprimos com alegria, firmes no conhecimento de que não há nada tão compensador para o espírito, tão definidor do nosso carácter, como nos entregarmos inteiramente a uma tarefa difícil.
É este o preço e a promessa da cidadania. É esta a fonte da nossa confiança - o conhecimento de que Deus nos chama para darmos forma a um destino incerto. Este é o significado da nossa liberdade e da nossa fé - a razão por que homens, mulheres e crianças de todas as raças e religiões se podem juntar nesta celebração em volta desta magnífica alameda, e por que um homem cujo pai há menos de 60 anos poderia não ter sido servido num restaurante local pode agora estar aqui diante de vós a prestar o juramento mais sagrado.
Portanto, marquemos este dia com a recordação do que somos e do longo caminho que percorremos. No ano do nascimento da América, no mês mais frio, um pequeno grupo de patriotas juntou-se à volta de fogueiras agonizantes nas margens de um rio gelado. A capital fora abandonada. O inimigo avançava. A neve estava tingida de sangue. Num momento em que o resultado da nossa revolução estava mais em dúvida, o pai da nossa pátria ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo: "Que fique dito para o mundo futuro (...) que no Inverno mais profundo, quando nada senão a esperança e a virtude conseguiam sobreviver (...) que a cidade e o país, alarmados por um perigo comum, acorreram para o enfrentar".
América. Diante dos nossos perigos comuns, neste Inverno de provação, lembremo-nos destas palavras intemporais. Com esperança e virtude, vamos desafiar uma vez mais as correntes geladas e suportar as tempestades que vierem. Que possa ser dito pelos filhos dos nossos filhos que quando fomos postos à prova, nos recusámos a permitir que esta jornada terminasse, que não virámos as costas nem vacilámos; e com os olhos fixos no horizonte e com a graça de Deus, levámos por diante essa grande dádiva da liberdade e a entregámos em segurança às futuras gerações.
Fonte: www.expresso.pt
terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
À descobertas das costelas
As presenças lusas na White House
Nova Directora
quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Pela Paz
Dar com uma e tirar com outra
Portugal tem uma situação relativamente pacífica na questão do diálogo inter-religioso. Para além do peso estatístico pouco significativo que a população islâmica assume entre nós (entre 30 a 35 mil), no conjunto das populações imigrantes e dos seus descendentes não verificamos grandes contrastes com a sociedade portuguesa. Equivale afirmar que, apesar do peso crescente dos imigrantes e dos seus descendentes na sociedade portuguesa (o primeiro grupo representa 5%) não existem diferenças culturais abismais e que coloquem em causa a paz social e uma boa convivência entre as várias culturas e religiões. A tensão que se vive, por exemplo, em França, reforça essa convicção sobre a realidade portuguesa. Mesmo o posicionamento do líder religioso da comunidade islâmica em Portugal, o skeik David Muni, que ainda não se pronunciou sobre as palavras do D. José Policarpo, revela um espírito muito tranquilo dessa comunidade em Portugal.
Julgo que um dos grandes desafios que temos pela frente é a nossa capacidade em gerir de forma saudável o diálogo inter-religioso. Aliás, atrevo-me a dizer que a estabilidade mundial nos próximos tempos estará muito dependente desse diálogo que deverá alicerçar em duas coisas importantes: no conhecimento mútuo e na capacidade de colocar de lado as generalizações.
Devido às minhas andanças no mundo associativo, tenho dois amigos muçulmanos que residem no continente. O mais velho, a uma mulher é, também, muçulmana e, por isso, não acarreta preocupações para o D. José Policarpo. O segundo amigo, é mais novo e namora com uma portuguesa. Também esse, é um muçulmano pacífico e tem um relacionamento exemplar com a namorada. Também aí o D. José Policarpo deverá ficar tranquilo.
Porventura esses dois amigos são excepções e todos nós sabemos de histórias macabras e de autênticos sarilhos de que muitas mulheres são alvos, em nome do Islão. Estamos a falar de extremistas e com esses não vale pena estarmos com paninhos quentes.
No entanto, a prática islâmica não se resume ao extremismo e tomar a parte pelo todo, é perigoso e pode colocar em causa as bases para existência de desejável diálogo entre as várias religiões. Os extremistas, de qualquer religião ou de qualquer causa, constituem, sempre um problema e os extremistas islâmicos têm, de facto, representado um obstáculo real para a existência de uma paz duradoura em muitas partes do globo e são autênticas bombas atómicas no que diz respeito aos Direitos Humanos.
De qualquer modo, os ecos das palavras são proporcionais ao peso e a responsabilidade de quem as pronuncia. Face ao peso inquestionável que a religião católica tem em Portugal, deveria haver uma prudência. Mesmo que, como hipótese, o D. José Policarpo ter tido o que todos pensam e que é politicamente incorrecto afirmar, violência com violência é quase, sempre um caminho, com maus resultados.
terça-feira, 13 de Janeiro de 2009
A amplitude da crise?
Se a ministra pudesse enviava todos os professores para um outro planeta...
sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008
Aquela última prenda
Dedico, no entanto, este artigo às pessoas que, por um conjunto de razões, sei que dificilmente vão lê-lo. São aquelas pessoas que não têm um lar e nem fazem correr ninguém nos centros comerciais para comprar aquela última prenda.
Porque é natal e apesar de ter alguém a correr por eles algures para comprar a última prenda este artigo é também para eles. Para o António Paraíso. Tem 35 anos é brasileiro com sotaque nordestino. Entrou em Portugal há um ano, via Espanha. Trabalha da construção civil e vive nos Açores há 6 anos. No início do ano foi comprar um bilhete, às prestações, para ir ver a mulher e os dois filhos que ainda vivem no Brasil. Queria viajar no Natal. A agência onde comprou o bilhete abriu falência e o Natal do António Paraíso foi, literalmente, à vida. O António Paraíso foi um daqueles que estava a correr nos corredores do Centro Comercial para comprar aquela última prenda. Ironicamente estava a correr no mesmo corredor onde funcionava a agência que lhe estragou o Natal.
Este artigo é para também para Oksana. É ucraniana e vive há 5 anos nos Açores. Foi professora de Matemática durante mais de 15 anos na sua cidade natal, Betz, que se situa na parte oeste da Ucrânia, próxima da fronteira com a Polónia. O marido, também, ucraniano, andou a correr para comprar a última prenda. A Oksana espera que no Natal do próximo ano possa estar a partilhar a experiência com a sua família de ser professora de matemática nos Açores. A Oksana está à espera, há mais de 12 meses, da sua equivalência. Enquanto espera, vai ganhando a vida a limpar, entre outros lugares, os corredores que servem para comprarmos aquela última prenda.
Este artigo é para paquistanês Abhijat que está à espera há mais de um ano de uma resposta do Consulado Português no Paquistão sobre um documento que é necessário autenticar para conseguir trazer o irmão mais novo.
Também este artigo é para o Djaló, natural do país dos Bijagós; país que não obstante das esperanças que todos nós depositamos não consegue dar o tal salto. Um país que ainda não tem os tais corredores para que as pessoas possam comprar aquela prenda. Tem, claro, outros corredores. O Djaló queria que a estabilidade do seu país minimamente para poder regressar e ir comprar na Guiné aquela prenda.
O artigo é para todos nós. Todos nós temos as nossas dificuldades, as nossas angústias mas, sobretudo, as nossas esperanças e desejos. Espero que este Natal possa ser mais uma luz de esperança para todos. Que neste Natal e nos seguintes possamos todos, independentemente da origem, da cor e religião, concretizar os nossos desejos.
Os meus sinceros votos de um Santo Natal e de um ano novo repleto de felicidades.
terça-feira, 16 de Dezembro de 2008
Se o Obama fosse africano
Se é legitimo questionarmos se poderemos ter um Obama em qualquer país europeu, será um exercício estimulante e, até certo, constrangedor na sua conclusão, se perguntarmos … e se o Obama fosse africano? O título não me pertence. No outro dia, um amigo enviou-me um artigo do Mia Couto exactamente com este título, em que ele, à semelhança com que tinha feito um escritor camaronês, elabora um conjunto de interrogações sobre a possibilidade para a existência de um Obama africano.
O artigo é fantástico e não resisti partilhar com o leitor algumas dessas perguntas, e até porque foram muitos os líderes africanos que, na noite da vitória do Obama o apelidaram de “ irmão”, cuja única semelhança será, porventura, a tonalidade da cor da pele. Mais nada e qualquer outra semelhança é a mais pura coincidência.
A primeira pergunta seria: e se o Obama se candidatasse a uma presidência de um país africano? Com as escassas excepções, seria muito difícil a chegada dela ao poder se, atendermos a média de permanência dos políticos africanos no poder. Sem contabilizar os anos que o Mubague está no poder, temos o José Eduardo dos Santos ( Angola) que está no poder há 28 anos, Omar Bongo ( Gabão) mais de 40 anos, Teodoro Obiang Nguema ( Guiné Equatorial ) quase 30 anos. Eis alguns nomes de um grupo considerável de Presidentes africanos que estão no poder há mais de 20 anos. Para além da existência desses senhores no poder, no caso de aparecer uma candidatura consistente, o presidente que está no poder tentava arranjar um esquema (provavelmente alterava a constituição) para se manter por mais alguns anos a enganar os seus concidadãos. Claro, sem abordar o sufoco que é ser a oposição em África onde a pluralidade de opinião e a possibilidade de expressa-la é ainda uma miragem.
Todos sabem que o Obama é descendente de imigrantes, pois o pai era um antigo estudante queniano nos Estados Unidos. Em alguns países africanos, alguém se lembraria de fazer uma lei que impossibilitaria que um filho de um imigrante pudesse chegar ao poder. Aliás, Mia Couto dá um exemplo do antigo presidente zambiano, Kenneth Kaunda, agora na oposição, em que os actuais dirigentes alegam que ele governou o país de forma “ilegal” porque descobriram que é filho de malawianos.
Mas, também, o Obama seria tido, por alguns, como não suficientemente africano, já que a mãe era branca e, a meio do percurso, parte da elite política africana torturava-o com essa questão da “pureza africana”.
Imaginemos que, perante esses problemas todos o Obama conseguiria chegar ao poder e convidaria, em nome da estabilidade, o seu adversário do partido para ocupar um lugar de destaque no governo. Estou certo que o adversário, agora na equipa do Obama africano, estaria no dia seguinte a conversar com os militares e a desenhar um esquema para dar um golpe e, em última hipótese, assassinava o Obama africano.
Claro que esse quadro é generalista e não tem em atenção as excepções que, felizmente, existem no continente africano. De qualquer forma, é preciso esperança, esforço e espírito de auto-critica sobre a realidade dramática em que muitos países africanos vivem e para que um dia se possa celebrar de forma entusiasmada uma vitória de esperança no continente africano. É necessário criar condições para que os obamas africanos possam aparecer e vencer, também, em África.
A relatividade dos direitos
Não obstante do percurso feito em torno da vivência e do respeito dos Direitos Humanos, a actual situação em que o mundo vive, é tão dramática que o simples partilhar de números de pessoas cujos direitos não existem ou são diária e primariamente desrespeitados seria um exercício abstracto e terrivelmente inconsequente.
Aprovar leis, todos os fazem: tantos os regimes democráticos como os autoritários. Aliás, agora parece-me que nem leis querem fazer, já que muitos deputados andaram a faltar, ultimamente às votações na Assembleia da República (é uma piada. Isso nunca acontece).
Apesar da inconsequência desta reflexão, vale a pena dizer que são milhares de pessoas que continuam a morrer por causa dos conflitos, muitas delas crianças e mulheres. Uns fazem a guerra, outros lucram com ela mas depois todos se sentam, à mesma mesa, para tentarem resolver o conflito. Ainda ontem a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) publicou um relatório onde evidenciou que 963 milhões de pessoas passam fome diariamente por esse mundo fora e onze mil crianças morrem diariamente de fome. Temos de ser claros e dizer que a fome não tem a ver com a escassez de alimentos mas sim com a má redistribuição da riqueza e dos meios de produção e da hipocrisia das regras do comércio internacional. A inexistência de políticas ou quando elas existem não são coerentes, nomeadamente para o sector da agricultura e comércio internacional, o aumento do desemprego e do trabalho sem direitos, as questões relacionadas com as alterações climáticas negam o direito a uma vida digna, negam a universalidade dos Direitos Humanos.
De qualquer modo, tenho a consciência que os números que nos são apresentados (por detrás estão pessoas, como qualquer um de nós) estão muito longe da nossa vivência e, por isso, não nos causa a reacção e a indignação que seriam desejáveis. Aliás, nem nos permite visualizar os culpados que, no fundo somos todos nós. Os políticos que, no conforto dos seus gabinetes e das mordomias que os cargos oferecem ou então das estratégias político-partidárias, nem estão aí para os verdadeiros problemas das pessoas. Somos nós, cidadãos, que na busca de soluções para os nossos problemas individuais, ficamos de tal forma absorvidos que esquecemos de que construir algo de bom e de forma colectiva, irá interferir de forma positiva na nossa vivência diária.
Mas não podemos esmorecer e faz toda a diferença acreditar que com determinação e a apropriação de uma agenda com base nos problemas das pessoas é possível transformar os princípios universais em acções concretas. É possível, inclusive, vivermos num mundo sem fome e miséria, sabemos como fazê-lo e este é um compromisso assumido por 189 países no mundo (incluindo Portugal).
Mas não é preciso apresentar exemplos longínquos para percebermos a dimensão das violações grotescas dos nossos direitos. Mesmo aqui na Região, vale a pena perguntar quantas crianças abandonam o sistema de ensino porque têm de ajudar as famílias no seu sustento ou quantas são vítimas de maus tratos e de negligência? Não conheço os números da Região, mas a nível nacional existem cerca de 30 000 crianças sinalizadas em riscos sociais e 3000 em risco de sofrer maus tratos. Uma sociedade que não consegue proteger as suas crianças, não vale a pena tentar fazer mais nada. Ainda, podemos perguntar quantas mulheres são vítimas de violência doméstica ou mesmo assassinadas?
Estas são algumas questões simples mas cujas respostas colocam em causa o tipo de sociedade que queremos construir na qual somos capazes de transformar os princípios em acções concretas. É uma tarefa do Estado mas não podemos, enquanto, cidadãos alhear a nossa gigantesca responsabilidade na construção de uma sociedade capaz de respeitar os direitos das pessoas.
Se não formos capazes de respeitar os Direitos Humanos e lutar pela igualdade de oportunidade e de dignidade humana em pequenos lugares; se os Direitos Humanos não tiverem significado no nosso trabalho, nas escolas que frequentamos ou no prédio em que vivemos, eles não terão sentido em lugar nenhum.
sábado, 22 de Novembro de 2008
Guiné Bissau..PAIGC continua no poder
Os resultados:
PAIGC - 67 deputados eleitos, 49,75%
PRS - 28 deputados eleitos, 25,29%
PRID - 3 deputados eleitos, 7,52%
PND - 1 deputado eleito, 2,35%
AD - 1 deputado eleito, 1,39%
A taxa de participaçã foi de 82,%.
quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Governar à vista
Um dos grandes problemas da actividade política é que se perde demasiado tempo em lidar com assuntos de gabinete, com burocracias desnecessárias e politiquices. As coisas verdadeiramente importantes e estratégicas para o desenvolvimento ficam, quase sempre comprometidas porque a governação é feita, quase sempre, à vista. Existe, um conjunto de hipóteses que explicam essa tal governação à vista, ou se quisermos, a ausência da governação estratégica: A primeira e, a mais óbvia, é que qualquer político almeja conquistar e renovar o poder, sendo que esse poder é conquistado com base numa retórica convincente e na obra feita. O problema é que a apresentação de resultados imediatos é, muitas vezes, incompatível com um planeamento estratégico, cujos resultados são só visíveis a médio e a longo prazo. A segunda hipótese e, como consequência da primeira, é que os governantes perdem muito tempo com assuntos urgentes e não com coisas verdadeiramente importantes. Essa urgência é muitas vezes artificial, ou seja, é resultado de pressões mediáticas ou de sectores da sociedade, em que o poder político vai sempre atrás. Cito um exemplo: há poucos meses, todos nós tivemos a percepção que um dos grandes problemas que o país estava a atravessar relacionava-se com a criminalidade. Essa prioridade só aconteceu porque a comunicação social ditou essa mesma prioridade, tornando-a, por conseguinte, num problema urgente. Enquanto se perdia tempo em procurar respostas para um problema “ urgente” as coisas estratégicas iam ficando pelo caminho.
A terceira hipótese é a que a governação é feita de forma muito fechada, assente em pressões locais que, frequentemente, entram em contradição com os interesses mais globais. Somando todas as hipóteses ficamos com um exercício político em que, para além de serem maioritariamente de pendor cosmético, não favorecem à emergência de soluções inovadoras. Acredito, no entanto, que isto é um problema que aflige muitas sociedades mas que no caso português essa navegação têm consequências mais graves e importa, em conjunturas de crise, semelhante à que estamos a viver, concretizar um pensamento estratégico para o País. Reparem que esta ausência de pensamento estratégico é assumida por vários actores que têm ou já tiveram grandes responsabilidades políticas (ex: Marques Mendes no seu recente livro).
O diagnóstico é aplicável para a nossa realidade regional. Os Açores têm um conjunto de desafios pela frente em que se exige um pensamento estratégico e de antecipação, já que em situação de uma crise aguda são as regiões mais frágeis e de menos recursos que pagam facturas mais elevadas. O desenvolvimento sustentado e minimamente equilibrado entre as várias ilhas, a desertificação das ilhas mais pequenas e de menor atractividade, o ângulo correcto de desenvolvimento do turismo, a diminuição da pobreza, a rentabilização do papel geoestratégico dos Açores, constituem alguns dos assuntos que impõem um pensamento estratégico, transversal e inovador.
segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Angola
Os parlamentares
quarta-feira, 12 de Novembro de 2008
quinta-feira, 6 de Novembro de 2008
Um dia histórico e apaixonante
A eleição de Barack Obama tem muitos significados e um deles é que abre, definitivamente, uma nova página da História dos Estados Unidos e do Mundo. Esta eleição contrariou todas as probabilidades sociais, de um miúdo filho de um preto do Quénia e de uma branca dos Estados Unidos, conseguir chegar à Presidência da nação mais poderosa do mundo. Só mesmo nos EUA, cuja liderança mundial não se mede somente pelo pioneirismo e capacidade económica, mas, também, pela inovação e mudança social, como é o caso desta eleição. Na Europa, tenho as minhas dúvidas que isso pudesse acontecer, pelo menos, nos tempos mais próximos. Será que França, por exemplo, elegeria para Presidente, um descendente Marroquino ou a Alemanha um cidadão com raízes turcas? Será que Portugal elegeria um Presidente preto? Uma rápida visão pela Assembleia da República, e ficaríamos com pistas interessantes relativas a esta questão.A propósito, o açoriano José Ferreira Medeiros, tem uma opinião bastante esclarecedora.Aliás, BO no discurso de ontem, não deixou passar a questão do racismo e a capacidade de mudança nos EUA quando disse que: "Se há pessoas que ainda têm dúvidas de que a América é o lugar onde as coisas são possíveis, que ainda acreditam que os sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questionam o poder da nossa democracia, esta noite é a sua resposta. O mérito do Obama tem ainda, na minha opinião, uma outra base de explicação; Durante o percurso que o levou à Casa Branca não proferiu o discurso de vitimização, estratégia que era seguida por muitos potenciais candidatos negros. Aliás, na altura em que a candidatura do Obama começou a ganhar alguma consistência, era considerado pela comunidade negra dos Estados Unidos como demasiado branco e, simultaneamente, pela comunidade branca, como não suficientemente branco. A tentação do discurso de vitimização, com riscos reais de fazer o efeito de ricochete de discriminação, é muito grande, sendo que esta apaixonante vitória veio confirmar, no entanto, que não é por aí que as mudanças são concretizadas. Não é com um discurso de choramingas que se faz a mudança. Obama conseguiu fazer uma campanha em que o tema do branco/preto não foi determinante. Aliás, na convenção nacional do Partido Democrata, em 2004, declarou em discurso “Não há um EUA branco e outro negro, e sim os Estados Unidos da América”.
Na altura, muitos de nós, duvidamos não da capacidade do Obama chegar a vencer esta corrida, mas da capacidade do povo americano em ultrapassar a barreira do preconceito. A resposta foi dada, com uma corrida sem precedentes na História do Estados Unidos nos últimos cem anos e uma vitória de que não deixa ninguém indiferente. Uma outra leitura que poderá nos servir para a realidade nacional e regional é a apatia das pessoas em relação à participação política. Esta vitória tem essa dimensão, ou seja, quando as pessoas se revêem na mensagem a participação acontece. Agora é hora de trabalhar e concretizar a tal mudança. Ninguém está à espera que Barack Obama mude o mundo. Mas não podemos esquecer que quem faz as mudanças não são extraterrestres, são homens, somos nós.
http://www.ponteinsular.blogspot.com/
quarta-feira, 5 de Novembro de 2008
domingo, 2 de Novembro de 2008
sábado, 1 de Novembro de 2008
A apatia dos açorianos
domingo, 19 de Outubro de 2008
Ainda existem pobres??
A apatia do eleitorado açoriano
segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
Os árabes não são cidadãos honestos e nem são bons chefes de Família?
Percebe-se a ideia do McCain mas…aliás, para mim os republicanos enceneram tudo isso para que o McCain ficasse bem na fotografia.
domingo, 12 de Outubro de 2008
Gran Canyon
O Grand Canyon Skywalk é a principal atracção do Grand Canyon. Não aconselhável para quem tem medo das alturas. A Cris foi a realizadora do filme.
sábado, 11 de Outubro de 2008
Campanha Política nos Açores: Déjà Vu?

Não quero com isto dizer que não é importante discutir mais e melhor acesso à saúde para as pessoas, melhor educação ou mais rendimentos para as empresas e famílias, transportes mais eficientes e menos dispendiosos para o cidadão. São propostas expectáveis e penso que uma das causas que têm determinado o afastamento das pessoas da vida política é essa excessiva previsibilidade das propostas e, paradoxalmente, o desacreditar das pessoas que, ainda assim, os políticos não conseguem cumprir as tais propostas expectáveis. Precisamos de inovar as respostas para os problemas que, na sua aparência são imutáveis mas que nas suas causas e consequências se alteram permanentemente. Por isso, é importante saber o que é queremos que essas ilhas sejam a médio e a longo prazo e, consequentemente, do caminho que temos de fazer para lá chegar. Para além de ter esta noção bem presente é preciso saber passar esta mensagem de mudança e de visão estratégica. O futuro não pode e, nem deve, esgotar-se nos próximos quatro anos e parece-me que toda a lógica da campanha eleitoral baseia-se, de forma excessiva, em questões que não são estruturais.
Apesar dos Açores estarem a atravessar uma fase inquestionavelmente positiva e estimulante a vários níveis, com consequência, da integração no espaço europeu mas obviamente, da governação nos últimos anos, ainda persistem algumas debilidades estruturais que não resolvidas, podem comprometer o desenvolvimento que todos nós almejamos.
Para além de estarmos perante um mercado muito pequeno o desenvolvimento verificado nos Açores é extremamente desigual entre as nove ilhas. A actividade económica está concentrada, essencialmente, nas ilhas de São Miguel e Terceira (cerca de 4/5 concentra-se nas duas ilhas). As perspectivas de redução de números de jovens nos próximos vinte anos são reais, sendo que são nas ilhas mais pequenas que as consequências são mais preocupantes. Mas, também, e apesar da melhoria do nível de escolaridade dos açorianos, a maior percentagem dos activos na região têm níveis de escolaridade igual ou inferior ao 3º ciclo. Os dois primeiros dados servem-nos como alerta de que precisamos de respostas inovadoras para, por um lado, minimizar o efeito da desertificação humana e da pouca atractividade que algumas ilhas apresentam e, por outro, sem prejudicar as ilhas com maior potencialidades encontrar equilíbrios entre no conjunto do arquipélago.
É claro que reconheço que essas respostas não são fáceis de serem encontradas mas não debater o problema da desertificação e do envelhecimento populacional de algumas ilhas é um erro. O desenvolvimento só é possível com pessoas; podemos ter a região mais fantástica do mundo mas sem as pessoas não vamos a lado nenhum.
Por isso, e voltando às propostas expectáveis, é relevante que nesta campanha sejam discutidas e apresentadas propostas que vão para além do óbvio e que encarnam um visão estratégica dos Açores. Mas isso não é um problema dos exclusivo dos Açores.
sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
Os Açores perderam um verdadeiro soldado das causas ambientais
A Rádio Atlântida publicou a propósito do TN2020
terça-feira, 7 de Outubro de 2008
Participação Portuguesa do Projecto TN2020
Belfast e Dublin acolheram de 28 de Setembro a 04 de Outubro a Cimeira Inaugural do projecto Transatlantic Network 2020, uma iniciativa do British Council que visa aproximar a nova geração de formadores de opinião e líderes globais e criar novas colaborações para desafios globais.
Representaram Portugal , João Meneses, gestor nas ONG Chapitô e TESE, Zakir Karim, presidente da juventude da Comunidade Islâmica de Lisboa e Paulo Mendes da AIPA
Para além de uma série de workshops, debates, palestras e exercícios criativos sob o tema “conflito e cooperação transatlânticos”, foi mais uma oportunidade para o reforço das relações entre a América do Norte e a Europa . Entre os oradores convidados encontraram-se a Presidente da Irlanda, Mary McAleese, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido David Miliband e Arianna Huffington, Editora-chefe e fundadora do blog político Huffington Post. Com base nas melhores práticas e ideias da cimeira, cada participante desenvolveu um plano de acção para implementação na sua comunidade.
Coisas de um outro planeta?

No entanto, a atitude do PNR é compreensível, pois constitui uma lógica primária de desviar a atenção, numa altura em um tipo de extrema direita foi condenado a quatro ano de prisão pelos crimes discriminação racial, coacção agravada, detenção de arma ilegal, ameaça, dano e ofensa à integridade física qualificada.
Uma decisão histórica e exemplar que só dignifica a sociedade portuguesa.
segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
A culpa é sempre do outro
sábado, 27 de Setembro de 2008
TN2020 A caminho da Irlanda
quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
Mais um triste contributo...
Vale a pena, a propósito da actual crise financeira internacional, reflectir sobre essa frase
Acrescento: Os lucros são para alguns e quando os prejuízos batem à porta todos pagam. Quer dizer todos não. Pagam sempre os mais fracos. Será que é um sistema justo?
sexta-feira, 19 de Setembro de 2008
Mário casa com Mário. Maria casa com Maria. Qual é o problema
terça-feira, 16 de Setembro de 2008
Bodes expiatórios para o problema da criminalidade

sábado, 13 de Setembro de 2008
O Presidente da República está com medo do aprofundamento da Autonomia?

sábado, 6 de Setembro de 2008
O populismo de Paulo Portas

Face às declarações feitas pelo Líder do CDS-PP, Paulo Portas, no passado dia 04 de Setembro, aquando da sua visita à Ilha da Terceira, em que, a propósito do aumento da criminalidade em Portugal, defendeu o repatriamento dos imigrantes que comentam qualquer acto ilícito em Portugal, deixando no ar a ideia de que o aumento da criminalidade que o país está a assistir nos últimos tempos é da responsabilidade dos imigrantes, a Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA) vem tornar pública a seguinte posição:
A Associação dos Imigrantes nos Açores, considera as palavras e as propostas dos Partido Popular, terrivelmente demagógicas, perigosas e assentes numa perspectiva populista tanto no entendimento como no diálogo com o país, em relação a um problema que dever ser encarado com total seriedade;
Associar a criminalidade e o seu aumento à presença de imigrantes, é um discurso muito fácil e de rápida aceitação para a maioria das pessoas. Basta que um imigrante cometa um crime para se afirmar que os imigrantes são os principais responsáveis para o aumento da criminalidade. As afirmações do Líder do CDS-PP estão ancoradas ainda, numa visão estereotipada dos imigrantes e numa tentativa de encontrar bodes expiatórios para um problema que carece de medidas estruturais e não de palavras vagas desprovidas de qualquer sentido.
Não há nenhum dado ou estudo que nos diz que a presença dos imigrantes é um factor de aumento da criminalidade. Aliás, pelo contrário, os estudos feitos nesta matéria concluem que os imigrantes apresentam uma menor propensão para a prática criminal do que os portugueses.
Mais importante do que procurar bodes expiatórios, devemos ter em perspectiva que a criminalidade é um problema que nos interpela a todos nós como cidadãos comprometidos na construção de um país mais desenvolvido, equilibrado social e economicamente e com autêntica paz social. Por isso, devemos e, em particular, os responsáveis políticos, concretizar esforços sérios para travar o problema da criminalidade que resulta, não tenhamos dúvidas, do modelo desenvolvimento económico e social implementado.
De qualquer modo, a proposta do Presidente do CDS-PP, em relação ao repatriamento dos imigrantes que tenham cometido crime em Portugal, não veio trazer de novo e demonstra um total desconhecimento do actual quadro legal que regula a entrada e permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território Nacional (Lei nº 23/2007 de 04 de Junho) que não permite, por exemplo, a concessão ou renovação da autorização de residência aos cidadãos estrangeiros que tenham sido condenados em pena ou penas, que isolada ou cumulativamente, ultrapassem 1 ano de prisão (alínea d, nº 1 do artº 78º)
Por último, gostaríamos de dizer que o Presidente do CDS-PP, escolheu o local errado para proferir tais palavras e por duas razões: A primeira é que nos Açores, os imigrantes estão a integrar-se de forma muito positiva e, tais afirmações serão interpretadas pelas pessoas como um sinal ainda de maior populismo e demagogia. Segundo, os Açores representam, dentro do contexto nacional, a região em que o repatriamento de portugueses do Canadá e Estados Unidos assume dramas humanos absolutamente cruéis, sendo que o local ideal para abordagem do problema é onde os crimes são cometidos.
sexta-feira, 5 de Setembro de 2008
Kits de Verão.

Isso a propósito da queixa feita pelo CDU em relação à distribuição do KIT Autonómico pelos lares da Região, alegando à utilização indevida dos símbolos da região, numa altura em que estamos a menos de dois meses das eleições regionais, proporcionando alguma confusão entre as iniciativas governamentais e partidárias.
Devo dizer que é importante qualquer esforço na tentativa de dar a conhecer às pessoas os símbolos da região, fomentado aqui o reforço da identidade açoriana e do espírito autonómico, sendo que as instituições públicas têm, neste aspecto, um papel importante.
O actual governo regional teve e terá (caso vença as próximas eleições) muito tempo para dar a conhecer à população os símbolos da autonomia açoriana. Era escusado tê-lo feito nesta altura, a menos de dois meses das eleições. Ficou numa posição de ser criticado legitimamente por alguns partidos. Não havia necessidade. Já agora, pergunto onde posso ir buscar o meu Kit… Kit Autonómico (entenda-se).
domingo, 31 de Agosto de 2008
A Europa Fortaleza

sexta-feira, 29 de Agosto de 2008
A perigosa "relação" entre a imigração e criminalidade

No dia 27, n Jornal da Noite da SIC e peça começa assim: uma estação de serviço foi assaltada por três indíviduos da raça negra, ou seja, três pretos. Lamentável que a comunicação insista em em fazer reportagens, potencialmente, racistas e discriminatórias.
quinta-feira, 28 de Agosto de 2008
A medalha intercultural do Nelson Évora

quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
Os fantasmas dos lusófonos

Para além das alterações dos protagonistas (excepção do presidente angolano e guineense, infelizmente) vale a pena questionar, passados estes 12 anos após a constituição formal da CPLP, sobre o papel que a organização tem vindo a desempenhar, numa altura em que Guiné-bissau passou a assumir o secretariado executivo da Comunidade depois de o cargo ter sido ocupado por Cabo Verde, através do Embaixador Luís Fonseca que foi condecorado pelo presidente português com a Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique.
Apesar do esforço que acredito que alguns dirigentes têm vindo a desenvolver, o facto é que a CPLP continua a ser uma organização com elevado grau de inoperância e de pouca penetração e a apropriação das pessoas que têm em comum a língua portuguesa.
Esta minha opinião resulta não tanto das pessoas que dirigem a organização, mas sim de problemas estruturais que, não resolvidos, irão agudizar-se no futuro, fazendo com que a comunidade seja um mero espaço de conversas inconsequentes entre os chefes de estados e os seus ministros, em torno da língua comum.
Penso que um dos problemas de fundo da comunidade lusófona é o facto de colocarem na mesma mesa o colonizador e os colonizados. Não que isto seja, necessariamente, um problema. O complicado são ainda os tais recalcamentos e graus elevados de complexo do passado colonial que constituem autênticos obstáculos a um diálogo sério e, sobretudo, consequente, em torno do projecto lusófono. Os portugueses levam a coisa com cuidado para que as suas intenções não sejam interpretadas de forma errada; os países africanos (uns mais que outros) sentam-se à mesa já desconfiados e prontos a interpretarem tudo e mais alguma coisa sob o prisma do passado colonial.
Claro que o colonialismo é algo absolutamente condenável na sua própria definição, sendo necessário um esforço colectivo no sentido ultrapassarmos os traumas do passado colonial e encarar as coisas com um outro olhar. Um exemplo acabado do fantasma colonial é a reserva e o desconforto relativamente à utilização do termo "lusofonia" por parte de alguns os países.
O segundo problema da CPLP são os seus próprios membros, partindo de um pressuposto básico de que a qualidade do colectivo dependerá de cada uma das partes. Portugal andou muito tempo distraído com a sua integração na União Europeia, relegando para planos completamente secundários outros espaços de integração, como é o caso da CPLP. O Brasil leva a CPLP de forma muito desconstruída e não empenha o necessário esforço compatível com a sua dimensão. No quadro africano, a situação é ainda mais complicada. Dou um exemplo: Angola, apesar da capacidade financeira e, por causa disso, é o país que vivencia de forma mais profunda os complexos do passado colonial. Foi estranha, por exemplo, a ausência do presidente angolano na última cimeira que decorreu há poucos dias em Lisboa. Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe não conseguem resolver os seus problemas domésticos básicos. Fico por aqui.
Um terceiro problema é a não apropriação da CPLP por parte da sociedade civil. A cimeira que foi realizada agora em Lisboa passou, por exemplo, completamente despercebida. Está na gaveta, há já algum tempo, o estatuto do cidadão lusófono, tendo uma das vantagens a livre circulação dos cidadãos lusófonos. Por razões de compromissos dos Estados Membros com outras integrações em espaços regionais, o estatuto do cidadão lusófono dificilmente conhecerá a luz do dia.
Aqui na região, salvo uma iniciativa que é desenvolvida pela Câmara Municipal da Lagoa e da Ribeira Grande, nunca vi nada a acontecer em torno da lusofonia e prevalece um desconhecimento total sobre a CPLP.
E assim vamos em torno da nossa comunidade.
terça-feira, 5 de Agosto de 2008
sexta-feira, 1 de Agosto de 2008
Funcionária da Junta de Freguesia de Benfica acusa presidente de racismo, autarca nega
Lisboa, 29 Jul (Lusa) - Uma funcionária da Junta de Freguesia de Benfica acusa o presidente de racismo e de proibir conversas em crioulo nas instalações, mas o autarca alega que se trata de "especulação política" e admite instaurar um processo disciplinar por difamação.ugal
O meu comentário: Portugal é um país plural e desde que falar a língua materna não está a interferir com o normal desenrolar no trabalho não vejo, sinceramente, qual é o problema. A pluralidade tem que ser vivida e este Presidente de Junta merece reformar.
quinta-feira, 31 de Julho de 2008
Obamamania
Se a eleição do próximo presidente dos Estados Unidos acontecesse hoje e dependesse do resto do mundo Barack Obama, seria o eleito para ocupar o gabinete oval da Casa Branca. Esta ideia assenta numa sondagem feita em alguns países (europeus) em que 52% dos inquiridos votariam no candidato democrata para a presidência. Confesso, também, que navego totalmente nesta onda da Obamamania e que se votasse no outro lado do atlântico, o meu voto iria para ele. Pelo discurso de esperança e, sobretudo, pela força das suas ideias de mudança, junto a minha voz de apoio a este homem que cresceu num meio potencialmente intercultural (filho de pai, negro natural do Quénia e de mãe branca dos Estados Unidos) mas que muito cedo viveu as amarguras de pertencer a uma minoria. De negro, preto, de cor e, finalmente afro-americano, Barack Obama experimentou, diria que inevitavelmente, todas esses apelidos que, faz confusão tanto aos pretos como os próprios brancos.
O percurso do Barack Obama e toda a expectativa que está a ser criada em torno da sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos assenta, claramente, nas suas qualidades de liderança, de comunicação e, essencialmente, de ter uma ideia ou, se quisermos ainda, uma utopia para os norte americanos e, em última instância, para o próprio mundo.
A questão do Obama ser preto, negro ou afro-americano é secundária, e, simultaneamente, importante, dependo do ponto de vista de análise. O que as pessoas querem é um líder capaz, competente e com uma visão clara sobre o caminho que deverá ser percorrido. Visto as coisas desta forma e porque o Obama reúne estas qualidades, a cor da pele ou uma outra qualquer característica física não tem importância nenhuma. No entanto, temos de ver o mundo como ele é e não será concerteza, pelo facto de se ter um negro com fortes possibilidades de vir a ser o Presidente da potência mundial que o problema da discriminação racial fica resolvido, assim, de repente. Todavia, a candidatura do Obama à Presidência dos Estados Unidos, constitui, inquestionavelmente, uma revolução cultural, como o próprio Mário Soares, defendeu, na semana passada, no âmbito do Fórum Roosevelt que decorreu em Ponta Delgada nos Açores
Como já o disse em outras ocasiões, ainda carregamos o fardo de um passado terrivelmente trágico nas questões raciais. O mais recente, foi o Apartheid em África do Sul que vigorou até finais 1990. Portanto, foi ainda há 18 anos que o mundo sabia da existência de um país em que havia escolas para brancos e para pretos; autocarros para os mais claros e para os mais escuros; os pretos não podiam votar, com base na crença da inferioridade de uma pessoa em função da cor da pele.
No próprio Estados Unidos, há pouco mais de 40 anos que se pós termo a segregação racial e desde então o país tem lutado para que o problema racial fosse, efectivamente, resolvido.
Muitos acham que Barack Obama é mais um e que a única diferença é que ele tem em relação aos outros democratas é a cor da pele e que o seu projecto de mudança é muito vago. Acho que não e, assumindo os riscos próprios de quem não conhece a realidade concreta dos Estados Unidos, acredito que a forma como ele apresenta para gerir os problemas, a sua visão sobre o tema do Iraque e a própria noção do papel que os Estados Unidos devem ter no mundo, asseguram esta mudança.
Porém, há um perigo real que está relacionado com o facto de se depositar muitas expectativas sobre o Obama na resolução dos problemas domésticos dos Estados Unidos e do mundo. A sua exposição mediática está a ser explorada pelo seu adversário republicano, que está a fazer um anúncio comparando o Obama a celebridades como Britney Spears e Paris Hilton que são muitos populares que não sabem administrar nada.
Sozinho, seguramente, que ele não consegue resolver todos os problemas e nem é expectável que assim acontecesse. O que me motiva e, julgo, também, os norte-americanos que o apoia, é que o Barack Obama personifica alguma mudança; espero que este vento de mudança sopre para outras latitudes.
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domingo, 20 de Julho de 2008
TN2020
Os problemas que temos à nossa frente não são ficção e nem devem ser falados só por uma questão de cliché. Os efeitos das alterações climáticas são reais. Na recente cimeira do G8 realizada no Japão, saiu um acordo para a redução em 50% das emissões de carbono para a atmosfera até 2050. A China, Brasil, Índia, México, Índia e África do Sul defendem metas de 25% a 40%, com o argumento de que os países mais industrializados devem assumir a liderança na redução de emissão de gases, possibilitando maior espaço de manobra às economias emergentes. O argumento é compreensível mas muito discutível. No entanto, são esses interesses, muitas vezes antagónicos, que constituem obstáculos na resolução dos nossos problemas colectivos. Também não é novidade para ninguém que o mercado petrolífero mundial está a ficar cada dia que passa mais insuportável economicamente. A produção do crude, defendem os especialistas, está a chegar a um pico e no final da próxima década haverá um colapso com consequências imprevisíveis.
As migrações forçadas, resultantes da pobreza extrema em que uma parte da população mundial vive e da instabilidade politica, está a colocar em causa, todos os dias, o conceito de fronteira e a capacidade dos Estados em controlarem os fluxos migratórios. A única forma que os Estado têm de lidar seriamente com os fluxos migratórios irregulares é promoverem condições de vida dignas a um maior número de pessoas. Privilegiar os meios repressivos para a resolução dos fluxos irregulares é contraproducente e os políticos sabem isso muito bem. Porém, querem é passar para a opinião pública a ideia de que os Estados conseguem regular os fluxos migratórios. Nada mais falso. A Europa e os Estados Unidos têm um papel cada vez mais central na procura de melhores soluções para alguns dos desafios atrás referidos e para que possamos construir uma ponte sólida é fundamental que se conheça, pelo menos, as duas margens, sob pena de ela ruir a qualquer momento. Sob vários domínios, a Europa e os Estados Unidos são actores da primeira linha no mundo, mas prevalece uma falta de conhecimento e de compreensão mútua dos continentes, não obstante a vontade existente no estreitamento das relações, conclusões que foram retiradas de um estudo encomendado pelo Bristish Council com o propósito de avaliar o grau de relacionamento entre os europeus e norte-americanos e as percepções e imagens existentes entre ambos. A partir deste estudo, realizado na UK, EUA, França, Alemanha, Polónia, Turquia, Irlanda, Canada e Espanha, ficamos a saber que prevalecem estereótipos entre os dois lados do atlântico e a avaliação da cooperação entre os Americanos e os Europeus na busca de soluções para as questões globais é negativa. A título de exemplo, nas alterações climáticas 58% dos inquiridos avaliaram negativamente o actual estado da cooperação e 53% para as questões migratórias. Indo ao encontro do que seria expectável, o relacionamento comercial foi a única área que mereceu uma avaliação positiva.
I Fórum Açoriano Franklin Roosevelt
A nota positiva vai o Presidente do Governo Regional que, fez uma excelente discurso abertura. A nota negativa vai para a pouca afluência do público ao Fórum que pela qualidade dos oradores era expectável uma boa audiência.
terça-feira, 15 de Julho de 2008
Condecorações em massa
No entanto, o risco que se corre nessas “ondas” de condecorações é sua banalização; tentar agradar os gregos e os troianos, colocando em causa a essência de uma distinção que, por definição, deveria ser um selo que distingue uns de outros, pela positiva, naturalmente.
Algumas associações e personalidades que irão ser condecoradas pelo Presidente Cabo-verdiana merecem inquestionavelmente essa mesma distinção. Outras que estão na lista são, pelo menos, discutíveis.
Como esta condecoração é feita quase que em massa, perde-se o brilho e ficamos a pensar “ qualquer um pode ser condecorado”. Não deveria ser assim, até porque algumas dessas pessoas e associações merecem muito mais que uma condecoração.
quarta-feira, 9 de Julho de 2008
A criminalização dos indocumentados
Na Ilha de Terceira, viveu por mais de 60 anos um senhor que todos os conheciam por “Cabo Verde”. Chegou à ilha, por acaso, num acto de indescritível coragem mas, também, revelador na mesma proporção da crueldade dos seres humanos, pelo menos, de alguns. O senhor “Cabo Verde acompanhado de mais um amigo, viajaram de forma clandestina, num navio grego, que saiu do Porto do Mindelo, em Cabo Verde, com destino à Europa. Estávamos ainda em plena segunda guerra mundial. Durante a viagem, a tripulação encontrou-os escondidos no porão do navio. Sem qualquer misericórdia e um completa ausência de estima pela vida humana, o capitão ordenou que mandasse os dois cabo-verdianos para a borda fora. O barco estava a passar relativamente perto da das ilhas açorianas. O amigo de “ Cabo Verde”, apesar de esforços não conseguiu resistir no alto mar. “ Cabo Verde”, já completamente cansado e o corpo e a não responder a vontade de continuar vivo. De repente, “ Cabo Verde, avistou uma pequena luz e pensou que fosse a morte a chama-lo. A medida que nadava a luz aumentava de brilho. A aproximação da luz deu-lhe força e continuou a encurtar a distância, quando percebeu que a luz era um candeeiro de uma pessoa que estava a pescar, durante a noite, na costa norte da Ilha da Terceira. Assim que se aproximou, o tal pescador deu-lhe as mãos, puxando-lhe para cima das pedras que dividiam o oceano da terra.
O Sr. “Cabo Verde”, nunca mais voltou à ilha do Porto Grande. Casou e constitui família por aqui, deixando descendentes que criaram entre a cultura açoriana a cabo-verdiana. O Sr. “Cabo Verde morreu há pouco mais de dois anos, na mesma ilha que lhe deu e a esperança e que lhe acolheu por mais de 50 anos.
São muitos que não têm a mesma sorte que Sr. “Cabo Verde”; são incontáveis as pessoas que tentam desesperadamente melhores condições de vida, arriscando, inclusive o que têm de mais precioso: a própria vida.
O facto que acabei de relatar não é, infelizmente, ficção e, hoje, esses dramas humanos continuam a ocorrer todos os dias e, muitos dos quais, terminam da pior forma possível.
Como é do conhecimento público, o Parlamento Europeu aprovou, há poucos dias, uma Directiva que, em termos gerais, criminalizar os imigrantes indocumentados no solo europeu. A Directiva da Vergonha pretende, depois de deixar que muitos homens e mulheres contribuam na construção das estradas europeias e que vendam a sua força de trabalho para sectores que muitos desprezam, os expulses e com uma elevada probabilidade de ficarem detidas até 18 meses.
O Presidente Sarkosy disse, poucos dias antes do início da presidência francesa da União Europeia e a propósito do tema da imigração que “ A França, ou a Europa, não vão aceitar toda a miséria do mundo”. A frase até soa bem, mas está repleta de hipocricia.
terça-feira, 24 de Junho de 2008
A Directiva da Vergonha

Foi aprovada, ontem, no Parlamento Europeu, a Directiva do Retorno que representa um autêntico retrocesso no quadro de uma política realista e adaptada aos nossos dias que seria aconselhável ser implementada nos espaços de acolhimento dos fluxos migratórios, em particular, na Europa. Essa directiva assente numa visão difusa, errada e preconceituosa em torno das migrações, desfocando de forma primária da questão essencial. A preocupação essencial aqui é, por um lado, potenciar uma verdadeira política de integração e, por outro, gerir de forma equilibrada os fluxos migratórios.
Todos nós estamos de acordo que é preciso um combate sério em relação à imigração irregular, sendo necessário o desenvolvimento de acções e medidas concretas no sentido de potenciar que os fluxos migratórios se concretizam dentro da regularidade. A opinião pública, por sua vez, tem uma visão completamente distorcida das migrações, sendo que as ideias e respostas ponderadas e realistas estão cada vez mais ausentes do debate. Mas, também, é uma verdade que a aprovação desta directiva assente numa perspectiva ideológica anti-imigração que, gradualmente, vem ganhando terreno nesta Europa que se quer construir em sólidos princípios de defesa dos Direitos Humanos. Por outro lado, a visibilidade que se empresta à imigração irregular (como é o caso desta directiva), reforça a percepção de que a maior parte dos imigrantes são indocumentados ou que os fluxos migratórios ocorrem de forma não autorizada.
O problema não está neste diagnóstico, ou seja, que é preciso retirar o controlo dos fluxos migratórios das mãos das redes organizadas e de autênticos traficantes de pessoas. O problema radica nas opções que são apresentadas para atingir esse fim.
Mas, antes de entrar nos factos concretos que suportam esta directiva de vergonha, vale a pena definir os indocumentados: Num grupo mais alargado, temos pessoas que, na sua maioria, entram num outro país com vistos de curta duração e prolongam a sua estadia, excedendo o período de permanência. Num outro grupo, temos pessoas que entram no mercado de trabalho sem terem uma autorização administrativa para o efeito. Por isso, quando estamos a falar de cidadãos “ilegais”, estamos a falar de pessoas que o único crime que cometeram foi fugir à pobreza e procurar melhores condições de vida num outro território, não tendo para o efeito uma autorização administrativa. Quem ouve e vê alguns comportamentos e medidas, ficamos com a convicção que se está a falar de autênticos criminosos.
Mas vamos por factos concretos: Primeiro, a directiva fixa em dezoito meses o período máximo de detenção de imigrantes indocumentados, antes da sua deportação. Como um primeiro passo, fixa um máximo de seis meses, que pode ser prolongado por mais doze meses no caso de falta de “cooperação” dos países de origem dos migrantes. É verdade que os Estados Membros são autorizados a manter um período de prisão inferior a dezoito meses, mas a directiva fará com que tendam a alinhar-se com a duração máxima prevista pelo acordo. É inaceitável que as pessoas que, pelo facto de não terem uma simples autorização administrativa, sejam tratadas como criminosas. A directa prevê ainda que a partida de um imigrante indocumentado, suavemente chamada de “remoção”, tenha lugar numa base “voluntária” mas que este, no caso de resistência, poderá ser forçado ou obrigado a sair, sendo depois proibida a sua entrada no território da EU, durante cinco anos. Até as crianças podem ser detidas, mesmo que por um período “tão breve” quanto possível.
Por isso, estou com receio que iremos assistir nos próximos temos uma autêntica caça aos cidadãos indocumentados na Europa, forjando um caminho mais fácil e violadora dos princípios básicos.
quinta-feira, 12 de Junho de 2008
Os equívocos do Presidente com o Dia da Raça

Durante as comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades, o Presidente da República, em resposta às perguntas dos jornalistas sobre a greve dos camionistas, falou em Dia da Raça, que era o nome que antes do 25 de Abril se dava ao actual Dia de Portugal, hoje.
Para já, não espero que o Presidente faça sempre afirmações correctas ou que estas devam sempre merecer a nossa concordância. Lá está, nós, os Homens, falhamos e os que exercem cargos públicos têm também os seus momentos de erros e fraquezas e ainda bem que é assim. No entanto, é expectável que quando as pessoas afirmam coisas que não fazem sentido nenhum, sobretudo, quando se exerce um cargo como o do Presidente da República , pelo menos admita o lapso e assunto morre aí e ponto final. Na época em que vivemos, em que há um esforço, em muitos quadrantes da sociedade portuguesa, em construir um novo nós em Portugal assente na diversidade, o mais alto representante do país utiliza o termo “ Raça” num momento completamente despropositado. Pessoalmente e apesar de um esforço de compreensão não percebi, sinceramente, o significado e a razão pela qual o Presidente cometeu tal erro.
De qualquer forma, o que não é correcto é fingir que nada aconteceu e entendo que o PCP e o Bloco de Esquerda estiveram muito bem, ao solicitarem uma explicação do Presidente da República. O PS não disse nada (não se compreende) e à direita já podemos, no entanto, entender a não reacção.
Como o Presidente resolveu ficar em silêncio, vamos lá é avançar as nossas hipóteses. A primeira, quero sinceramente acreditar nisso, é que foi um lapso de memória do Presidente que ainda vive os rescaldos do passado recente português. Se for esta a hipótese, a coisa fica resolvida com a admissão do lapso.
A segunda hipótese é que o Presidente acredita mesmo na Raça. Antes de mais, como o leitor saberá o termo raça já não se usa no meio académico e pensava eu, também, no político. Para além de, cientificamente, o termo “Raça”, não fazer sentido, a difusão do racismo esteve sempre ligado a ideia de raças, relação de superioridade etc. Mas Portugal, é o país europeu que se registou de forma mais intensa o cruzamento de “raças”. Por isso, nem falo da realidade da sociedade portuguesa actual que, inquestionavelmente, está sendo construída nesta diversidade cultural, assente na presença de mais quinhentos mil estrangeiros.
A afirmação do Presidente da República não faz igualmente sentido pelo passado de Portugal. A este propósito, vale a pena ler um livro de um investigador brasileiro, José Ramos Tinhorão, “ Os negros em Portugal: uma presença silenciosa” em que faz uma extraordinária investigação histórica sobre a miscigenação portuguesa, nomeadamente a presença em 1550 em Lisboa de cerca de dez mil negros, representando na altura pouca mais de dez por cento da população. A pergunta que se impõe: para onde foram estes negros? Não foram para lado algum. Misturaram-se, na altura, com os portugueses brancos.
Levando a segunda hipótese ao extremo, ou seja, da existência da Raça, o Presidente poderia dizer no lugar de “Raça”, “Raças”, tendo em conta que não existem somente brancos, negros etc, em Portugal.
Que o Presidente incentive e apele ao reforço da identidade portuguesa, do envolvimento da diáspora no desenvolvimento do país, faz todo o sentido e é desejável que isso aconteça.
Existem, por aí, muitas pontas soltas em relação a estes assuntos de raça, racismo, xenofobia e algumas atitudes segregacionistas. Por isso, a recuperação da expressão “ raça” por parte do Presidente é grave e absolutamente lamentável. As palavras têm o peso que têm e a força de quem as pronuncia, mesmo que não intencionalmente.
segunda-feira, 9 de Junho de 2008
As eleições em Cabo Verde...comentários
Acho que a primeira nota prende-se com o nível da abstenção que foi relativamente baixo (na ordem dos 19,76%), em comparação, por exemplo com a situação em Portugal e, em particular, dos Açores. Aliás, tem sido hábito, nos vários momentos eleitorais, uma participação muito intensa da população cabo-verdiana o que poderá ser explicada, em parte, pelo facto de Cabo Verde ter uma democracia muito jovem (a partir de 1991). Mas é, também, uma prova inequívoca do funcionamento e da vitalidade do próprio sistema democrático em que a participação e a liberdade no exercício desta mesma participação constituem indicadores privilegiados.
A segunda nota e, ao contrário das expectativas é a derrota do PAICV nestas eleições, tendo em conta que perdeu os três maiores concelhos do país, nomeadamente Praia, Santa Catarina e S. Vicente. Nessa última, cidade conhecida pelo seu famoso porto e a segunda maior do país, a previsibilidade do vencedor era muito difícil, face aos candidatos que concorrem à presidência daquele município. O PAICV apoiou Onésimo Silveira, antigo presidente daquela autarquia, ex-embaixador em Portugal e indivíduo com grande capital político. Foi o segundo mais votado (30,76%). A surpresa maior em S. Vicente foi o facto de Gualberto do Rosário, antigo primeiro-ministro e apoiado pelo MPD, ter conseguido apenas 2,96%, ficando em última posição no conjunto dos quatro candidatos. Isaura de Carvalho, reafirmou a sua liderança em S. Vicente com 46,02% dos votos.
Na cidade da Praia as coisas foram mais complicadas. Felisberto Vieira, há dois mandados à frente dos destinos da capital e suportado pelo PAICV, perdeu por apenas 559 votos (1,17%) a favor de Ulisses Correia, antigo ministro das Finanças do governo do MPD. O facto é que a derrota do Felisberto Vieira não era de todo previsível e mesmo o MPD estava, na altura da escolha dos candidatos. com muitas dificuldades em encontrar uma pessoa que conseguisse, pelo menos, um bom resultado e que preparasse o partido para os futuros embates eleitorais.
Excesso de confiança do Felisberto Vieira, uma classe média em ascensão e que está a acrescentar um peso cada vez mais considerável no conjunto dos eleitores flutuantes que tende a orientar o seu sentido de voto desprendido dos partidos políticos, são algumas das razões explicativas da derrota do Felisberto Vieira na cidade da Praia.
Em termos gerais, o PAICV ficou com 10 câmaras, menos uma que o MPD. Apesar desta ligeira diferença estatística, pelo facto do PAICV ter perdido sobretudo, a capital, tem uma interpretação e um custo político elevado. De qualquer modo, as eleições legislativas só acontecerão em 2011 e, até lá, muitas coisas poderão acontecer. Todavia, a forma como correu estas eleições confirmam uma vivência recomendável da democracia cabo-verdiana.









