quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Bairro do Mocambo (dos pretos) em Lisboa

Estive a assistir hoje de manhã a um interessante colóquio internacional "Representações de África e dos Africanos na História e Cultura - Séculos XV e XXI, na Universidade dos Açores e promovido pelo Centro de História de Além-Mar. Entre muitas coisas interessantes e, até certo ponto, provocadoras ditas pela Prof. Isabel Castro Henriques, destaco essa: a existência, em 1593, em Lisboa, do bairro do Mocambo ( hoje Lapa). Era um bairro de pretos e localizado na periferia de Lisboa. Comprova a meu ver a presença relativamente silenciosa dos pretos, africanos ou negros ( como quiserem) em Portugal que urge um olhar mais atento e partilhado.

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Os muros invisíveis da intolerância

O nosso processo civilizacional tem dado provas de que quando existe efectivamente vontade somos capazes de derrubar muros e de construir coisas em que todos os homens e mulheres deste planeta sentem orgulhos. É verdade, também, o outro lado da questão, ou seja, que quando existe má fé e mediante a apatia de alguns, somos capazes de barbaridades que põem em causa e, de forma primária, a nossa racionalidade. A queda do muro de Berlim, foi o somatório de vontades e o extraordinário é que uma única data determinou um novo contexto e ordem mundial. Hoje, não temos o muro de Berlim mas temos outros que exigem a nossa garra para os eliminar. O muro da intolerância e da discriminação. Ocorre-me o assunto que está na ordem do dia que é o reconhecimento de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Espero vivamente que o PS não caia na tentação de andar às voltas com o tema. Houve um compromisso claro com os eleitores nesta matéria e o parlamento tem toda a legitimidade para resolver o assunto e estaríamos a empurrar o assunto com a barriga caso se opte pelo referendo. Espanha, que fica aqui ao lado (muitas vezes parece que não é vizinha de Portugal) já resolveu a questão e Portugal anda ainda a discutir o sexo dos anjos. As pessoas vivem como se sentem feliz e o Estado não tem o direito de discriminar em função da orientação sexual dos seus membros. Existem ainda outros muros cuja luta é igualmente difícil. Falo dos movimentos de pessoas. Todo nós passamos a vida a falar da importância da imigração, da interculturalidade e de temas afins. Temos, por exemplo, na Europa, um crescimento mais ou menos silencioso de partidos de extrema-direita em que qualquer coisa que aconteça de mau é culpa dos imigrantes. Tenho a clara noção de que imigração põem em causa, inevitavelmente, o conceito de Estado Nação (da forma como o conhecemos) ou a ideia de uma cultura homogénea. O problema é fazer o difícil e necessário equilíbrio e se não formos capazes de gerir de forma inteligente as migrações estaremos a construir e reforçar os muros de intolerância.

Entrevista na Rádio Atlântida

Foi um conversa muito interessante em que tive oportunidade de tocar em muitos pontos. No entanto, destacava a questão da imigração e o relacionamento entre Cabo Verde e os Açores. Pode ouvir a entrevista aqui.

domingo, 22 de Novembro de 2009

Mayumana em Ponta Delgada


Garanto que vale a pena. Estava muito indeciso e, lá resolvi seguir aquele instinto que nós dá em cima da hora. Quando cheguei à bilheteria, soube que o preço dos bilhetes era de 30,00 euros. Fiquei na dúvida uma vez mais. Depois de alguma hesitação no momento dar os meus 30 euros, lá resolvi. Foi fantástico e garanto que foi o melhor um dos melhores que já vi em Ponta Delgada. Dinâmico, humorado e com artistas excepcionais.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Angola

O título do artigo foi “ roubado” da música de “Angola, Angola” que é interpretada de forma soberba pela Cesária Évora mas que vem a propósito dos 34 anos de Independência de Angola que se comemoram hoje. As comemorações valem o que valem, mas têm pelo menos uma utilidade, que é colocar na agenda mediática um determinado tema. Por força do dinamismo da sua economia, Angola tem servido para muitas pessoas (inclusive portugueses) como um autêntico balão de oxigénio. Neste momento, vivem em Portugal perto de 28 mil angolanos (sem contar com os portadores de nacionalidade portuguesa), sendo que no caso inverso estaremos a falar de 200 mil portugueses residentes em Angola, ou seja, o número de portugueses residentes em Angola é 7 vezes maior do que o de angolanos que vivem em Portugal. No quadro africano Angola constitui, hoje, uma referência obrigatória devido, essencialmente, à pujança económica. No entanto, nem tudo são rosas quando pintamos o quadro angolano. O primeiro desafio é o da consolidação do regime democrático. Depois de um período sangrento, o país vai experimentando a democracia, sendo certo que a vivência democrática é muito mais do que ir votar: é ter uma imprensa livre e imparcial, possibilidade real de escolha e de alternância, equilíbrio de poderes, etc. Não podemos esquecer que José Eduardo dos Santos está há 27 anos no poder e muito do caminho que o país poderá vir a percorrer dependerá da sua própria visão, ou não, sobre o que é o exercício do poder. O segundo desafio é do desenvolvimento económico sustentável. Apesar do notável crescimento angolano (em 2007 foi o país que mais cresceu no mundo – perto de 35%) muitos analistas defendem que é muito importante a diversificação da economia angolana que, até ao momento, depende sobretudo do sector petrolífero (petróleo e gás representam perto de 50% do PIB angolano). A par da sustentabilidade económica emerge a sempre difícil e necessária questão da redistribuição da riqueza. É senso comum afirmar que quanto mais pobre é um país maior é o fosso entre ricos e pobres, sendo que a paz social em Angola está dependente da criação de condições que assegurem que as mais-valias geradas pelo petróleo possam atingir o maior número possível de angolanos. Angola tem, actualmente, 17 milhões de habitantes e no índice das Nações Unidas (2008) o país está na 143ª posição, num conjunto de 182 países, lugar esse que entra em contradição com as suas potencialidades.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Dengue em Cabo Verde

Cabo Verde está a travar nas últimas semanas uma luta contra a epidemia da dengue. O Primeiro Ministro cabo-verdiano, JMV, está de repouso e, ao que tudo indica com sintomas da doença. Mais de 12 mil pessoas estão infectadas e 6 pessoas já morreram.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Jantar à luz de velas

Carlos César jantou hoje com os Presidentes de Câmara do PSD, depois de ter feito o mesmo com os do PS. Berta Cabral não apareceu e quis enviar um representante que Carlos César não aceitou. A iniciativa do Carlos César é positiva. Estragou, no entanto, "a festa" ao dividir o jantar com base na cor partidária dos autarcas. Significa na prática que existe efectivamente câmaras rosas e laranjas. Como o Presidente terá de agradar aos Presidentes do PSD, presumo que a ementa da noite do PSD mais requintada. Especulação!!!

sábado, 31 de Outubro de 2009

Sons e Sabores das ilhas crioulas


quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

As perversidades das quotas

As quotas por definições funcionam mal e potenciam com uma facilidade incrível efeitos não desejados e completamente contrário aos previstos. As quotas das mulheres na política, por exemplo, tendem em muitos casos a obedecer a critérios meramente legais, relegando para planos secundários a competência, factor que deveria presidir a qualquer escolha para o exercício de um cargo político. Apesar das diferenças, no campo das migrações, as quotas geram igualmente efeitos perversos, ou seja, aquilo que seria expectável para gerar os fluxos migratórios regulares funciona como um claro incentivo à imigração irregular. Houve com o governo do PS avanços significativos no campo legislativo, criando e reforçando direitos para os imigrantes, convergindo com um princípio claro que é contribuir para a valorização e integração dos imigrantes da sociedade portuguesa. No entanto, nem tudo está a correr bem e o aspecto mais saliente é a gestão dos fluxos migratórios. A maior parte dos imigrantes, não obstante entrar legalmente em Portugal (com vistos de curta duração – “turista”) e ultrapassando os três meses (em média), não conseguem obter um título de permanência e/ou começam a trabalhar de forma irregular. É sempre complicado avançar um número, mas o universo de imigrantes indocumentados estará entre os 7 a 10%, tanto no contexto nacional como regional.
No actual quadro legal, o governo substituiu as quotas por contingentação, estando aqui perante um mero exercício de cosmética, já que a substância não foi alterada. Essa contingentação é aprovada anualmente pelo Governo e alicerça-se nas oportunidades de emprego presumivelmente não preenchidas por cidadãos nacionais ou provenientes de algum Estado Membro da União Europeia. Ao contrário do que sucedia na anterior lei, as regiões autónomas passaram a ter quotas autónomas. Os números vieram confirmar o que já era previsível, ou seja, foram insignificantes os imigrantes que entraram através da contingentação. Independentemente da questão da crise económica que condicionou os movimentos migratórios para a Europa, o facto é que o sistema de contingentação não funciona e a partir do momento em que a Região apresenta uma quota regional está a validar uma má opção política. É sabido que a Região não tem poder nesta matéria e não me parece que o mais relevante seja a abolição da quota regional, até porque a manter a contingentação nacional pouco valerá na prática essa opção regional. Agora não tenho dúvidas de que poderíamos ter ido mais além e a autonomia deve saber experimentar coisas e interferir de forma positiva para a alteração de más políticas a nível nacional.

Interculturalidade explicada aos mais novos




A “Interculturalidade explicada aos mais novos” é o tema da conferência que a AIPA irá promover no dia 30 de Outubro, nas Escolas Secundárias das Laranjeiras e Antero de Quental, as 10h15 e 14h30, respectivamente. As duas conferências serão ministradas pela artista cabo-verdiana Celina Pereira. Ps. O cartaz está com um erro .. A interculturalidade está mal escrita.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Os possíveis para o Director Regional da Cultura

Com a saída da bonita e competente Directora Regional da Cultura para o governo do Sócrates, aproveito para fazer um exercício de pura especulação sobre o nome da pessoa que irá ocupar o cargo. As minhas especulações por ordem preferencial:
Jorge Paulus Bruno - Actual Director do Museu de Angra de Heroísmo
Padre Duarte Melo - Actual Director do Museu Carlos Machado
Alexandre Pascoal - Deputado do PS na ALR

sábado, 24 de Outubro de 2009

Quero uma casa, senão faço greve de fome



A greve de fome feita pelo deputado corvino Paulo Estêvão dominou a imprensa regional na última semana, com direito a algumas referências na imprensa nacional (algumas até com fotografia).
Depois de um jejum de 61 horas, o chefe do executivo açoriano, com medo de que o Paulo Estêvão viesse a tombar, acedeu a instalar a dita delegação na mais pequena ilha. De facto, não é por aí que a reivindicação teve acolhimento até porque não descobri nenhum português que tenha morrido por causa de uma greve de fome. Aliás, se fosse assim, Portugal já teria perdido muitos cidadãos devido à inanição. Há bem pouco, foram os depositantes do BPN que disseram que iam entrar em greve de fome, caso não lhe fossem pagos os seus depósitos, foi um senhor que queria reabrir um processo num tribunal, enfim existem muitos episódios. A base de uma greve de fome tem a ver, essencialmente, com a possibilidade de aparecer na televisão e, por consequência, dar a visibilidade a uma reivindicação e condicionar a respectiva decisão.
Por isso é que a greve do deputado Paulo Estêvão foi absolutamente excêntrica e a resposta do Governo veio agravar essa excentricidade. Em primeiro lugar, se o Estatuto Político-Administrativo dos Açores diz que Parlamento Regional deve ter delegações em todas as ilhas, não se compreende a razão pela qual isso foi não resolvido há muito tempo, tendo em conta que o Corvo é a única ilha que não quem a dita delegação. Não me parece que seria por razões financeiras e mesmo que fosse, ter mais ilhas custa e como estamos sempre a reivindicar essa perspectiva em relação ao continente, fica-nos muito mal que internamente estejamos a discriminar as ilhas mais pequenas. Se não, e como alguns iluminados já defenderam, seria mais rentável fechar o Corvo.
Segundo, custa-me ver que um deputado regional que está em melhores condições de pressionar para alterar o estado de coisas tenha de recorrer à greve de fome para conseguir alguma coisa. Quem faz isso é na pior das hipóteses um cidadão comum que não é, geralmente, ouvido. Das duas, uma: ou o sistema democrático não está a funcionar convenientemente (no mínimo) ou Paulo Estêvão não tem importância nenhuma no parlamento açoriano. O leitor escolha a resposta. Já agora, preciso de um apartamento e, se não mo derem, entro para a semana em greve de fome. É melhor deixar a greve de fome para coisas mais sérias e pelo andar da carruagem é bem possível que venhamos a precisar dela

sábado, 17 de Outubro de 2009

Maitê...fodix

Vou ser muito curto. O que Maitê fez fere a alma lusitana. O humor é outra coisa. Cá para mim a resposta deveria ser esta: boicotar as novelas brasileiras que têm como protagonista a Maitê Proença, pelo menos duranta 5 anos. Não fazer isso e ir na conversa que a bisavô era portuguesa, que gosta de Portugal bla, bla, blá, é dar razão ao video dela.

O passivo do Obama

Irei deixar a minha visão sobre as últimas eleições autárquicas na Região que nos trouxe resultados muitos interessantes para serem analisados. Hoje, falarei da recente atribuição ao Barack Obama do Nobel da Paz que constitui igualmente uma surpresa para muitos, despertando sentimentos antagónicos em muitas partes deste nosso mundo. Muitos dos que criticam a atribuição do Prémio Nobel ao Presidente dos Estados Unidos, fazem-no com base em razões exclusivamente políticas e passam ao lado do potencial e da nova abordagem que Barack Obama trouxe ao mundo.
Entendo a distinção dessa natureza sob duas perspectivas: a primeira pelo percurso de um indivíduo em que é analisado resultados concretos das suas acções; a segunda alicerça-se sobre o potencial do galardoado em que é necessário incentivar para que a mudança seja suportada no futuro por factos e acções concretas. Fiquei absolutamente empolgado com a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Barack Obama e estou convencido que ele saberá aproveitar essa distinção para elevar ainda com mais força essa nova esperança.
Os críticos murmuram que ele ainda não fez nada a não ser promessas, isto apesar do recorde de votos favorável que a nomeação de Barack Obama teve (205).
Nos poucos meses da sua presidência, Barack Obama está a devolver à ONU o seu papel central ao contrário da marginalização que a anterior administração a remeteu. A política é feita de princípios e estamos a viver, graças a nova visão de Barack Obama, uma época estimulante apesar dos problemas terríveis que temos pela frente: a pobreza, as alterações climáticas, a ploriferação de armas nucleares, etc. Ninguém é ingénuo ao ponto de pensar que Obama sozinho mudará o mundo. Claro que não. No entanto, estou seguro que com o espírito de cooperação, do diálogo e do exercício permanente da diplomacia internacional, o mundo em que hoje vivemos tem fortes hipóteses de conseguir resolver com sucesso alguns desses problemas. Ele sozinho não resolve, mas pode estimular. O Prémio Nobel quis justamente transmitir isso, e não tenho dúvidas também, que Barack Obama ficou com uma divida perante o mundo. Estou certo que ele saberá transformar essa divida em lucro para o bem de todos nós

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Cabo Verde mais pobre culturalmente

Não poderia de deixar de registar a morte, na semana passada, de Manuel d’Novas, um dos mais talentosos compositores cabo-verdianos. Como sei que muitos açorianos gostam do Ildo Lobo, fica essa nota, pois os maiores sucessos do Lobo foram escritos por Manuel d’Novas. Alguns dias o nosso país, também, perdeu um dos grandes vultos da literatura - Mário Fonseca- Presto aqui os meus agradecimentos por tudo aquilo que representaram e que continuarão a representar na afirmação da cultura das ilhas atlânticas crioulas.

As contemporaneidades

Se em algumas situações a disputa entre o Governo Regional e a Câmara Municipal de Ponta Delgada, ou melhor ainda, entre Carlos César (CC) e Berta Cabral (BC), acarreta benefícios para a população, outras são reveladoras de claro prejuízo.
Um exemplo deste ganho é a existência de duas excelentes salas de espectáculos (Teatro e Coliseu Micaelense) que vieram trazer novo impulso cultural à cidade e todos nós agradecemos. Hoje, a oferta cultural de Ponta Delgada é perfeitamente comparável a qualquer cidade do continente.
No outro dia, enquanto Berta Cabral inaugurava um lar para idosos, Carlos César anunciava no mesmo a construção de um lar no Concelho de Ponta Delgada. Claro que os nossos idosos saem a ganhar com a existência de mais e melhores resposta e espaços para os acolher. Todavia, não seria descabido pensarmos em políticas alternativas para a terceira idade e que fogem ao encaixotamento. Tenho a noção da política de lares muito mais fácil, mas porque não aproveitar a relativa pequenez do nosso espaço e a proximidade que existe entre a população para potenciar abordagens inovadoras no apoio aos idosos?
O novo despique entre CC e BC tem a ver com as coisas contemporâneas. CC anunciou, no outro dia, que o Concelho da Ribeira Grande irá receber o Centro da Arte da Contemporânea e BC disse, por sua vez, que iria construir um Museu de Arte Contemporânea na Avenida do Mar que será projectado pelo arquitecto brasileiro Óscar Niemeyer. Para já, ganha BC que anunciou o nome de um arquitecto famoso, isto apesar dos seus 101 anos e uma saúde muito débil. Não é novidade para ninguém que somos meia dúzia de almas na Região e que o Concelho de Ponta Delgada dista pouco mais de vinte quilómetros da Ribeira Grande. Por isso, é legitimo perguntar se não seria mais benéfico para a Região um projecto único da arte contemporânea em vez de dois? No caso de avançarem os dois projectos, fica a pergunta: onde é que CC e BC irão buscar as contemporaneidades para os seus respectivos espaços?

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Cabo Verde ocupa 2º lugar em 53 países africanos, segundo mais recente avaliação de Governação Africana


Mais uma boa notícia para Cabo Verde e um claro estímulo para a continuação de uma boa governação. No entanto, não podemos dormir à sombra da bananeira ( o risco é real). Até porque é relativamente fácil ter um bom ranking no campo da boa governação no continente africano.

domingo, 4 de Outubro de 2009

Os cabo-verdianos em São Tomé

Hoje, o Presidente da Plataforma nas ONG de Cabo Verde, veio colocar juntar a sua voz no sentido de se encontrar uma solução para os milhares de cabo-verdianos residentes em São Tomé e Príncipe e que vivem na mais absoluta pobreza. Em 2001, tive a oportunidade de conhecer de perto esta situação dramática e, por isso, sei perfeitamente do que é que está em causa. No entanto, o que mais aflige é a ausência de solução para esse problema que é do conhecimento dos Governos de Cabo Verde, São Tomé e Portugal. Muitos dos cabo-verdianos que vivem em São Tomé, trabalharam nas roças no tempo colonial. Sem querer entrar em pormenores, para mim a solução passa por atribuir um subsídio mensal ( reforma) a esses trabalhadores com a envolvência financeira dos três países que tiveram a responsabilidade de forma directa na exploração das roças ( Cabo Verde, São Tomé e Portugal).
Claro que a situação dos cabo-verdianos no arquipélago do equador é reflexo dos problema sociais e económicos do país e atinge de forma transversal toda a popualção. De qualquer modo, parece-me que a pobreza atinge de forma muito mais dura a comunidade cabo-verdiana em São Tomé.

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

A ressaca das eleições


O PS estava à rasca nestas eleições mas lá conseguiu a maioria relativa, o que não deixa de ser uma vitória para o líder socialista, depois de ter perdido as eleições europeias e de ter gerado grandes contestações junto de diversas organizações e corporações. José Sócrates era um homem aliviado e compreensivelmente satisfeito no domingo. Não se pode esquecer que o PSD estava altamente motivado com a vitória das europeias e que o BE estava sempre à espreita dos deslizes do PS para a direita. Em termos de resultados absolutos a nível regional e se compararmos as eleições de 2005 e 2009, o PS perde 10732 votos, o PSD ganha mais 2662 eleitores, o BE mais 4322, o PCP mais 518 e o CDS quase que triplica a sua votação (mais 6192 votos). No entanto, se tivermos em linha de conta a comparação das eleições legislativas com as últimas regionais, o PS perde 7036 votos, o PSD ganha mais de 6902, o BE 4011, a CDU 755 e o PP mais 1966 votos. Há duas evidências: se compararmos as eleições regionais com as últimas legislativas o número de votos com que o PSD ganha é praticamente igual ao que o PS perde, sendo plausível a teoria de transferência de votos dos eleitores ditos flutuantes entre os dois partidos; por outro, e tendo em conta que a perda de votos por parte do PS é mais significativa entre as duas eleições legislativas, parece-me que os eleitores fazem cada vez mais a distinção do tipo de eleições que está em causa e que o PS vem perdendo de forma gradual o número de votantes. Resta saber as razões. Apesar de ter uma estrutura partidária muito débil na região o BE tem recebido cada vez mais votos dos açorianos ( a líder regional é deputada regional, foi candidata à Assembleia da República como cabeça de lista pelos Açores e já está a fazer campanha para Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande). Parte do voto do BE foi tirada ao PS, sobretudo, nos centros urbanos sendo igualmente aceitável a teoria de captação de votos dos que votam pela primeira vez. Por isso, independentemente do conteúdo de intervenção do BE o facto é que tem constituído uma ameaça para o PS e claro para a CDU.A grande incógnita continua a ser o CDS-PP que praticamente triplicou a sua votação nos Açores e a liderança do Artur Lima é insuficiente para explicar isso. O PCP aumentou efectivamente a sua votação mas é o que teve um crescimento mais ténue. Por último, devo dizer que não fica bem que a nossa região seja vista como a campeã da abstenção. Algo de errado está a acontecer.

sábado, 26 de Setembro de 2009

Política de imigração em Cabo Verde

Todos nós já sabemos que Cabo Verde é um país fundamentalmente de emigração. Mais de um milhão de cabo-verdianos vivem na fora. Aliás, continuamos a sair todos os dias. No entanto, o governo de Cabo Verde irá expulsar 11 imigrantes senegaleses a viverem ilegalmente nas ilhas. Cabo Verde está a comportar-se como um país que não tem emigrantes e é urgente uma política de integração dos imigrantes em Cabo Verde.

Percebi bem??

Só tive oportunidade de ver, por breves minutos, o debate que aconteceu ontem na RTP-Açores com todas os partidos concorrentes às eleições no próximo domingo. Nos pouco minutos que assisti, o cabeça de lista do CDS-PP para o círculo dos Açores, António Rodrigues, disse qualquer coisa do tipo:
“Na anterior legislatura as pessoas votaram no PS convencidas que iriam ter políticas de esquerda e na prática governaram à direita; desta vez para terem políticas de esquerda é melhorem votarem na direita, ou seja, no CDS-PP”
Percebi bem???…. Se a direita vencer as eleições iremos ter um governo de esquerda e ao contrário também será verdade.
Será que ouvi bem...?

O Mundo Aqui

Pode ver aqui o spot do programa da AIPA " O Mundo Aqui"

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Vote, mesmo em branco




O título do meu artigo poderia ser perfeitamente um apelo ao voto étnico, mas não é, pelo menos para já. Caso fosse candidato, seria uma coisa do tipo “ não vote em branco”. Num registo mais sério, o título do meu artigo surge como um apelo profundo à participação cívica e a responsabilidade que todos nós temos na construção dos nossos destinos colectivos. Os senhores deputados e senhoras deputadas, mesmo não parecendo, vão condicionar a vida de todos nós nos próximos quatros anos e, por isso, não ir votar é a pior coisa que pode fazer. Se não se revê em nenhum dos partidos ou nas suas propostas vote em branco. Simplesmente é o melhor protesto que se pode fazer e não se iluda em relação a isso.
Quase todos os partidos, influenciados pelo sucesso do Obama, tentaram “obamizar” as campanhas políticas, sendo que a presença nas redes sociais é o aspectos mais visível dessa nova forma de fazer política. Agora como o conteúdo das mensagens não se alterou, fica tudo ou quase tudo na mesma. Por isso, os resultados no próximo domingo não terão infelizmente nenhuma ligação com a “obamização” da política, até porque os candidatos não trazem nenhuma esperança em relação à nova forma de fazer política, tanto nos seus protagonistas como nas mensagens.
De qualquer modo, a convicção da necessidade de participação política através do voto faz mais sentido de atendermos que, hoje, em Portugal, uma parcela importante do que é hoje esse país (mais de 5%) simplesmente não tem direito nesse processo de construção colectivo. Refiro-me em concreto aos imigrantes que na sua larga maioria não tem direito ao voto. Quem tem esse direito convêm não desperdiça-lo. Dentro do programa eleitoral, apenas duas forças partidárias se comprometem a estender, por exemplo, o direito de voto aos imigrantes nas eleições locais. Um deles é o MEP Movimento Esperança Portugal (que tem tido uma dinâmica muito interessante) e o outro é o PCP. O PS diz que irá aprofundar a participação cívica dos imigrantes mas não se compromete com uma opção clara. O PSD também assume uma visão positiva mas vaga em termos de acções concretas para potenciar a integração dos imigrantes e não diz nenhuma palavra sobre a participação política. O CDS reafirma, no seu programa eleitoral uma visão perfeitamente errada e altamente securitária da imigração.

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

A agenda da diáspora açoriana

Não é novidade para ninguém que a História recente da Região tem uma ligação fortíssima com o processo da emigração de milhares de açorianos para diferentes partes do mundo. Hoje, e ainda bem, os Açores deixaram de ser região de partida, o que significa que as pessoas vivem aqui inquestionavelmente muito melhor, colocando de lado a hipótese de concretizarem um projecto migratório de forma desesperada, como a única forma para garantir, em alguns casos, a sobrevivência do próprio e da sua família. Face a essa partida de açorianos para outras latitudes, os Açores têm hoje o que podemos chamar a décima ilha açoriana constituída por emigrantes açorianos e seus descendentes, que vivem e assumem a açorianidade de forma intensa e particularmente emotiva. Por isso vale a pena apostar, ainda de forma mais enérgica, no trabalho junto das comunidades açorianas, construindo e reforçando pontes e tentando usar todos os meios possíveis para aproveitar as potencialidades que essa décima ilha pode representar no processo de desenvolvimento dos Açores, mas também na afirmação de identidade açoriana no mundo. Não obstante os progressos alcançados, os Açores ainda têm problemas estruturais, sendo que o nível educacional muito baixo da sua população é, na minha perspectiva, o mais preocupante, e não tenhamos dúvidas de que a educação está a jogar, hoje, mais do que nunca, um papel decisivo num mundo cada vez mais global em que estamos em permanente competição e comparação com outras regiões e países e todas as ferramentas são úteis para ter uma posição relevante no mundo. No entanto, trabalhar junto dos descendentes de açorianos na diáspora, se por um lado assume maiores potencialidades (decorrentes de maiores níveis de escolaridade, melhores posicionamentos sociais etc.) constitui, por outro, um trabalho assente na paciência e numa visão de longo prazo. Um trabalho de paciência porque estamos a falar de uma população que não tem uma ligação tão intensa, pelo menos em comparação com os pais e não podemos esperar resultados imediatos; uma visão a longo prazo porque estamos perante um conjunto de pessoas com diferentes competências e que bem aproveitadas podem ser uma mais-valia para a Região e para o país. Isto para dizer que os Açores estão no momento em excelentes condições para tirarem partido da sua diáspora enquanto instrumento de afirmação dos Açores e de Portugal no mundo.

domingo, 6 de Setembro de 2009

Imigrante indocumento ganha 166 mil dolares...

Um imigrante da Eritreia na Suécia ganhou no concurso da raspadinha mais de 166 mil dólares. Quando o felizardo apareceu publicamente para receber o seu prémio as autoridades suecas perceberam que o imigrante estava no país em situação irregular.
Quiseram deporta-lo para o seu país de origem mas a Eritreia não o quis aceitar.
Moral da história: Um cidadão indocumentado não pode jogar raspadinhas ou mesmo o euromilhões… por isso que digo que um cidadão indocumentado simplesmente não existe, excepto para trabalhar.

sábado, 5 de Setembro de 2009

A ilusão dos famosos


Os partidos políticos gostam de aproveitar da "malta famosa" para ir buscar mais uns votos. Na generalidade das vezes não funciona e até ajudam para descrebilizar.O Sócrates convidou a Carolina Patrocínio para sua mandatária da Juventude e o PS Seixal seguiu o exemplo e convidaram mais um produto da televisão. Todos ouviram o que a jovem carolina disse ""Só como cerejas quando a minha empregada tira os caroços por mim" Concerteza que dá muito mais trabalho tentar descobrir mandatários junto da malta invisível mas eles estão por aí.

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

As paranóias de ser cabo-verdiano ou não?


Carta aberta ao
Exmo Senhor
Director Geral dos Desportos
Cabo Verde


Como é, seguramente, do seu conhecimento o desporto tem a capacidade de aproximar os povos e potenciar o conhecimento mútuo. Como também deve saber, o nosso país tem apostado, nos últimos anos, numa aproximação aos arquipélagos que compõe o espaço da Macaronésia, no sentido de potencializar as afinidades existentes entre esses espaços e favorecer um relacionamento mais próximo com a Europa.

Como também é do seu conhecimento, o nosso país foi convidado a participar no Campeonato de Fotografia Subaquática da Macaronésia que está a ter lugar desde o dia 29 de Agosto na Região Autónoma dos Açores onde, para além da vertente desportiva está subjacente a ideia da aproximação entre a Madeira, Canárias, Açores e Cabo Verde. O evento é organizado pelo Clube Naval de Ponta Delgada e a Associação dos Amigos do Mergulho e tiveram, excepcionalmente, a gentileza de suportar todos os custos inerentes à participação de Cabo Verde na prova.

Apesar da pouca expressividade da fotografia subaquática em Cabo Verde, enquanto actividade desportiva, foi possível encontrar um mergulhador disponível para vir representar Cabo Verde no referido evento. A pessoa a que me refiro chama-se Alain Hurtebize, nasceu em França mas já reside há mais de 20 anos em Cabo Verde para além da esposa ser cabo-verdiana.

Chegou ao meu conhecimento que o Senhor Director teve a miserável ideia de dizer que o Alain Hurtebize não pode representar o nosso país porque não é natural de Cabo Verde.

Permita-me o desabafo para lhe dizer que a sua atitude para além de andar muito perto de uma visão xenófoba ela contraria a nossa própria história enquanto país fortemente ancorado no fenómeno das migrações.
Sinto igualmente vergonha e, como eu, tenho a convicção que a maioria dos cabo-verdianos (dentro de fora) que uma pessoa com responsabilidades governativas tenha a coragem de dizer a um indivíduo que nasceu noutro sítio qualquer mas que já vive há mais de duas décadas em Cabo Verde não poder representar o nosso país

Fica esta nota como um contributo para um olhar mais atento sobre essas questões e que face à nossa história da emigração temos responsabilidades acrescidas na forma como recebemos e tratamos os que nasceram noutras paragens mas que estão entre nós para a construção de um Cabo Verde mais desenvolvido.

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

A farsa da CPLP?

Portugal e mais 7 países têm uma organização que se chama CPLP. Unidos por um património linguístico e histórico, os membros tentam usar essa organização para o fortalecimento das relações de cooperação entre eles, bem como pela própria dinamização e a promoção da língua portuguesa. Pessoalmente, acredito no projecto da CPLP, apesar de ter a clara noção que, alguns projectos que são essenciais para devolver a comunidade às pessoas e fazer com que sintam que existe um verdadeiro espaço lusófono, ficam sempre na gaveta ora por falta de visão política a longo prazo, ora por políticas que contrariam o próprio sentido da comunidade. Daria dois exemplos: O estatuto do cidadão lusófono, ou seja, a possibilidade de livre circulação dentro do espaço da CPLP, nunca saiu do papel e tenho a absoluta convicção de que sem esse passo, a comunidade lusófona continuará a ser muito pobre e em permanente agonia. Sei que, face à integração de muitos países integrantes da CPLP em organizações regionais, como é o caso de Portugal, no âmbito da União Europeia, o Brasil, no Mercosul, dificulta a assunção deste projecto ambicioso mas fundamental para a afirmação da CPLP. No âmbito dos projectos eleitorais, quase todos os partidos convergem na necessidade do reforço da CPLP enquanto quadro privilegiado das relações externas de Portugal. No entanto, todos são omissos (com excepção do PS) em relação ao projecto do cidadão lusófono. Mesmo o PS, não se comprometeu com a criação da figura do cidadão lusófono; diz apenas que irá diligenciar neste sentido. Isso para dizer que, Portugal ao não prestar a devida atenção ao seu relacionamento com os países falantes da língua portuguesa, comete um erro estratégico, até porque, mesmo com argumentos meramente económicos, essa aposta seria inteligente. Perante a crise económica que estamos atravessar, alguns países que estão num acelerado processo de crescimento de desenvolvimento (Angola é um exemplo) tem constituído autênticos balões de oxigénio para muitas empresas portuguesas. Um exemplo, de uma opção política que contraria o próprio espírito da lusofonia, prende-se com a actual Lei da Nacionalidade. Sendo certo que houve progressos assinaláveis neste domínio mas ao exigir, por exemplo, que um angolano ou brasileiro, no âmbito do processo de naturalização, façam provas para demonstrar que têm conhecimentos de língua portuguesa, é dizer que quem fala o português é mesmo só os portugueses de nascimento.

Rangel recomenda a leitura do Maquiavel




Nem queria acreditar o que eu ouvi no outro dia do antigo líder Parlamentar do PSD, Paulo Rangel. Basicamente que: " a política não tem nada a ver com a ética". Mais, ele recomendou, em especial, ao seu colega de Partido Marques Mendes, a leitura... do Princípe do Maquiavel. Isso está mesmo a acontecer?

domingo, 23 de Agosto de 2009

Os transportes nos Açores....é melhor falar com o Bambo

Todos nós estamos de acordo que a questão dos transportes aéreos e marítimos assume uma importância vital no processo de desenvolvimento dos Açores e na minimização dos efeitos negativos da dispersão territorial. A outra evidência é que a importância dos transportes marítimos e aéreos na vida dos açorianos é incompatível com discussões centradas em questões de pormenores e de luta excessivamente partidária. Julgo e, como eu, devem sentir milhares de açorianos que desconhecem por completo a estratégia que os Açores possuem em matéria de transportes aéreos e marítimos. Há questões tão simples que o cidadão comum coloca mas que nas trocas de “galhardeardes” políticos ficam por responder. Questões como: Porque é que as companhias Lowscost não voam para os Açores? Porque é que quando um açoriano quer viajar do Pico para Lisboa paga o mesmo preço do outro que sai de São Miguel? Qual é o valor da compensação financeira que a TAP e a SATA recebem por cada passageiro transportado? É possível, perante a existência de compensação financeira diminuir o preço das viagens? É mais rentável ter partidas para o continente centradas somente nas ilhas principais? Os partidos de oposição só falam nos preços exorbitantes que se pagam nas viagens (que é verdade) e o governo responde que nunca se viajou tão barato nos Açores (que também é verdade), perdendo o enfoque sobre a necessidade para a existência de uma discussão esclarecida e estratégica sobre o tema. Como o cidadão fica pouco esclarecido não seria uma má ideia fazer circular um desdobrável (muito simples) a explicar aos cidadãos sobre a política dos transportes que os Açores possuem actualmente e as alternativas, com os respectivos custos e benefícios. Virando os oceanos, de facto, a questão dos transportes marítimos não tem corrido nada bem e face os vários episódios, acho que valeria a pena que a tutela marcasse uma consulta com o Professor Bambo para afugentar os maus olhares. Num registo mais sério, entendo que existem problemas de fundo nos transportes marítimos em que o governo regional não é alheio e a primeira atitude a fazer é admitir que houve falhas estruturais que devem ser corrigidas, garantido um serviço marítimos de passageiro eficaz e que funcione normalmente.

O engraxador e a Clinton

O nome dele é Zé Preto mas no seu bilhete de identidade pode ler-se: José Maria dos Santos, residente em Ponta d’ Agua, um dos muitos bairros do arquipélago cabo-verdiano que está a receber a partir de hoje e até amanhã, pela primeira vez, na história do arquipélago a visita oficial de um alto dirigente dos Estados Unidos, como é o caso do Clinton, Hillary Clinton…entenda-se. Zé Preto é engraxador de profissão há mais de 40 anos. Acho que o Zé tem perto de 60 anos e é de conversa fácil e o homem tem opinião sobre tudo e mais alguma coisa. Se calhar é defeito de profissão. Com a sua caixa azul e dezenas de graxas de variadíssimas cores, Zé Preto tem o vício de jogar ao totoloto e foi por causa disso que nos tornamos amigos. Já lá vão mais de 15 anos. Quando eu ia para casa, depois das aulas, tinha de passar obrigatoriamente pelo centro da Praça e um dia ele viu-me passar e pediu-me que lhe ajudasse a preencher o boletim de jogo. O Zé Preto não sabe escrever. Ele só sinaliza, com as respectivas cruzes, os números e a minha tarefa é escreve-los num género de recibo que fica com o apostador, bem como o nome e a morada. O Zé Preto telefonou-me no outro dia e quando me apercebi que era ele fiquei muito preocupado, pois era a primeira vez que falava com ele, desde que estou fora de Cabo Verde, ou seja, há quase 12 anos. A razão é simples: Ele soube que este verão eu não ia a Cabo Verde passar férias e como precisa de graxas transparentes com alguma urgência, telefonou-me para perguntar se tinha forma de as fazer chegar. No meio desse telefonema relâmpago e altamente objectivo, perguntou-me se já sabia que a mulher do Bill Clinton estaria de visita a Cabo Verde. Nem me deu tempo para responder e antes de desligar com um “ nho fica dretu” confidenciou-me que acha essa visita muito importante para Cabo Verde. No entanto, a Hillary Clinton irá ficar somente na Ilha do Sal, depois de um périplo junto de 7 países africanos. Cabo Verde foi escolhido como reconhecimento pela forma como tem conduzido o desenvolvimento, aliado à vivência democrática. É sempre bom ter essa distinção. Mesmo que essa visita tenha outros objectivos, nomeadamente, o reabastecimento do avião, como alguma imprensa portuguesa tem referido.

A invisibilidade politica dos imigrantes em Portugal

Julgo que todos nós estamos cientes do caminho que a democracia percorreu e que permitiu o alargamento progressivo das pessoas com capacidade de elegerem e de serem eleitos, no entendimento de que todos os cidadãos têm o direito e o dever de participarem activamente na construção dos nossos destinos colectivos. Os imigrantes fazem hoje parte da sociedade portuguesa e com a sua força de trabalho têm prestado um valioso para o desenvolvimento do país e a compreensão do que é hoje Portugal, obriga-nos a ter e linha de conta a presença dos imigrantes (perto de meio milhão). A PERCIP (Plataforma das Estruturas Representativas das Comunidades de Imigrantes em Portugal) tem vindo a fazer um esforço no sentido de colocar na agenda, a questão da participação política dos imigrantes, ou seja, o direito de voto, enquanto uma dimensão vital na integração dos imigrantes, mas cujo défice e a invisibilidade que é remetida aos imigrantes a nível de participação política é preocupante. A partir de momento em que uma parte da população portuguesa não é representada, a partir do momento em que os imigrantes são remetidos para essa invisibilidade, estamos a minar os próprios alicerces do regime democrático onde todos devem co-responsabilizados, através do voto, na condução dos nossos destinos colectivos.
Face ao gigantesco défice que existe em torno desta mesma participação que é condiciona pelo próprio legal, da pouca sensibilidade e, por consequência, do fechamento da generalidades dos partidos políticos e, seguramente, à pouca motivação dos próprios imigrantes parecem-nos concorrer para a esta invisibilidade dos imigrantes na sociedade portuguesa que, actualmente, representam perto de 5% da população residente e 10% da população activa.

A inclusão política dos imigrantes é tão importante para a credibilidade do regime democrático ou mais que noutras esferas sociais e, por isso, consideramos que não podemos ter pessoas a trabalharem, a contribuírem ao lado dos portugueses para um Portugal mais desenvolvido e próspero e, simultaneamente, negarem-lhes um dos direitos cívicos básicos. Portugal está a balizar a participação política em torno de dois eixos: Por um lado, a partir da lógica da reciprocidade e que perante o novo actual quadro migratório português não faz sentido nenhum e Portugal não ganha absolutamente nada na manutenção da reciprocidade. Por outras palavras, esperar, por exemplo, que a Ucrânia reconheça a capacidade eleitoral passiva e activa dos cidadãos portugueses que aí vivem para que Portugal atribuir o direito de voto aos ucranianos é uma atitude completamente desajustada e contrária à nova realidade migratória em Portugal. Esta é uma questão de direitos individuais, de direitos de cidadania e não uma questão de diplomacia e dos negócios estrangeiros. O segundo eixo, é o confinar esta participação a apenas às eleições autárquicas e excluindo as eleições regionais, legislativa e presidenciais que, sendo importante, é insuficiente e pouco lógico já que o contexto regional e nacional e europeia condiciona a vida dos cidadãos. A nossa expectativa é que Portugal possa rever o actual quadro legal de participação política dos cidadãos estrangeiros em Portugal, pondo termo ao regime de reciprocidade e estender os direitos políticos aos imigrantes, é um desafio que se impõe, sob pena de minarmos o próprio conceito da democracia. Por isso, é que a política de integração dos imigrantes nos dias que correm, interpela os decisores políticos na construção de um novo conceito de cidadania em que o território não pode constituir um factor determinante na sua concepção.

sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Quem não Vota, Não Conta


quinta-feira, 16 de Julho de 2009


quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Os flagelados do vento de leste

Cabo Verde comemorou no passado dia 5 de Julho 34 anos de independência, e a propósito, vem-me à memória o percurso que os cabo-verdianos fizeram em pouco mais de 30 anos no sentido de fazerem de Cabo Verde um país capaz de olhar para o futuro com esperança. Mas nem sempre foi assim e o romance de Manuel Lopes (que viveu algum tempo na Ilha do Faial) retrata de forma particularmente bela, intensa mas, simultaneamente, dramática a agonia sobre a vida num arquipélago que, com as suas dez ilhas tentam contrair a presença humana. Nos momentos de euforia mas, também, da necessidade em repescar a esperança de quem vê a seca a atravessar a paisagem e de ver, angustiantemente, o céu azul e a procurar sem sucesso gotas de água para sobreviver, os Flagelados do Vento Leste ajuda-nos nessa empreitada; a empreitada de sobreviver e não deixar nunca, mas nunca morrer a esperança. É uma perspectiva subjectiva dos Flagelados do Vento Leste que retrata a sociedade e a Ilha de S. Vicente, vizinha de S. Antão e que a Cesária Évora a canta como “brasileirinho”. A Cesária Évora, ou simplesmente, “Cize” tem razão: S. Vicente, com as suas gentes que encaram o dia-a-dia de forma leve e descomprometida da vida alheia, uma ilha pequena mas com uma vivência urbana deliciosa de sentir e de viver dão sentido à expressão. Depois de 34 anos, podemos afirmar que Cabo Verde tem feito um percurso que nos orgulha a todos e sem fechar os olhos aos problemas que ainda precisam de ser resolvidos, existem razões para encarar o futuro com optimismo. Mas nem sempre foi assim, e Manuel Lopes (entretanto falecido) bem mereceria o Prémio Camões; entendeu muito bem e fez com que muitos, mesmo não sendo cabo-verdianos, entendessem o que é lutar contra uma natureza madrasta. A minha avó, nasceu na Ilha do Fogo. Por ter um Vulcão, ficou arraigado na crença popular que as mulheres e os homens da Ilha do Vulcão são como os vulcões, no pior e no melhor sentido. No Fogo, a água é, também, uma raridade. Lembro-me dela contar que andava mais 50 km à procura de 25 litros de água. Cabo Verde já não é o que era e o futuro depende dos Homens, mesmo com os tormentos dos ventos.

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Uma morte ressucistada


1. Michael Jackson marcou uma geração e foram tantas as vezes que dançámos ao som do “Trillher”. Estávamos em 1984, dois anos depois de Michael Jackson ter lançado o disco “Thriller” e a minha mãe encontrava-se, na altura, nos Estados Unidos a concretizar o que viria a ser uma breve experiência migratória. Lembro-me das sucessivas cartas que cheguei a enviar, implorando um casaco do Michael Jackson dos States. Depois de muita insistência, a minha mãe lá se deixou convencer e, numa das férias dela em Agosto, trouxe-me o tão desejado presente. O casaco era o tal que Michael Jackson utilizara no vídeo da música “beat it” e tinha muitos fechos. Com aquele caso, ninguém na escola podia comigo. Um amigo meu, colega de carteira na Escola Domingos Ramos, situada no plateau na Cidade da Praia, tinha pedido à sua mãe, que também estava emigrada algures na costa leste dos Estados Unidos, um casaco do Michael Jackson. O dele era preto e o meu vermelho e, claro, tinham o mesmo número de fechos. Acho que não havia dia em que não usava o tal casaco de fechos e o que era engraçado nisso tudo é que quantos mais fechos melhor. Como o leitor facilmente poderá deduzir, Cabo Verde não é um lugar em que o casaco seja mesmo necessário. Mas eu não me importava e, à semelhança do que acontecia com os meus amigos, o excitante era mesmo usar um igual ao de Michael Jackson. Com quase 30° graus, lá estava eu, todo suado mas com o meu casaco igual ao do Michael Jackson. Claro que o tal casaco entrou na moda e não havia miúdo na altura que não gostasse de ter um. A segunda recordação e que ao que tudo indica ainda passeia pelos subúrbios da Cidade da Praia, é a de um jovem que, na altura, imitava o Michael Jackson. Os óculos, o cabelo e, claro, a forma de dançar convergiam numa imitação quase perfeita do Michael Jackson. Acho que o homem era convidado ou fazia-se de convidado em todas as festas, baptizados e afins e o serviço era expectável, dançar o “Trillher”. Mas em simultâneo com essa onda de admiração pelo Michael Jackson, chegavam notícias que nos davam conta de que ele, Michael Jackson, queria ser branco. Claro que isso significou um terrível golpe no sentimento de admiração que todos tinham por ele. O problema não foi tanto querer ser branco, mas a negação de ser negro, preto ou de cor. Para um miúdo, isso é confuso, muito confuso mesmo. Se calhar, a razão do Michael Jackson era meramente estética e constituía um “vipe” à artista. Mas não podemos secundarizar o efeito negativo, mesmo que simbólico, que esse episódio teve. De qualquer modo, o artista Michael Jackson sobreviveu. E isso aconteceu porque o homem é de facto um artista que marcou de forma particular o panorama musical mundial. O resto do percurso é do conhecimento de todos. Depois de meio século por cá, Michael Jackson foi-se embora. Apesar desse desaparecimento prematuro, ele marcou uma época e marcará a forma de encararmos a música pop. Depois do anúncio oficial da morte dele, foi fácil perceber a dimensão artística do Michael Jackson. Aliás, a morte é um excelente barómetro de popularidade. É pena que o mais interessado no assunto já não consegue perceber isso. Por isso, é que as homenagens e o respeito em vida são importantes. Todavia, e porque o Michael Jackson já estava mais ou menos esquecido do grande público e a dimensão artística dele foi abafada com sucessivos e tristes episódios pessoais, a sua morte veio relembrar a todos que o Michael Jackson é um artista ímpar.

sábado, 27 de Junho de 2009

Guiné Bissau


Realizam-se, amanhã, as eleições na Guiné-Bissau. Eu não tenho, infelizmente, muitas esperanças. Guiné-Bissau está muito perto de um Estado falhado (no sentido literal do termo). Tem o maior número de militares em comparação com os seus vizinhos da costa ocidental africana, o narcotráfico tem assumido uma influência cada vez maior, os assassinatos sistemáticos (ninguém investiga nada). Enfim. O povo guineense merece muito, muito mais. Não foi para isso que Amílcar Cabral e outros lutaram.

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Cidade Velha em Cabo Verde, é a partir de hoje, património mundial da Humanidade


Participação política dos imigrantes

Julgo que todos nós estamos cientes do caminho que a democracia percorreu e que permitiu o alargamento progressivo das pessoas com capacidade de elegerem e de serem eleitas, no entendimento de que todos os cidadãos têm o direito e o dever de participar activamente na construção dos nossos destinos colectivos. Os imigrantes fazem hoje parte da sociedade portuguesa e da açoriana, e com a sua força de trabalho têm prestado um valioso contributo para o desenvolvimento do País e da Região e a compreensão do que é hoje Portugal e os Açores obriga-nos a ter em linha de conta a presença dos imigrantes (mais de 5000 nos Açores e perto de meio milhão a nível nacional). A AIPA, em convergência com a posição assumida pela PERCIP (Plataforma das Estruturas Representativas das Comunidades de Imigrantes em Portugal), tem vindo a fazer um esforço no sentido de colocar na agenda a questão da participação política dos imigrantes, ou seja, o direito de voto enquanto dimensão vital na sua integração, cujo défice e invisibilidade que lhes é remetida a nível de participação política é preocupante. A partir do momento em que uma parte da população portuguesa não é representada, a partir do momento em que os imigrantes são remetidos para essa invisibilidade, estamos a minar os próprios alicerces do regime democrático, onde todos devem co-responsabilizar-se, através do voto, na condução dos nossos destinos colectivos. Face ao gigantesco défice que existe em torno desta mesma participação que é condicionada pelo próprio quadro legal, da pouca sensibilidade e por consequência do fechamento na generalidades dos partidos políticos, e seguramente à pouca motivação dos próprios imigrantes, parece-nos concorrer para esta invisibilidade dos imigrantes na sociedade portuguesa que, actualmente, representam perto de 5% da população residente e 10% da activa. A inclusão política dos imigrantes é tão ou mais importante para a credibilidade do regime democrático do que noutras esferas sociais e por isso consideramos que não podemos ter pessoas a trabalharem e a contribuírem, ao lado dos portugueses, para um Portugal mais desenvolvido e próspero e, simultaneamente, ser-lhes negado um dos direitos cívicos básicos. Portugal está a balizar a participação política em torno de dois eixos: Por um lado, a partir da lógica da reciprocidade, que perante o actual quadro migratório português não faz sentido nenhum e Portugal não ganha absolutamente nada na manutenção dessa reciprocidade. Por outras palavras, esperar, por exemplo, que a Ucrânia reconheça a capacidade eleitoral passiva e activa dos cidadãos portugueses que aí vivem, para que Portugal possa atribuir o direito de voto aos ucranianos, é uma atitude completamente desajustada e contrária à nova realidade migratória em Portugal. Esta é uma questão de direitos individuais, de direitos de cidadania e não uma questão de diplomacia e dos negócios estrangeiros; O segundo eixo é o de confinar esta participação apenas às eleições autárquicas e excluindo as eleições regionais, legislativa e presidenciais que, sendo importante, é insuficiente e pouco lógico já que o contexto regional, nacional e europeu condiciona a vida dos cidadãos. A nossa expectativa é que Portugal possa rever o actual quadro legal de participação política dos cidadãos estrangeiros no País, pondo termo ao regime de reciprocidade, e estenda os direitos políticos aos imigrantes. É um desafio que se impõe, sob pena de minarmos o próprio conceito da democracia. Por isso é que a política de integração dos, imigrantes nos dias que correm, interpela os decisores políticos na construção de um novo conceito de cidadania em que o território não pode constituir um factor determinante na sua concepção.

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

O exotismo do voto obrigatório?

Nestes últimos dias, o Presidente do Governo e líder dos socialistas tem sido tratado como uma ave rara por ter defendido a obrigatoriedade do voto.
Eu sou favor do voto obrigatório, apesar de reconhecer que face ao dramático cenário que temos actualmente a nível de participação política e da própria credibilização dos seus protagonistas, tornar o voto obrigatório não é, por si só, suficiente. Por outras palavras, parece-me que o problema não está só na abstenção, mas sim na própria relação dos políticos e da política com a população. Tentando ser ainda mais objectivo, diria que a alienação das pessoas é uma das consequências do estado deplorável em que se encontra o relacionamento entre a política e os cidadãos. Neste sentido, só o voto obrigatório não chega; é necessário alterar as regras do jogo e ir ao encontro das suas verdadeiras causas. Uma das coisas que penso que seria importante concretizar, efectivamente, é uma maior abertura dos partidos políticos à sociedade, sobretudo, os que até agora têm alternado no poder, já que esse problema me parece mais preocupante junto do PS e PSD. Não falo na abertura a nível de retórica em que todos estão de acordo. Acredito ainda que os líderes partidários querem e anseiam que os seus partidos sejam efectivamente mais abertos e em permanente sintonia com os anseios e dificuldades das pessoas. No entanto, tenho a sensação de que no meio dos partidos políticos existem umas mãos invisíveis e que filtram à entrada o contributo de pessoas em função de lógicas estritamente partidárias e de manutenção do status quo.
Não bastam só as palavras, precisamos de acções. Aliás, o sociólogo António Barreto num discurso muito cirúrgico e pedagógico, aquando das comemorações do Dia de Portugal, chamou atenção para o facto de que da parte dos políticos já não bastam só discursos eloquentes e recheados de boas intenções. O país (entenda-se, também, os Açores) precisa é de exemplos. Vale a pena tomar atenção às palavras de António Barreto. De qualquer forma e voltando ao voto obrigatório, reforço a ideia de que transformar um direito numa obrigação pode ser um tratamento de choque e, se calhar, precisamos mesmo disso. Tendo em conta o contexto catastrófico que temos tido ao nível de participação política, a hipótese do voto obrigatório tem de ser, no mínimo, discutida. Chamo a atenção para o facto de mais de duas dezenas de países terem o voto obrigatório. Pervenche Bères, Presidente da Comissão Económica e Monetária, numa entrevista recente defendeu a necessidade de se abrir a discussão sobre o voto obrigatório. Por isso, a tese do Carlos César não pode ser entendida como algo lunático, mas sim como uma proposta credível que pode ajudar-nos a sair deste cenário de completa alienação das pessoas para a vida política. Para os que subscrevem a ideia da liberdade individual, julgo que com o voto obrigatório a perda da liberdade individual seria incomparavelmente menor com o ganho colectivo que essa medida terá em muitos aspectos, nomeadamente, na valorização e credibilização do sistema democrático. Todavia, tenho a convicção de que é ilusão pensar que o voto obrigatório pode tornar um indivíduo politicamente activo e participativo. Pode é ser um contributo para contrair os actuais níveis de abstenção.

domingo, 31 de Maio de 2009

A bebedeira dos putos

O alcoolismo junto dos jovens é um problema cada vez mais preocupante por essas bandas. Exercendo o papel de mero observador (sem competências técnicas na matéria), devo dizer que o que observo constantemente em alguns bares, o que leio da legislação e os dados, que de vez quando presto atenção, deixam-me preocupados. A legislação em vigor proíbe a venda e consumo de bebidas alcoólicas a menores de 16 anos. Independentemente da discussão em torno da idade limite, o problema é o escandaloso incumprimento da legislação em vigor que, muito à moda portuguesa, todos sabem que existem mas ninguém a respeita. Um olhar rápido, à noite, junto de alguns estabelecimentos nocturnos, apercebemo-nos da dimensão do problema e da relativa hipocrisia que existe entre aquilo que diz a lei com a realidade quotidiana.
Todos os estabelecimentos têm afixado a tal placa que diz “ proibido a venda de bebidas alcoólicas a menores de 16 anos”, mas no interior ou mesmo no exterior dos espaços apercebemo-nos de miúdos e miúdas a apanharem brutas bebedeiras. Quero crer que os responsáveis dos bares muitas vezes, na confusão da multidão, não se apercebem a quem estão a vender as bebidas. Por outro lado, e porque existe a vergonhosa conivência entre todos nós sobre a questão do alcoolismo não custa nada que a bebida seja adquirida por jovens mais velhos. Ainda ontem num seminário organizado no Nordeste, foram divulgados dados que apontam que 2 em cada 10 jovens são dependentes de álcool, comprovando uma vez mais a pertinência de uma discussão urgente e consequente sobre o problema.
No ano passado, estava em discussão, na Assembleia Legislativa Regional, a hipótese de alteração da idade mínima para o consumo de álcool dos 16 para os 18 anos mas infelizmente não teve consequências. O problema do alcoolismo junto dos jovens é real e tem atingido, face ao clima de impunidade que existe, dimensões preocupantes na região. Seguramente que pode ser importante fazer uma discussão em torno da idade mínima para o consumo de bebidas alcoólicas, convergindo, com efeito, com o resto da União Europeia. No entanto, o mais importante é o Estado ser intransigente e implacável na fiscalização de forma a criar um clima de punição em caso de violação da legislação existente que é razoavelmente boa, se for cumprida à letra. O problema é que nenhum de nós respeita a legislação e nem vou enunciar as consequências negativas que decorrem de um consumo precoce e exagerado de bebidas alcoólicas.
Não menos preocupante, é o clima potenciador para o consumo de álcool que se cria com base em anúncios absolutamente apelativos no qual a mensagem assenta na associação entre as bebidas e o divertimento. O terreno desta discussão tem algo de subjectivo mas nem por isso tira a pertinência de pensarmos sobre o tema.
O que me inquieta é que se perde tempo, energia e recursos para a criação de um conjunto de instrumentos para combater um problema social e ao mesmo tempo, criamos zonas cinzentas que colocam em causa todo o trabalho realizado. A nossa região é pequena e uma fiscalização eficaz com certeza que teria um forte impacto, pelo menos, para colocar na agenda politica regional o problema do alcoolismo. Agora o que não pode ser é fingir que todos estão a cumprir a legislação, com o simples afixar do placar e ao mesmo tempo vende-se bebidas aos putos. O problema está cá entre nós e, por isso, é importante o empenho de todos para, pelo menos, se respeitar a legislação existente.

quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Nós, os “não europeus”

Devo dizer que o slogan do PS para as próximas eleições europeias é inspirador e tende a levar-nos a beber e a vivenciar de forma profunda o espírito europeu. A par deste poder inspirador deste slogan quando, no entanto, a traduzir para o dia-a-dia de milhares de cidadãos que, por acaso, não nasceram em solo europeu, chego à triste conclusão que existem, numa versão mais simpática, os “nós europeus” e os “nós, os não europeus”. Numa versão mais hard teríamos: “ europeus de primeira” “europeus de segunda”. Poderíamos acrescentar ainda os que não existem simplesmente, nomeadamente, os milhares de cidadãos imigrantes em situação irregular que dão a sua força de trabalho para construir casas e pontes por essa Europa fora mas que são tratados como autênticos criminosos, só porque têm uma autorização administrativa para permanecerem no solo europeu. É a mesma Europa da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que trata os outros que, por acaso não nasceram aqui, de forma indigna e contraria o próprio espírito da sociedade que almejamos. Vou dar alguns exemplos e começo por aqui na Região: desde 2005, que a AIPA colocou aos responsáveis políticos a questão da discriminação nas tarifas aéreas e parece que estamos a falar para os bonecos. Ninguém nos deu ouvidos, ou melhor, parece que nos dão mas no fundo não nos ligam nenhuma. Não é tolerável que pessoas que trabalhem e façam aqui os seus descontos pagarem mais de 186 euros numa viagem entre Ponta Delgada e Lisboa. Para a realização dos descontos, todos os cidadãos são considerados residentes. Dito de outro modo, mesmo que um cidadão esteja em situação irregular para as finanças é um contribuinte do Estado Português. Parece confuso, mas não é. Quando é para usufruir de algum direito a coisa muda de figura.
É a mesma Europa que debate todos os dias a importância da integração dos imigrantes, que produz uma lei que diz que só podem beneficiar da tarifa de residente os cidadãos comunitários. Podem cá estar a trabalhar mas definitivamente não são europeus. É a mesma Europa humanista que assiste com uma passividade, à eminência da aprovação de uma Lei em Itália que criminaliza, segrega e reprime o imigrante em que o único “crime” que cometeu foi a de procurar melhores condições de vida num outro país que não o seu de nascimento e não ter para o efeito uma autorização administrativa. Isso é crime? Para além do imigrante pagar uma multa que varia entre os 5000 e 10000 euros, a lei prevê até três anos de prisão para qualquer um que alugue uma casa para um imigrante irregular.
Por cá, vamos construindo o “Nós Europeus” com os seus nuances. Participação política é mesmo só para alguns europeus e percebemos facilmente que as listas (para as europeias) são bastantes homogéneas, com excepção do PCP que colocou na Lista (em lugar não elegível) uma cidadã imigrante.
No entanto, parece-me que a Europa e os políticos europeus não perceberam uma coisa básica nos tempos que correm. Essa coisa básica chama-se a construção de um nós, assente, na multiplicidade de origem e cultura. A integração não pode ser uma palavra circunstancial. Ela tem de ter conteúdo e que passa, essencialmente, por colocar as pessoas em igualdade de circunstância para o exercício de um conjunto de direitos e deveres. Se não formos capazes de fazer isso, a integração não passa de um mero exercício de retórica. Como eu acredito que somos nós, os europeus e não europeus, os cidadãos e os políticos que fazem, também, a qualidade de democracia, irei dar o meu melhor para denunciar essas violações que entram em contradição com a democracia que todos nós queremos construir, assente, na igualdade entre as pessoas.

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

caldeirão 2

O CD-PP teve uma semana radiante e os acontecimentos da Bela Vista vieram reforçar essa euforia. E, como existe sempre o aproveitamento político dessas situações, o cidadão comum fica ainda mais baralhado, sendo que o essencial do problema perde-se. O bairro da Bela vista, assemelha-se a dezenas de outras existentes em Portugal, onde residem portugueses onde a maioria senão todos, são portugueses de segunda. Não são imigrantes, são portugueses. Não é um problema de imigração mas sim de política sociais, nomeadamente, de habitação. A resposta mais fácil é encaixotar as pessoas. Essa política de encaixotamento, todavia, tem um custo, a médio prazo muito elevado. Quem fizer asneira e condicionar a liberdade do próximo deve ser exemplarmente castigado e sobre isso ninguém tem dúvidas. Mas, também, que ninguém tenha dúvidas que existem por esse país fora, autênticos caldeirões e grupos de pessoas que são colocados (e ficam) completamente à margem de tudo e todos. Só não ficam à margem quando o caldeirão se entorna.

Caldeirão 1

Esta semana vieram duas más notícias vindas do continente. A primeira tem a ver com o anúncio, por parte do Governo da República, em diminuir de 8500 para metade a quota para os trabalhadores extra-comunitários. A segunda, chama-se Bela Vista. Os dois assuntos têm um denominador comum: intervenções disparatas dos responsáveis políticos e assentes em pressupostos ideológicos que nada têm a ver com a realidade. Em relação as quotas não percebo a centralidade que o poder político tem, sistematicamente, dado a essa questão que não tem objectivamente nenhuma interferência com os fluxos migratórios. Para ser ainda mais objectivo, diria que o sistema de quotas é um autêntico disparate e o governo do PS o introduziu na actual lei por imposição da direita, nomeadamente, do CD-PP que, como sabem, tem uma perspectiva completamente histérica com os imigrantes. Essa minha posição, que de resto é assumida pelos vários investigadores e organizações insuspeitas, não está alicerçada em nenhuma defesa cega da imigração mas sim em dados concretos. O mercado constitui, por si só, um regulador dos fluxos migratórios. Na prática isso significa que quando um determinado país não gera postos de trabalho os imigrantes, simplesmente não vêem e os que aqui se encontram tentam procurar novos espaços de imigração ou mesmo regressam aos países de origem. Um olhar atento dos dados e desprovido de preconceitos perceber-se-á isso com alguma facilidade. Por outro lado, as quotas não funcionam, e aí reside o principal problema. Segundo a Lei de Imigração a quota deveria ser preenchida por imigrantes que, nos seus respectivos países de origem, através dos serviços consulados, respondessem positivamente as ofertas de emprego disponibilizadas pelas diferentes entidades patronais. Dependendo de um parecer do IEFP, o imigrante que se candidatasse aquele posto de trabalho, receberia um visto de seis meses para entrar em Portugal e estabelecer o respectivo vínculo laboral. Perante esse esquema, o número de imigrantes que entraram através das quotas é absolutamente ridículo e, por causa disso, o governo não o publica. Não menos grave, é o método pelo qual se chega ao número limite para as quotas dos imigrantes que resultam de cálculos de gabinetes e não sobre a realidade do mercado de trabalho. Devo dizer que não estou a defender que as fronteiras devem ser abertas, até porque, hoje, os Estados não têm grande interferência na circulação de pessoas. Têm, isso sim, a possibilidade de escolher entre um movimento regular ou irregular de pessoas. Aliás, face ao quadro legislativo que existe na Europa, em matéria de imigração, ninguém deveria cá estar. Mas o mercado assim o exige. Tudo o resto, em torno de menos quotas ou mais quotas é demagogia pura, na tentativa de passar a mensagem ao cidadão que os Estados têm ainda algum poder sobre a regulação dos fluxos migratórios.

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

As contradições

Não deixa de ser curioso as contradições da Europa entre as reais necessidades dos países europeus com o discurso em torno da Europa Fortaleza. Foi publicado no passado dia 29 um relatório sobre a questão do envelhecimento populacional na Europa e as notícias são preocupantes.

domingo, 10 de Maio de 2009

Petição: Tarifa da Residente

A AIPA (Associação dos Imigrantes nos Açores) criou uma petição para ser entregue junto da Assembleia da República, defendendo a alteração do Decreto Lei 138/99 permitindo, deste modo, que todos os cidadãos estrangeiros com residência legal nas Regiões Autónomas possam beneficiar da tarifa de residente. Todos os cidadãos não originários da União Europeia residentes nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira ficaram, desde o início do ano de 2005, excluídos do grupo elegível para obtenção da tarifa de residente. Isso significa que um cidadão estrangeiro que vive e trabalha nas Regiões Autónomas paga uma tarifa muito superior à de um cidadão considerado residente, constituindo, por isso, uma situação de discriminação absolutamente inaceitável. Ajude-nos a terminar com essa discriminação, subscrevendo a Petição on line em http://www.peticao.com.pt/tarifa-de-residente

A propósito das quotas

A forma pouco rigorosa como se têm centrado as questões que afectam o mercado de emprego em Portugal no fenómeno da imigração e a decorrente necessidade de rever as quotas para a entrada de trabalhadores imigrantes procuram, na opinião da PERCIP, escamotear as verdadeiras razões que estão na origem da crise e revelam, por outro lado, uma atitude que contraria o conhecimento existente sobre os fluxos migratórios, ao atribuir aos imigrantes responsabilidades que estes não têm e contribuindo objectivamente para o agravamento de mal-estares sociais.

A PERCIP entende ainda que esse recuo contraria um princípio que deveria ser assumido de forma clara por este governo, que é importância da imigração no desenvolvimento de Portugal e a necessidade de construir uma paz social longe de demagogias e de ideias preconceituosas que pairam sobre os imigrantes que muito têm dado a esse país.

Em bom rigor os factos são estes:
- O mercado de trabalho constitui, por si só, um regulador natural dos fluxos migratórios, sendo que o estabelecimento de contingentação tem pouca ou mesmo nenhuma interferência no processo, face à própria e demonstrada inoperância do sistema. Ninguém sabe exactamente quantos imigrantes entraram em Portugal no âmbito do sistema de quotas e nem o governo divulga os números, na medida em que tem a noção que esse número é absolutamente ridículo.
- Os fluxos migratórios para Portugal têm diminuído nos últimos dois anos, como consequência da perda de atractividade do país , decorrente da crise e da emergência de outros destinos migratórios.

De qualquer modo, entendemos que a discussão deverá centrar-se sobre três aspectos. Primeiro, na criação de respostas céleres para muitos cidadãos imigrantes que ainda se encontram em situação irregular no país e inseridos no mercado de trabalho. Segundo, evitar cair na tentação de aplicar e reforçar essa redução de quotas junto dos imigrantes cujo processo de regularização está ainda a decorrer, e cuja conclusão do processo está cada vez mais demorada. O terceiro aspecto é nossa preocupação em relação aos milhares de imigrantes que, quer pela situação de irregularidade, quer pela inexistência de qualquer tipo de vínculo laboral, estão a viver situações dramáticas, sendo excluídos de qualquer tipo de protecção social.

quinta-feira, 7 de Maio de 2009

A gripe H1 dos deputados açorianos (alguns)

Nas últimas três semanas fomos confrontados pela comunicação social com alguns problemas que devem merecer a devida atenção dos nossos decisores políticos que, pelos vistos, andam preocupados (pelo menos alguns) com os touros.
A primeira notícia tem a ver com a taxa de gravidez na adolescência na qual a Região está no pelotão da frente a nível nacional, ou seja, temos uma taxa que é sensivelmente o dobro da nacional. Temos de ser absolutamente claros neste aspecto: uma elevada taxa de gravidez na adolescência está associada aos problemas de pobreza, na medida em que os seus protagonistas encaixam-se genericamente dentro do perfil de baixa escolaridade, abandono precoce do sistema de ensino e de famílias de baixos rendimentos, etc. Para além disso, tenho a convicção que o aspecto mais grave desses dados, relaciona-se com a real possibilidade da reprodução desses problemas e das respectivas debilidades, dos pais para os filhos. Diz-nos a realidade que uma das causas do abandono escolar tem a ver com a pouca ou nenhuma valorização da escola por parte dos pais o que, significa, como uma hipótese plausível, que os filhos de pais adolescentes, irão quase certo enfrentar os mesmos problemas e contribuírem para o aumento desses índices preocupantes. Sabemos ainda que esses problemas têm nas suas explicações processos estruturais e de mentalidade que não se alteram da noite para o dia. Os Açores, são hoje, uma região, incomparavelmente melhor do que à décadas atrás. Apesar disso, precisamos urgentemente, de (re)centrar seriamente o desenvolvimento nas pessoas, tarefa seguramente mais difícil e de resultados pouco visíveis, pelo menos, a curto e longo prazo. Como a actuação política, gosta de resultados mais imediatos a coisa torna-se mais complicada.

A segunda notícia e que até certo assume pontos de contacto com a primeira, tem a ver com o número das infecções de HIV-Sida na Região, que na génese do seu crescimento encontra-se a questão comportamental e de educação sexual. Por ser uma região pequena, facilmente passamos de 8 para 80 e, por isso, vale a estar atento e encarar essas questões numa perspectiva mais abrangente e não numa óptica exclusivamente de saúde no sentido mais restrito.
A terceira notícia, que na sua génese e interpretação é péssima para a região, prende-se com as alertas preocupantes deixadas pelo Conselho Médico dos Açores da Ordem dos Médicos, a propósito da actual situação da saúde nas ilhas e da inexistência de um planeamento de saúde nos Açores. O Secretário da tutela reagiu, como aliás seria expectável, contrariando as declarações do responsável da ordem nos Açores. No entanto, é preciso ir mais além, ou seja, é preciso que fique bem claro se a região tem ou não um planeamento da Saúde e quais são os seus resultados concretos. É preciso ter em consideração que as críticas não foram feitas por “treinadores de bancada” mas sim por profissionais da área e, por isso, devem ser levados em devida conta e fazer os ajustes necessários.
Enquanto a região têm problemas que urgem respostas adequadas, os nossos deputados ou melhor (para não ser injusto), alguns deputados, aproveitando as novas faculdades proporcionadas pela Revisão do Estatuto Político-Administrativo, o primeiro diploma que é produzido é sobre a sorte da vara nos Açores. Para além das óbvias discordâncias que existem sobre o tema, acho no mínimo surreal que a primeira coisa que alguns deputados entendem fazer é legislarem sobre a possibilidade de torturem um animal em nome da diversão de alguns. Perante isso, fico mais animado pensar que alguns deputados foram apanhados na teia de uma febre que ainda ninguém descobriu mais que atrevo de apelidar de H1. Como todos calculam a actuação política é feita, também, com simbolismo.

terça-feira, 5 de Maio de 2009

Barack Obama...quebrou o protocolo em Londres


quinta-feira, 30 de Abril de 2009

A partidocracia

Cada vez que se aproxima um acto eleitoral, fico com a minha convicção reforçada de que os partidos estão cada vez mais a falarem para dentro e a obedecerem a lógicas exclusivamente partidárias, relegando para planos completamente secundários os interesses colectivos. Digo isso, com muita pena porque tenho a certeza que o leitor concordará comigo se eu afirmar que a qualidade da nossa democracia, está intimamente ligada à qualidade dos seus actores, onde os partidos assumem uma importância crucial.
Efectivamente e para o mal de todos nós, os dados vem comprovar essa alienação dos partidos aos problemas e anseios das pessoas. Hoje, são cada vez menos as pessoas que se interessam pela política, assumindo sobre ela e os políticos uma percepção negativa. Por outro lado, a participação dos cidadãos nos vários momentos eleitorais tem vindo a atingir valores críticos. A título de exemplo, na semana passada, foram divulgados os números que dão conta que metade dos portugueses não estão interessados nas próximas eleições europeias o que significa, provavelmente, que 5 em cada dez não irão votar. Se contabilizarmos os que disseram que iriam votar mas não o irão fazer, os números tornam-se ainda mais preocupantes e não deixa, no entanto, de se ser estranho que um país e uma região que tanto devem à União Europeia, exista tamanho desinteresse pela União Europeia. Por isso, os políticos deveriam ficar preocupados com esse desinteresse que tende a ser cada vez mais agudo e que mina os alicerces da própria democracia. No entanto, em vez de agirem no sentido de darem um contributo real para contrair essa tendência só reforçam o desinteresse dos cidadãos pela vida política.

A questão é que se os próprios políticos não levam muito a sério a política, dificilmente estão em condições de pedirem que o cidadão comum se interessa pela política. Dois exemplos recentes e que por acaso têm a ver com as eleições europeias em que a escolha das pessoas para fazerem parte da listas em posição elegível, deveria ser um momento que pudesse dar uma ajuda para credibilizar a vida política e partidária, contribuindo para motivar as pessoas a não alienarem a sua participação: no lado do PSD, Duarte Freitas foi anunciado publicamente que continuará no Parlamento Europeu, ocupando um lugar de exigível na lista. Em menos de 24 horas, Duarte Freitas dançou e regressará ao Parlamento Regional. A rotatividade é importante para a qualidade democrática, mas fazê-la de forma primária e obedecendo a lógica de “caças aos de lugares” e mediante critérios exclusivamente partidários e na busca de uma falsa paridade nas listas, é um excelente contributo para aumentar a distância entre os eleitos e os eleitores. Em relação ao PS, Paulo Casaca (que foi considerado o terceiro eurodeputado mais produtivo) entendeu-se que seria o candidato ideal para vir fazer literalmente um passeio nas próximas eleições autárquicas.

Não basta dizer que é preciso mudar ou que as pessoas têm de mostrar interesses em participar. As pessoas estão aí, e o exemplo que veio recentemente dos Estados Unidos, onde foi possível uma participação sem precedentes, diz-nos que a culpa pende para o lado dos políticos. Não basta aderir às redes sociais na Internet para efectuar a mudança no relacionamento entre os governantes e os governados. As pessoas precisam de sentir que as opções que os partidos assumem resultam claramente na defesa do interesse do colectivo e não de meros expedientes partidários. Da minha parte, estou cada vez mais decepcionado com a forma como os partidos e os políticos organizam a conquista do poder e fico convencido que estão a reunir todas as condições para que possam perder a exclusividade na conquista do poder.

quinta-feira, 26 de Março de 2009

Fica o desabafo

Com as honrosas excepções, são muitos os deputados regionais que nem sequer acusam a recepção dos convites enviados por e-mail. Fica a dúvida se a não resposta deve-se a um défice de conhecimento em Tecnologias de Informação por parte dos nossos deputados, mau funcionamento dos sistemas de informação do Parlamento ou por último, porque simplesmente entendem que não devem responder aos convites?

O ranking dos deputados

2. Num contributo interessante mas sempre questionável nos seus critérios, o Expresso publicou na semana passada, uma artigo que, na falta de melhor podemos apelidar de “ Ranking dos Deputados Portugueses ao Parlamento Europeu”. Três notas sobre o assunto: a primeira é que esse trabalho, ao contrário da novela com o Provedor de Justiça, ajuda-nos a ser menos parvos e a perceber quem trabalha ou não no parlamento europeu. Digo menos parvo, porque acabamos, no entanto, sempre por ir votar nas pessoas que os partidos políticos ou, melhor, que o líder do partido entende que reúnem os melhores requisitos para nos representar. Às vezes, nem se ouve, os manos do próprio partido. A segunda nota é que Duarte Freitas e Paulo Casaca ficaram bem posicionados, o que não deixa de ser uma boa notícia para a região. A terceira nota é que seria interessante um ranking aplicado na nossa Assembleia Legislativa Regional junto dos 57 deputados. Claro que os critérios teriam que ser diferentes mas bastariam dois: nº de encontros promovidos com os cidadãos e nº de vezes que falou no parlamento. Pela ideia que vamos tendo, os resultados seriam bem interessantes já que temos deputados regionais para todos os gostos e feitios. Fica este desafio.

O provedor dos políticos


1. Pessoalmente, tenho razões de queixa do ainda Provedor de Justiça que no outro dia disse isto do PS: “ eles comem tudo”. Reparem que o termo não foi utilizado numa entrevista oral em que, muitas vezes, as palavras nos podem atraiçoar. O Provedor deu a entrevista por escrito e, por isso, mediu cada palavra utilizada. Julgo que o desabafo do Provedor tem dois entendimentos: O primeiro é que os políticos, na sua generalidade, pensam, que os cidadãos são parvos. Isto porque depois da entrevista, todos os partidos entraram em paranóia na busca de uma alternativa para o enigma da substituição do Provedor, quase que passando a ideia de era a primeira vez que estavam a ser confrontados com o problema. Se todos já sabiam que o Provedor estava à espera há nove meses para ser substituído, qual é a razão por só agora todos parecerem estar preocupados em encontrar uma solução? A razão é simples: palco mediático. Por outras palavras, enquanto um problema não for apropriado pela comunicação social não constituiu problema e ninguém presta atenção.
O segundo entendimento é que a classe política em vez de pensar verdadeiramente nos cidadãos, está a pensar em primeiro lugar neles e na capacidade em “comerem tudo”, ou seja, de ocuparem todos os cargos que não deveriam, por definição, ter nenhum cunho político. Se é um Provedor de Justiça, não percebo e custa-me acreditar a existência desse jogo absolutamente desmotivante para a existência de uma relação séria entre os governados e os governantes. Por causa deste episódio, valeria a pena alterar o nome de Provedor de Justiça para Provedor dos Políticos. Querem um exemplo? Em Dezembro, a AIPA deu entrada com uma queixa contra o Estado Português por causa das tarifas áreas junto da Provedoria da Justiça. Passados três meses “nem ai nem ui” do Provedor, nem para dizer que recebeu e arquivou a queixa. Sabemos que deu entrada, porque os CTT têm uma coisa que se chama “ Carta Registada”. Depois a malta vem falar da transparência e na relação saudável entre a política e os cidadãos. Tudo treta.

sexta-feira, 20 de Março de 2009


quinta-feira, 19 de Março de 2009

Sata Low Cost

Há já algumas semanas que a transporta regional não está a distribuir jornais e revistas na classe económica. A medida, segundo o presidente da SATA, insere-se numa óptica de rentabilização de recursos e na melhoria da performance dos aviões ao nível das emissões de CO2. Para já, fica a nota de que é sempre de louvar os esforços que são concretizados no sentido de minimizar os efeitos negativos no nosso meio ambiente e a própria rentabilidade económica da empresa, até porque a SATA é de todos nós, contribuintes, pelo menos na teoria. No entanto, para um leigo na matéria e fazendo o meu papel de treinador de bancada, tenho dificuldades em perceber os custos e benefícios desta medida. Para começar, o jornal custa menos de 0,75 cêntimos, incomparavelmente mais barato do que a revista da SATA “ Azores Spirit” ou mesmo o catálogo da companhia, que deve custar uma pipa de massa. É questionável, tanto a nível económico como ambiental, a retirada dos jornais mas continuando essas duas publicações. Segundo, tenho a noção de que o preço do bilhete já incorpora o custo do jornal e, pela lógica, a não prestação desse serviço deveria ter reflexo no preço final da tarifa. Seria, com certeza, uma redução ridícula, mas é sempre confortável pagar menos. Numa altura em que se agudiza a crise em certos sectores, nomeadamente no seio dos órgãos de comunicação social, é sempre uma ajuda não desprezível a possibilidade de fazer circular os jornais, principalmente os regionais, a bordo dos aviões da SATA. Até por uma questão de estratégia de divulgação dos Açores, a continuidade de distribuição dos jornais é positiva, já que conseguem ser o pulsar da Região. A SATA disse ainda que está a estudar novas hipóteses, em particular a possibilidade de utilizar o conteúdo digital nos aviões. O mínimo que se poderia fazer era suspender o serviço de distribuição dos jornais mas apresentando de imediato outras alternativas, e a funcionar. Da minha parte, dispenso as famosas sandes da SATA em troca dos jornais. Vou ainda mais longe. Prefiro que me cobrem a ida a casa de banho nos aviões da SATA a que me tirem o jornal a bordo. A título de exemplo, a companhia Low Cost Ryanair está a estudar a possibilidade de cobrar 1,10 euros pelo uso dos lavabos a bordo e aqui fica um referencial para SATA em termos de preço a cobrar. A caminhar desta forma teremos uma nova companhia: SATA Low Cost. Eu não me importo, desde que o preço seja, também, Low Cost. Agora, o que não pode ser é pagar um tarifa insuportável e ter um serviço low cost e com fortes hipóteses de piorar. 2. A questão dos transportes parece que tem sido o calcanhar de Aquiles do Governo Regional. Os transportes marítimos são o que todos nós sabemos e na passada semana os Açores foram destaque no Expresso, pelas piores razões, tendo como base a hipótese de receber um navio cheio de defeitos. Nos transportes aéreos, o preço das tarifas todos sabem que é elevado e os operadores turísticos evidenciam-no como o maior obstáculo para o desejável desenvolvimento deste sector nos Açores. O certo é que a maioria das pessoas tem dificuldades em perceber as razões pelas quais pagamos um preço elevado nas viagens entre os Açores e o continente; mas também a maior parte das pessoas desconhece as razões pelas quais as companhias Low Cost não voam para a Região. Sabe-se que o equilíbrio regional condiciona muito as opções políticas nesta matéria e que houve um relativo progresso nesta questão, em comparação com algumas décadas atrás. No entanto, parece-me evidente que numa matéria central para o desenvolvimento dos Açores, como é o caso dos transportes, prevalece pouco debate e esclarecimento sobre os argumentos que suportam esta ou aquela decisão. Como o Governo não explica o suficiente e os partidos da oposição não exigem de forma eficiente as respostas, ficamos todos na dúvida.

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Vale a pena chorar pelo presidente?




Com o assassinato do Nino Vieira, a Guiné Bissau deu, uma vez mais, a prova de que tem todas a condições para não funcionar. Infelizmente, para todos nós. Inclusive para muitos açorianos que sei que lá estiveram no período colonial e que muitos deles guardam as melhores recordações. Nas conversas que vou tendo com alguns guineenses e outras pessoas que seguem de perto a realidade daquele país, percebo que é cada vez mais visível o desânimo, a incerteza e a consciência do fracasso da Guiné Bissau, enquanto tentativa de construção de um país democrático e com um mínimo de possibilidades de desenvolvimento. Se Amílcar Cabral estivesse vivo o que ele pensaria disso tudo? O que ele pensaria, do país pelo qual deu a sua própria vida, pela independência e pela edificação do seu próprio destino, e que 34 anos depois está ainda mergulhado num autêntico caos que só tende a piorar. Amílcar Cabral nasceu na Guiné -Bissau e foi um dos intelectuais mais brilhantes que o continente africano já produziu e acreditava na possibilidade de uma união forte entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau.
Ficava, sinceramente, menos apreensivo se o assassinado do Nino Vieira fosse um acto isolado, concretizado por um indivíduo motivado por convicções próprias. Mesmo se fosse um golpe de Estado a situação era menos gravosa do que o contexto em que Nino Vieira foi assassinado. Não podemos esquecer que foi um grupos de militares que assassinou um Chefe de Estado por razões que ainda ninguém conseguiu explicar convenientemente. O que está em cima é um acerto de contas, fruto do passado do Nino Vieira e da sua relação com os militares. O assassinato de Ansumane Mané, em 2000, constitui mais um exemplo do poder bárbaro que é exercido pelos militares guineenses, não sendo abusivo dizer que quem está ditar as regras na Guiné Bissau são os senhores dos uniformes.
De qualquer modo, Nino Vieira, estava a preparar este seu desfecho que teve o início, no regresso dele, em 2005, à Guiné Bissau, depois do exílio em Portugal, com permanências regulares na casa do insuspeito Valentim Loureiro. O regresso de Nino Vieira não tinha vantagens nenhumas para os guineenses e nem para ele próprio como, aliás, está confirmado.
A complicar as coisas, a Guiné Bissau tornou-se num importante ponto de passagem da droga da América Latina para Europa, juntando o poder dos militares com o dos traficantes a mistura é no mínimo explosiva. Quando um avião aterra num determinado país com toneladas de droga e ninguém se responsabiliza(aconteceu no ano passado) não é preciso dizer muito mais.
A situação da Guiné-Bissau é tão catastrófica que é muito fácil apontar as situações improváveis que vão acontecendo por lá.
No entanto, importa perceber quais são as reais hipóteses de contrariar a tendência de fracasso agudo da Guiné-Bissau, sendo certo que quem sofre as consequências são os guineenses que vivem na mais absoluta miséria.
O assassinato do Nino Vieira representa ainda mais uma machadada na CPLP até porque é a Guiné-Bissau que está a presidência neste momento.
O interessante disso tudo é o silêncio ou, melhor as palavras dentro do politicamente correcto, que são utilizadas pela classe política, nomeadamente, em Portugal. Poucos quiseram falar sobre o assunto e os que o fizeram foi no anonimato ou com termos muitos suaves.

quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Conversas a 8... 8 histórias, 8 percursos 8 mulheres


domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Imigrar é um direito humano básico

Uma entrevista interessante e esclarecedora de Philippe Legrain, economista e conselheiro especial da Organização Mundial de Comércio. Formado pela London School of Economics, Legrain é autor de "Immigrants: Your Country Needs Them" (2007). Pode ler aqui a entrevista.
Afinal, cada um de nós tem, literal e legitimamente, o direito de viver em qualquer país deste nosso mundo.

China reforça presença em Cabo Verde


Gradualmente e com mais ou menor visibilidade a China vai reforçando a sua presença e influência na África falante da língua portuguesa. Uma holding chinesa (Geocapital), com sede em Macau, acabou de adquirir ao Montepio Geral de Portugal os 27,4 por cento que detinha na Caixa Económica de Cabo Verde (CECV), segundo maior banco comercial de Cabo Verde.

Enquanto isso, a Lusofonia vai se tornando num mero exercício nostálgico...infelizmente.

Versão Madeirense de "British Jobs for British Works!


O Presidente da Madeira já apropriou-se da versão britânica "British Jobs for British Works!", mas com sotaque da madeira acrescido de uma visão grotesca e irresponsável. Limitou, no âmbito da contingentação, para 20 o número de estrangeiros que podem ir trabalhar para a Madeira. As migrações constituem um excelente barómetro das crises, ou seja, as pessoas em situação de manifesta dificuldade nos países para onde pretendem emigrar, tendem a ficar nos seus países de origem. Por outras palavras, as migrações auto-regulam-se em função das oportunidades de trabalho. Não me preocupa, tanto o número máximo de 20 trabalhadores que se quer na Madeira que, em boa verdade, servirão para tratar dos jardins do Palácio do Alberto João Jardim. Preocupa-me sim a justificação para a tal limitação que possui, manifestamente, um carácter xenófobo, visando alimentar junto da população um sentimento de desconfiança e do discurso de bodes expiatórios. Todos nós sabemos que estamos a viver tempos difíceis. A tentação de discursos e práticas proteccionistas é grande. No entanto, não podemos esquecer que o modelo da sociedade que temos está, irreversivelmente, assente na ligação e interdependência entre nações. Por isso, as respostas têm, obrigatoriamente, de serem encontradas neste contexto global. A apropriação do “nós” verdadeiro, sobretudo, em tempo de crise é a opção sensata.

A crise de uns e de outros

Falei, hoje, com a minha mãe ao telefone. Reformou-se da administração pública, depois de 35 anos a trabalhar na Direcção Geral do Comércio, em Cabo Verde. Lembro-me que em miúdo, ia com ela para o trabalho. Ia quase todos os sábados. Sim, naquela altura a função pública trabalhava aos sábados. Ah, também ia com ela, aos domingos. Íamos duas vezes: às 7h45 da manhã e às 18h00. Não era todos os domingos, já que ela alternava com as suas outras colegas. Iam içar a bandeira de manhã e arriá-la no final da tarde. Gostava daquilo. Lembro que a bandeira de Cabo Verde era igual à da Guiné Bissau. Dividida em três partes, duas faixas na horizontal (amarelo e verde) e uma na vertical (vermelho). Na parte vermelha vinha lá uma estrela negra, uma espiga de milho e mais outras coisas que agora não me ocorrem. Depois de 1991, altura que os cabo-verdianos começaram a respirar e a viver a democracia, depois de 15 anos do regime de partido único, mudamos a bandeira, o símbolo e o hino, que também, até então era igual ao da Guiné Bissau. Houve um concurso, amplamente divulgado, para a escolha dos novos símbolos na nação cabo-verdiana. Hoje, Cabo Verde, tem uma nova bandeira: azul com faixas vermelhas e brancas e no centro 10 estrelas amarelas correspondendo a todas as ilhas que compõe o arquipélago.
Voltando à Direcção Geral do Comércio. Acho que todas as crianças gostam de acompanhar os pais para o trabalho. Fui crescendo, deixei de acompanhar a minha mãe no içar da bandeira, mas continuei a ir ao trabalho dela nas horas de expediente e, claro, fui-me apercebendo melhor como é que as coisas funcionavam. Lembro-me de alguma coisas, que para a maior parte dos leitores, possam parecer um pouco estranhas. Hoje, Cabo Verde tem um acordo com Portugal que permite que o escudo cabo-verdiano tenha uma paridade fixa como euro. Alguns anos atrás, a licença de importação era limitadíssima e mesmo para os que tinham a tal licença não poderiam faze-la de qualquer maneira, pois, estavam condicionados à disponibilidade de moeda estrangeira no único Banco de então que, como podem deduzir, era público. Também sou do tempo da EMPA (Empresa Pública de Abastecimento) que detinha o monopólio para a importação e comercialização. Era fantástico trabalhar na EMPA. A empresa foi, todavia, fechada e, hoje, muitos antigos funcionários ainda estão a reivindicar junto do governo alguns direitos que não foram salvaguardados. De repente, corria a informação de que o açúcar “ dja dâ nó”. Significava que o stock já tinha terminado e que nas semanas seguintes muita gente iria ficar sem açúcar. Outras vezes era o óleo, farinha etc.
Comer maçã importada era um pequeno luxo. Ficávamos na fila, durante longos e angustiantes minutos, para comprar num dos estabelecimentos geridos pela EMPA um quilo de maçãs de Lisboa. Isso foi há pouco mais de duas décadas e ainda bem que foi passado e, como é expectável acontecer, quantos mais recuarmos no tempo mais episódios inacreditáveis aparecerão, pelo menos, à luz das nossas perspectivas actuais. Hoje, Cabo Verde é um país diferente e transpira confiança e credibilidade.
Cá estamos hoje perante a crise. É inegável que estamos perante uma crise mundial, cujos contornos e amplitude ninguém sabe exactamente responder. Para além da crise real, temos de somar a crise de confiança que é, sempre, complicada gerir. Estou a crer que só com uma intervenção cuidada mas vigorosa e credível dos governos será possível repor a confiança dos consumidores. Existe, no entanto, o perigo real para a eminência das políticas proteccionistas, tendo eu a consciência que, à primeira vista, constitui a forma mais rápida de ultrapassar a crise. Puro engano. O modelo de sociedade que temos está, irreversivelmente, assente na ligação e interdependência entre nações. Por isso, as respostas têm, obrigatoriamente, de serem encontradas neste contexto global. Essa lógica é aplicável tanto nos produtos e serviços como nos recursos humanos.
Artigo Publicado no Jornal " Terra Nostra" - 18-02-09

sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Um amigo meu está livre para amar


Sim senhor, o meu querido amigo Mohamed ( nome de guerra) está livre para o amor. Pelo menos, é o que diz Uhau, a mais recente publicação cabo-verdiana. Digamos que é um misto de revista cor de rosa o um jornal sério de informação. Mohamed, agora falando a sério: gostei da capa.

Um carnaval diferente em Ponta Delgada


Em Ponta Delgada temos um carnaval diferente. Os homens de smoking; as mulheres trajadas com elegantes vestidos... estão a ver os bailes de Veneza. Vale a pena ver, sobretudo, nas primeiras horas dos bailes. Isso porque mais tarde a elegância não é garantida, mas isso é em qualquer festa que se preze.

Se um dia tiverem em Ponta Delgada por essas alturas, recomendo vivamente um dos bailes de carnaval no famoso Coliseu Micaelense.

quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Importar Políticos para Portugal

Cá está uma ideia que está a começar a ganhar alguma credibilidade. Importação de políticos para Portugal. A ideia foi hoje defendida ( o homem não estava a brincar) por médico/sindicalista, no âmbito de uma reunião com a Ministra da Saúde. Com os reitores da universidades, essa importação já é possível.

O nós e os outros

O conceito de nós, é muitas vezes, tramado. Tramado porque implicitamente à noção do nós encontramos os “outros” e quando chega a hora “ h” a primeira coisa que fazemos é ver os tais “outros”. Mas, também, é tramado, porque legitima ou, pelo menos, fornece o necessário suporte para legitimar a exclusão. Por isso, eu acredito que a integração significa a extensão de um conjunto de direitos e deveres a determinados grupos que não entram na categoria do “nós” que foi construído. Foi assim com a escravatura e a luta dos negros; foi assim ainda com a questão das mulheres, nomeadamente, no exercício dos direitos políticos, já que os iluminados na altura acreditavam que as mulheres na política geravam efeitos perversos, tanto na política como nas dinâmicas familiares. Liberdade, igualdade, não podem ser conceitos vazios ou para simples embelezamento da retórica. Implica, essencialmente, ter a noção de que o “nós” é composto por uma abrangência de diversidade de pensamento, de cor, de convicção religiosa, de género, de orientação sexual, de origem, que tem que ser respeitados. Apesar de tarde, estou expectante sobre a discussão que a sociedade portuguesa, está a fazer em torno da legalização dos casamentos homossexuais. Aliás, a região não pode e nem deve ficar alheia a essa discussão. Gostei de ler a posição do líder regional do PS e seria interessante que outros líderes partidários na região se pronunciassem sobre a matéria, ou seja, se os “nós”, englobam ou não os indivíduos com uma orientação sexual diferente da maioria.

terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Jardim deve estar a brincar

O João Jardim, no seu estilo habitual, determinou a admissão na Madeira, de apenas 20 trabalhadores extra-comunitários.
O homem deve estar a brincar e pergunto se os vinte trabalhadores servirão para cuidar apenas do jardim do Palácio do Alberto João Jardim?

sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Espelho 2

O recuo ao passado faz-nos temer o pior em tempo de abrandamento económico e da diminuição da capacidade de a economia gerar emprego para a maioria das pessoas. Quando acontece, a primeira coisa que fazemos é olhar para os outros. Aquilo que se passou na Inglaterra, em que os ingleses reivindicaram postos de trabalho para os ingleses pressionando uma empresa a não aceitar trabalhadores portugueses, é um comportamento absolutamente ridículo e xenófobo. Isso não quer dizer, todavia, que algo semelhante não poderá vir a acontecer noutras paragens, inclusive, em Portugal.
Todos nós já sabemos para que lado a corda arrebenta numa situação de tensão social. Cabe aos responsáveis, nomeadamente, os que têm responsabilidades política, uma pedagogia pró-activa e eficiente no sentido de que todos nós somos necessários para ultrapassar este mau momento económico. Pessoalmente, tenho receio de que, em época de alguma tensão, possam aparecer os tais salvadores que, a partir de diagnósticos fáceis e populistas, conseguem apresentar soluções na exacta proporção demagógica dos diagnósticos.

Espelho, Espelho meu…

O espelho é, hoje, uma banalidade, igual a tantas outras coisas e que é elegível no grupo restrito de criações fantásticas do homem. Não sabemos exactamente em que circunstância e quando é que foi inventado, mas o seu surgimento veio revolucionar os nossos hábitos e a forma como nos relacionamos. Antes do espelho, os nossos semelhantes tinham por hábito observar as suas imagens reflectidas na superfície de rios e lagos. Consideravam isso como uma obra divina, uma magia da natureza. Brincando com a situação, diria que quem lucrava com a inexistência de espelhos eram os feios, cuja confiança não era abalada já que não tinham a noção da sua própria aparência. Vivemos períodos terrivelmente conturbados, cuja dimensão é de difícil previsão. Pergunto, a partir de um espelho gigante fixado a frente da nossa sociedade, qual seria a imagem que nela reflectia? De alguém que está a acusar cansaço da idade, da ausência da esperança que é possível ainda mudar? De uma pessoa que veste a sua melhor roupa, calça os seus melhore sapatos para ter uma imagem dela própria, mas que por detrás disso está repleta de feridas não cicatrizadas? De alguém que acha que uns são mais iguais que outros?
Julgo que a imagem que teremos dessa nossa sociedade não será, infelizmente, muito longe disso.
1. Há duas semanas, três jovens italianos ataram fogo a uma pessoa que, por acaso, era um imigrante indiano. Puseram fogo ao homem enquanto ele dormia numa estação de comboio. Quase toda a imprensa deu conta desta violência sob o chapéu de xenofobia Depois de detidos, os suspeitos da agressão confessaram que andaram nos copos e a consumir drogas e queriam experimentar algo novo e que não foram motivados por nenhuma perspectiva xenófoba. Depois desta confissão, fiquei com a sensação de que a imprensa não ficou excitada ao saber que não foi por motivo xenófobo que o homem foi queimado com gasolina por três jovens. Para além dessa perda de excitação, ficou-se com a estúpida sensação de que “ Ok, afinal não lhe puseram fogo por ser imigrante”.

terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Mark Pollock um verdadeiro exemplo


Tive oportunidade de conhecer Mark Pollock, em Novembro último, em Belfast, num encontro do projecto Tn2020, em que ele também participou. Mark ficou cego há 1o anos. Tivemos oportunidade de fazer alguns exercícios físicos ( nos momentos de descontracção) e o Mark é simplesmente fantástico e um verdadeiro exemplo para todo nós. Subia as árvores com mais de 3 metros, descia murros com uma facilidade impressionante. Dentro de pouco tempo ele irá para o Pólo Sul. Sim senhor. Podem ver a entrevista dele.

segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Pauleta.. uma homenagem bem merecida


2. Um jornal de referência teve a iniciativa; convidados prestigiantes do mundo do futebol compareceram; pessoas anónimas a amigas estiveram igualmente, presentes; o governo apoiou e a nossa televisão (que pelos vistos está atravessar um período difícil) transmitiu em directo. Mais do merecida essa homenagem a um dos açorianos mais conhecidos de sempre e que leva, sem dizer uma palavra, mas só com os seus gestos, o nome dos Açores por esse mundo fora.
Uma das formas de transmitir e perpetuar a esperança é, justamente, reconhecer e prestar o nosso reconhecimento ao talento das pessoas; é dizer e partilhar com os outros que aqui, entre nós, somos capazes de produzir pessoas de talentos inquestionáveis, como é o caso do Pauleta. Que o percurso extraordinário do Pauleta sirva de inspiração para que possamos ter mais “Pauletas” no futebol e fora dele.

Será que todos os pretos são obamas?

Irei falar uma vez mais sobre Barack Obama, abusando do meu entusiasmo. No outro dia, um amigo meu, imigrante, preto e que trabalha na construção civil, desabafou: "Agora lá nas obras todos me chamam de Obama. Claro que fico satisfeito", continuava esse meu amigo. "Mas não me senti à vontade com a nova alcunha", terminava de forma convincente.
A conversa ficou por ali e lá levei esse desabafo comigo para as minhas horas de reflexão tendencialmente inconsequente que, presumo, todos nós temos. No dia seguinte à tomada de posse, um conhecido meu, gritando do lado oposto do passeio, perguntou-me, em tom de brincadeira, se eu assisti à tomada de posse do meu primo. Também do lado oposto, acenei-lhe com a cabeça e em tom afirmativo que assisti a tomada de posse do meu primo. Claro que todos os pretos, negros, de cor,”afro-qq” ficaram, concerteza, satisfeitos com a eleição de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos, convergindo num momento ímpar na História daquele país e do mundo que deve ser evidenciado e reforçado. Mas, essa vitória perpassa a questão da cor dos indivíduos. Eu acho que um dos grandes alicerces da vitória do Barack Obama foi a transversalidade da sua mensagem. Pessoas de todas as cores, credos e estatutos sociais aderiram sem precedentes à mensagem e ao conteúdo dos seus discursos. Envolvendo milhares de voluntários, houve um recenseamento em massa de pessoas que por um conjunto de razões nunca tinham votado. Esse mesmo grupo de voluntário suportou de forma exemplar a campanha do actual presidente. Isso, para dizer que estou ansioso que apareça um Barack Obama, homem, mulher, preto, branco, na Europa em Portugal. Tanto faz. O importante é que apareça e que seja capaz de transmitir a esperança e a confiança na liderança. A nossa classe política precisa de motivar e de transmitir uma coisa fundamental: confiança às pessoas. Precisamos de uma nova esperança nas lideranças. Apesar de todos nós sermos culpados pelo estado lastimoso que se encontra a relação dos políticos com as pessoas, a responsabilidade maior está sobre os primeiros. Precisamos de ver reflectido em todas as pessoas que nos governam a imagem de credibilidade e de competência inquestionáveis. Por isso, uma das formas de devolver ou mesmo criar essa esperança em todos nós, é passar a mensagem que quem está no centro da decisão está por mérito próprio e dificilmente outra pessoa exerceria melhor as suas funções.

segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Sim, iremos conseguir

Ontem, enquanto ouvia o discurso da tomada de posse do Barack Obama, apeteceu-me ser americano. Porém, enquanto o Barack Obama discursava, confortei-me em ser um cidadão, um cidadão do mundo que, a partir do coração do atlântico, teve o privilégio de assistir a um momento histórico para os EUA e para o mundo; um momento, em que os Estados Unidos recuperaram a tocha da moralidade. No dia 20 de Janeiro, confirmou-se o sonho de muitos homens e mulheres que no anonimato lutaram para que o julgamento e posicionamento dos indivíduos não sejam conseguidos com base na cor da sua pele. No dia 20 de Janeiro, Martin Luther King, viu o seu sonho e o de tantos outros que acreditaram e acreditam na igualdade entre os Homens, tornar-se realidade. Posso, apriori, ser suspeito por frisar, uma vez mais, o argumento da cor do novo Presidente. Entendo, todavia, que uma das piores coisas que podemos fazer é esquecer o nosso passado colectivo (com tudo de bom e de mau que ele acarreta) e não valorizar as conquistas, mesmo que simbólicas, como é o caso. A segregação racial existiu. Foram muitos os pais que tiveram dificuldades para explicarem ao filho que ele não poderia frequentar uma determinada escola porque esta só acolhia meninos brancos e que ele teria de ir para uma outra escola. Há pouco mais de 40 anos, um indivíduo, por causa da cor da sua pele, não poderia votar e escolher os seus governantes; a sua cor não era digna para contribuir nas decisões do bem comum; décadas atrás a cor a sua pele determinava quem entrava num restaurante ou outro qualquer espaço público.
Ontem, vimos esse mesmo país a empossar um homem que encarna e representa uma nova América e uma nova esperança. Uma sociedade que nos diz que com trabalho árduo e com princípios qualquer um consegue alcançar os seus objectivos. Assistir à nação mais poderosa do mundo a superar a barreira do preconceito é um feito extraordinário.
O Barack Obama sentou-se, ontem, pela primeira vez na sala oval da Casa Branca. Por isso, impõe-se perguntar o quê que poderemos esperar dele? Algumas pessoas já chamaram atenção para o facto de que as expectativas são muitas altas e que é preciso geri-las com particular atenção.

É verdade que os desafios são enormes e a herança, dentro de fora dos Estados Unidos é pesadíssima: crise económica, sistema de saúde norte-americano praticamente falido, Iraque, Afeganistão, Médio Oriente, aquecimento global, são alguns dos temas que carecem uma resposta. É certo, também, que por detrás da sua vontade tem atrás dele uma equipa e uma máquina burocrática que é preciso liderar e o sempre difícil equilíbrio entre os interesses dos norte-americanos com os do resto do mundo. Porém, tenho fé na Presidência de Barack Obama; tenho esperança que ele será um grande presidente e, por causa disso, a sua poderosa mensagem “ Yes, we can”, ficará imortalizada.
No seu discurso de tomada de posse partilhou princípios muito claros: o príncipio de partilhar decisões e não de impô-las; a noção de que o poder não dá a ninguém o direito de fazer o que lhe apetece e que a forma melhor de exerce-lo é dar o exemplo; a certeza de que a cooperação é o meio mais eficaz que os governantes têm para enfrentarem os gigantescos problemas globais; o facto acreditar na diversidade étnica dos EUA, onde todos têm um lugar à mesa; a convicção da força e da necessidade do diálogo e da paz entre povos.
Barack Obama convocou ainda homens e mulheres de boa vontade para a construção de um mundo verdadeiramente melhor; pode não ser tão depressa como gostaríamos; mas iremos conseguir. God Bless You Mr President

Prémio " Imigrante Empreendedor do Ano" da Gulbenkian

http://www.youtube.com/watch?v=J90LpizIdwM

domingo, 25 de Janeiro de 2009

Quem virá passar férias nos Açores por causa das vacas?


Férias nos Açores por causa das vacas?

Os Açores têm ainda um longo a percorrer na divulgação, enquanto destino turístico, junto dos portugueses continentais. Por outro lado, são muitas as pessoas que ainda têm uma ideia errada dos Açores, feita à base de vacas, velhos, calamidades etc. Existe uma modernidade cada vez mais visível (longe de ser o ideal) que importa dar a conhecer.

Colocar vacas em plena cidade de Lisboa, parece-me uma ideia infeliz e inconsequente. Por outras palavras, ninguém virá passar as suas férias aos açores para ver as nossas vaquinhas… por mais bem tratadas que elas estejam.

quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Um momento muito interessante


As pessoas corresponderam ao nosso apelo e marcarmos simbolicamente nos Açores o dia de tomada de posse de Barack Husseim Obama. Os convidados da tertúlia partilharam de forma entusiasticamente as suas ideias: Jean Manes (Cônsul dos Estados Unidos nos Açores), Paulo Simões (Director do Jornal “Açoriano Oriental”), Luís Andrade (Professor e Pré Reitor da Universidade dos Açores) e Pedro Bicudo (Director da RTP - Açores).
Rádio Atlântida, Antena 1 e Açoriano Oriental fizeram a ponte com a socieade açoriana.

quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Discurso de Barack Obama em Português

Apresento-me hoje aqui sentindo-me humilde perante a tarefa que nos aguarda, grato pela confiança que depositaram em nós, consciente dos sacrifícios por que passaram os nossos antecessores. Agradeço ao Presidente Bush pelos serviços prestados ao nosso país, bem como pela generosidade e cooperação que deu provas durante este período de transição.
Quarenta e quatro presidentes americanos prestaram até hoje o juramento presidencial. As suas palavras foram proferidas em tempos grandiosos de prosperidade e períodos tranquilos de paz. Contudo, houve também ocasiões em que o juramento foi prestado entre nuvens que se avolumavam e tempestades violentas. Nesses momentos, a América prosseguiu o seu caminho não apenas devido à capacidade e visão dos que ocuparam este alto cargo, mas porque nós, o povo, permanecemos fiéis aos ideais dos nossos antepassados e aos nossos documentos fundadores.
Assim foi. E assim será com esta geração de americanos. Que estamos a braços com uma crise já todos compreenderam. O nosso país está em guerra contra uma rede poderosa de violência e ódio. A nossa economia está enfraquecida, uma consequência da ganância e irresponsabilidade por parte de alguns, mas também da nossa incapacidade colectiva de fazer escolhas difíceis e preparar o país para uma nova era.
Perderam-se casas, extinguiram-se empregos, fecharam-se empresas. O nosso sistema de saúde é demasiado oneroso; as nossas escolas reprovam demasiado; e cada dia traz mais provas de que as formas como utilizamos a energia reforçam os nossos adversários e ameaçam o nosso planeta. São estes os indicadores da crise, objecto de dados e números estatísticos. Menos mensurável mas não menos profunda é a diminuição da confiança em todo o país - um receio perturbante de que o declínio da América é inevitável e de que a próxima geração tem de reduzir as suas ambições. Hoje digo-vos que os desafios que defrontamos são reais. São graves e são muitos. Não terão resposta fácil nem num curto espaço de tempo. Mas que todos fiquem sabendo: terão resposta.
Neste dia, reunimo-nos aqui porque escolhemos a esperança em vez do medo, a unidade de objectivos em vez do conflito e da discórdia. Neste dia, viemos proclamar o fim de querelas mesquinhas e falsas promessas, das recriminações e dos dogmas gastos que durante demasiado tempo sufocaram a nossa política.
Continuamos a ser uma nação jovem, mas nas palavras das Escrituras, chegou o momento de pôr de parte as infantilidades. Chegou o momento de reiterar a firmeza do nosso espírito; de escolher o melhor da nossa história; de levar por diante essa dádiva preciosa, essa ideia nobre passada de geração em geração: a promessa divina de que todos são iguais, todos são livres e todos merecem a oportunidade de lutar pela sua quota-parte de felicidade.
Ao reafirmar a grandeza da nossa nação, compreendemos que essa grandeza nunca é um dado adquirido. Tem de ser conquistada. A nossa jornada nunca foi feita por atalhos nem se contentou com pouco. Não foi um caminho trilhado por cobardes - por aqueles que preferem o lazer ao trabalho ou que procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama. Foi antes trilhado por aqueles que aceitam os riscos, os executores, os que fazem - alguns célebres, mas na maior parte das vezes homens e mulheres que trabalharam na obscuridade - e que nos conduziram por um caminho longo e difícil até à prosperidade e à liberdade.
Por nós, embrulharam os seus poucos haveres e atravessaram os mares à procura de uma vida nova. Por nós, trabalharam duramente em oficinas e colonizaram o Oeste; sofreram chicotadas e lavraram a terra dura. Por nós lutaram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandia e Khe Sahn.
Vezes sem conta, estes homens e mulheres lutaram e sacrificaram-se, e trabalharam até que as mãos sangrassem para que nós pudéssemos ter uma vida melhor. Viram a América como sendo maior do que a soma das nossas ambições individuais; maior do que todas as diferenças de nascimento, riqueza ou facção.
É este caminho que prosseguimos hoje. Continuamos a ser a nação mais próspera e mais poderosa da Terra. Os nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando a crise começou. A nossa mente não é menos criativa, os nossos bens e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada, no mês passado ou no ano passado. A nossa capacidade não foi diminuída. Mas o nosso tempo de imobilismo, de proteger interesses mesquinhos e de adiar decisões desagradáveis - esse tempo passou definitivamente. A partir de hoje, temos de nos levantar, sacudir a poeira e recomeçar a tarefa de refazer a América.
Porque para qualquer lado que olharmos, há trabalho que tem que ser feito. O estado da nossa economia exige acção, ousada e rápida, e nós agiremos - não apenas para criar novos empregos mas para lançar as novas fundações do crescimento. Construiremos as estradas e as pontes, as redes eléctricas e os circuitos digitais que alimentam o nosso comércio e que nos ligam uns aos outros. Devolveremos à ciência o lugar a que tem direito e utilizaremos com eficácia as maravilhas da tecnologia para aumentar a qualidade dos cuidados de saúde e reduzir os seus custos.
Aproveitaremos o sol, os ventos e a terra para alimentar os nossos carros e fazer funcionar as nossas fábricas. E transformaremos as nossas escolas e universidades para responderem às exigências de uma nova era. Tudo isto sabemos fazer. E tudo isto faremos.
Agora, há quem ponha em dúvida a escala das nossas ambições - quem insinue que o nosso sistema não pode permitir muitos e grandes planos. Têm a memória curta. Porque se esqueceram do que este país já realizou; do que homens e mulheres livres podem alcançar quando conjugam a imaginação e o objectivo comum, a necessidade e a coragem.
O que os descrentes não conseguem compreender é que o chão mudou debaixo dos seus pés - que os velhos argumentos políticos que nos consumiram durante tanto tempo já não se aplicam. A pergunta que hoje fazemos não é se o nosso governo é demasiado grande ou pequeno, mas se funciona - se ajuda as famílias a encontrar empregos e um salário decente, serviços que possam custear, uma reforma digna. Se a resposta for sim, tencionamos seguir em frente. Se a resposta for não, os programas serão terminados. E aqueles de nós que administram os dinheiros públicos serão responsabilizados - para gastarem com sensatez, reformarem velhos hábitos e gerirem os nossos interesses com transparência - porque só então poderemos restaurar a confiança indispensável entre um povo e o seu governo.
Também a pergunta que se coloca não é se o mercado é uma força do bem ou do mal. O seu poder para gerar riqueza e difundir a liberdade não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante, o mercado pode descontrolar-se - e que um país não pode prosperar durante muito tempo quando favorece apenas os mais prósperos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho do nosso produto interno bruto, mas da abrangência da nossa prosperidade; da nossa capacidade para dar oportunidades a cada alma de boa vontade - não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o nosso bem comum.
Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como uma falsidade a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, confrontados com perigos que mal podemos imaginar, delinearam uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos humanos, uma carta reclamada pelo sangue de gerações. Esses ideais continuam a iluminar o mundo e não desistiremos deles em nome da conveniência. E portanto, a todos os povos e governos que nos estão hoje a ver, desde as grandes capitais à pequena aldeia onde o meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de todas as nações e de todos os homens, mulheres e crianças que procuram um futuro de paz e dignidade, e que estamos preparados para liderar uma vez mais.
Recordem que gerações anteriores defrontaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças resolutas e convicções duradouras. Compreenderam que o nosso poder não consegue por si só proteger-nos nem nos confere o direito de fazer o que nos agrada. Pelo contrário, perceberam que o nosso poder aumenta com o seu uso prudente; que a nossa segurança emana da justeza da nossa causa, da força do nosso exemplo, de qualidades como a humildade e a moderação.
Somos os guardiães desse legado. Guiados por estes princípios uma vez mais, podemos estar à altura dessas novas ameaças que exigem um esforço ainda maior - e mesmo maior cooperação e compreensão entre nações. Vamos começar a deixar responsavelmente o Iraque ao seu povo, e a planear uma paz bem merecida no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, trabalharemos sem descanso para diminuir a ameaça nuclear e repelir o espectro do aquecimento do planeta. Não pediremos desculpa pelo nosso modo de vida nem hesitaremos na sua defesa, e para aqueles que procuram impor os seus objectivos induzindo o terror e massacrando inocentes, dizemos-lhes que o nosso espírito é mais forte e não pode ser dominado; não nos podem vencer pelo cansaço e nós derrotá-los-emos.
Porque sabemos que o nosso património feito de muitos retalhos é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, de judeus e hindus - e de não crentes. Somos formados por todas as línguas e culturas, atraídas de todos os cantos da Terra; e porque experimentámos o travo amargo da guerra civil e da segregação e emergimos desse escuro capítulo mais fortes e mais unidos, só podemos acreditar que os velhos ódios passarão um dia; que as linhas de divisão se dissolverão em breve; que à medida que o mundo se torna mais pequeno, a nossa humanidade comum se revelará; e que a América tem de desempenhar o seu papel de condutora para uma nova era de paz.
Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Aos líderes por esse mundo fora que procuram semear o conflito ou lançar as culpas dos males da sua sociedade ao Ocidente: saibam que o vosso povo vos julgará por aquilo que conseguirem construir, não pelo que destruírem. Para aqueles que se agarram ao poder através da corrupção, da falsidade e do silenciamento da oposição, saibam que estão do lado errado da história; mas que nós vos estenderemos a mão se estiverem dispostos a abdicar.
Aos povos das nações pobres, prometemos trabalhar convosco para que as vossas terras floresçam e para que haja água potável; para dar de comer a corpos esfomeados e alimentar espíritos sedentos. E aos países que como o nosso gozam de uma relativa abundância, dizemos que já não podemos suportar a indiferença perante o sofrimento fora das nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos mundiais sem ter em conta o seu efeito. Porque o mundo mudou e nós temos de mudar com ele.
Ao olharmos o caminho que se estende diante de nós, recordamos com humilde gratidão esses bravos americanos que neste mesmo momento patrulham desertos remotos e montanhas distantes. Eles têm algo a dizer-nos hoje, tal como os heróis caídos que jazem em Arlington nos segredam através do tempo. Prestamos-lhes homenagem não apenas porque são os guardiães da nossa liberdade, mas porque encarnam o espírito do serviço; uma disposição para encontrar significado em algo maior do que eles próprios. E contudo, neste momento - um momento que definirá uma geração - é precisamente este espírito que deverá habitar cada um de nós.
Porque por muito que um governo possa e deva fazer, é afinal da fé e da determinação do povo americano que este país depende. É a generosidade de receber um estranho quando um dique rebenta, o altruísmo de trabalhadores que preferem reduzir o seu horário do que ver um colega perder o seu posto de trabalho, que nos conduzem nas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro ao abrir caminho por uma escada cheia de fumo, mas também a vontade de um pai para criar um filho, que finalmente decide o nosso destino.
Os nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos de que dispomos para os enfrentar podem ser novos. Mas os valores dos quais depende o nosso sucesso - trabalho árduo e honestidade, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo - são velhos. São verdadeiros. Foram a força tranquila do progresso através da nossa história. O que se exige é então um regresso a essas verdades. O que se exige de nós é uma nova era de responsabilidade - um reconhecimento, por parte de todos os americanos, que temos deveres com nós próprios, com o nosso país e com o mundo; deveres que não aceitamos relutantemente mas que cumprimos com alegria, firmes no conhecimento de que não há nada tão compensador para o espírito, tão definidor do nosso carácter, como nos entregarmos inteiramente a uma tarefa difícil.
É este o preço e a promessa da cidadania. É esta a fonte da nossa confiança - o conhecimento de que Deus nos chama para darmos forma a um destino incerto. Este é o significado da nossa liberdade e da nossa fé - a razão por que homens, mulheres e crianças de todas as raças e religiões se podem juntar nesta celebração em volta desta magnífica alameda, e por que um homem cujo pai há menos de 60 anos poderia não ter sido servido num restaurante local pode agora estar aqui diante de vós a prestar o juramento mais sagrado.
Portanto, marquemos este dia com a recordação do que somos e do longo caminho que percorremos. No ano do nascimento da América, no mês mais frio, um pequeno grupo de patriotas juntou-se à volta de fogueiras agonizantes nas margens de um rio gelado. A capital fora abandonada. O inimigo avançava. A neve estava tingida de sangue. Num momento em que o resultado da nossa revolução estava mais em dúvida, o pai da nossa pátria ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo: "Que fique dito para o mundo futuro (...) que no Inverno mais profundo, quando nada senão a esperança e a virtude conseguiam sobreviver (...) que a cidade e o país, alarmados por um perigo comum, acorreram para o enfrentar".
América. Diante dos nossos perigos comuns, neste Inverno de provação, lembremo-nos destas palavras intemporais. Com esperança e virtude, vamos desafiar uma vez mais as correntes geladas e suportar as tempestades que vierem. Que possa ser dito pelos filhos dos nossos filhos que quando fomos postos à prova, nos recusámos a permitir que esta jornada terminasse, que não virámos as costas nem vacilámos; e com os olhos fixos no horizonte e com a graça de Deus, levámos por diante essa grande dádiva da liberdade e a entregámos em segurança às futuras gerações.
Fonte: www.expresso.pt

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Coincidências...20 de Janeiro... Day one

Amílcar Cabral, Marin Luther King e Barack Obama

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

À descobertas das costelas

Mudando da área, os nosso parabéns ao Cristiano Ronaldo que foi, com muito mérito, considerado o melhor jogador do mundo. É feito que todos nós devemos ficar orgulhosos e espero que sirva de estímulo para a emergência ou a descoberta de mais “ronaldos” no futebol e fora dela; Os cabo-verdianos não andaram a dormir à sombra da bananeira. Descobrimos uma costela cabo-verdiana no craque portuguesa. O bisavô do craque, José Aveiro, natural casou com a cabo-verdiana Isabel que servia, na altura, numa casa no Funchal. Depois dessa descoberta, há quem diga que já temos pessoas a trabalharem arduamente, para descobrirem alguma costela cabo-verdiana ao Barack Obama.

As presenças lusas na White House

Por falar em diáspora, o luso-descendente de origem açoriana Pete Souza foi nomeado fotógrafo oficial da Casa Branca pela equipa do Presidente eleito, Barack Obama, segundo a Associação norte-americana de Fotojornalistas. Portanto, os Açores já lá estão na Casa Branca. Sousa tem 54 anos, e regressa à Casa Branca, onde já esteve como fotógrafo oficial de Ronald Reagan. Quem tem presença garantida na Casa Branca será um cão português que é uma mistura de labrador com um poodle comum. Não foi o famoso computador “Magalhães” que irá para Casa Branca mas com as duas presença lusas a coisa não está má. Pelo menos para começar, até porque podemos ter esperança que os Estados Unidos possam vir a adquirir meia dúzia de “Magalhães”

Nova Directora

A escolha da nova Directora Regional das Comunidades, Rita Andrade que até então coordenava o departamento de emigração. Face ao percurso dela, julgo que será uma política de continuidade em torno das questões da diáspora açoriana e da imigração na região. Não deixa de ser estranho, essa mudança repentina, depois do nome da Alzira Silva ter sido publicada no Jornal oficial, com parte integrante no novo executivo açoriano. Ficou por explicar...

quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Pela Paz

Por falar em violência e como disse Ghandi Mahatama “ a doutrina de olhos por olhos apenas possui a consequência de nos por a todos cegos” vale a pena marcar a sua presença numa reunião pública, promovida pela associação “ Ilhas em Movimento” a ter lugar hoje, pelas 19h30, no Campo S. Francisco, em nome da paz na Palestina.

Dar com uma e tirar com outra

Falar de religião é sempre muito complicado. O tema é melindroso, pois para além mexer com as convicções profundas e a fé de cada um de nós as instituições religiosas têm um peso e influência brutal nas nossas sociedades. É uma constatação e não a emissão de nenhum juízo de valor. Ontem, o D. José Policarpo, um homem que, pessoalmente, acho muito inteligente, emitiu um recado para as jovens portuguesas que pretendem cair, perdidamente, de amores, nos braços dos muçulmanos: “ cautela com os amores. Pensam duas vezes em casar com um muçulmano”. O D. José Policarpo, ironizando, até meteu o Alá no barulho: “ é um monte de sarilhos que nem Alá sabe é que acabam”. Muitas pessoas não ficaram satisfeitas com esta afirmação a começar pelo próprio Alá, na hipótese de ele ter escutado tais afirmações Salvaguardando o contexto que essas afirmações foram proferidas, entendo-as como infelizes e inoportunas, por colocar todos os muçulmanos sob o mesmo tecto.
Portugal tem uma situação relativamente pacífica na questão do diálogo inter-religioso. Para além do peso estatístico pouco significativo que a população islâmica assume entre nós (entre 30 a 35 mil), no conjunto das populações imigrantes e dos seus descendentes não verificamos grandes contrastes com a sociedade portuguesa. Equivale afirmar que, apesar do peso crescente dos imigrantes e dos seus descendentes na sociedade portuguesa (o primeiro grupo representa 5%) não existem diferenças culturais abismais e que coloquem em causa a paz social e uma boa convivência entre as várias culturas e religiões. A tensão que se vive, por exemplo, em França, reforça essa convicção sobre a realidade portuguesa. Mesmo o posicionamento do líder religioso da comunidade islâmica em Portugal, o skeik David Muni, que ainda não se pronunciou sobre as palavras do D. José Policarpo, revela um espírito muito tranquilo dessa comunidade em Portugal.
Julgo que um dos grandes desafios que temos pela frente é a nossa capacidade em gerir de forma saudável o diálogo inter-religioso. Aliás, atrevo-me a dizer que a estabilidade mundial nos próximos tempos estará muito dependente desse diálogo que deverá alicerçar em duas coisas importantes: no conhecimento mútuo e na capacidade de colocar de lado as generalizações.
Devido às minhas andanças no mundo associativo, tenho dois amigos muçulmanos que residem no continente. O mais velho, a uma mulher é, também, muçulmana e, por isso, não acarreta preocupações para o D. José Policarpo. O segundo amigo, é mais novo e namora com uma portuguesa. Também esse, é um muçulmano pacífico e tem um relacionamento exemplar com a namorada. Também aí o D. José Policarpo deverá ficar tranquilo.
Porventura esses dois amigos são excepções e todos nós sabemos de histórias macabras e de autênticos sarilhos de que muitas mulheres são alvos, em nome do Islão. Estamos a falar de extremistas e com esses não vale pena estarmos com paninhos quentes.
No entanto, a prática islâmica não se resume ao extremismo e tomar a parte pelo todo, é perigoso e pode colocar em causa as bases para existência de desejável diálogo entre as várias religiões. Os extremistas, de qualquer religião ou de qualquer causa, constituem, sempre um problema e os extremistas islâmicos têm, de facto, representado um obstáculo real para a existência de uma paz duradoura em muitas partes do globo e são autênticas bombas atómicas no que diz respeito aos Direitos Humanos.
De qualquer modo, os ecos das palavras são proporcionais ao peso e a responsabilidade de quem as pronuncia. Face ao peso inquestionável que a religião católica tem em Portugal, deveria haver uma prudência. Mesmo que, como hipótese, o D. José Policarpo ter tido o que todos pensam e que é politicamente incorrecto afirmar, violência com violência é quase, sempre um caminho, com maus resultados.

terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

A amplitude da crise?

Ao que parece a crise já tomou conta da nossa vivência colectiva, se não na prática, pelo menos, no discursos. A questão que qualquer leigo em Economia coloca, como é o meu caso, como é que ninguém, nem mesmos os reputados economistas, pôde sequer prever o tal cenário de crise que estamos a atravessar? Será que temos de começar a desconfiar das previsões dos economistas? De qualquer forma, com crise virtual, real, inflacionada ou as três coisas em simultâneo, o poder político tem a responsabilidade moral de proteger o emprego e o rendimento das pessoas, sobretudo o das que por um conjunto de razões se encontram e ficam numa situação social e económica mais frágil. Esta crise pode ser ainda uma boa oportunidade para a concretização de políticas inovadoras, sem deixar de lado a necessidade de um trabalho permanente de todos nós. Estou seguro que com essa responsabilidade moral e respostas criativas, seremos capazes de dizer “ Xô crise”. Só depende de nós.

Se a ministra pudesse enviava todos os professores para um outro planeta...

Confesso de que depois de várias tentativas no sentido de perceber o substancial das discordâncias entre a Ministra da Educação e os professores, fiquei com a estranha sensação de ignorância, ou seja, não percebi e não percebo nada. Entre outras conclusões desta minha ignorância, a principal é que existe um forte ruído e contra-informação de todos os actores envolvidos nesta polémica. Num país que precisa de educação como do pão para a boca, não percebo o porquê da amplitude desta confusão. O que eu tenho percebido, no entanto, em conversa com alguns professores, é que prevalece uma desmotivação aguda junto da classe. O que tenho percebido é que muitos destes professores, se pudessem mudar de área profissional, já o teriam feito. O que tenho sentido é que na escola o relacionamento entre professores é de uma competição prejudicial entre eles que entra em contradição, em muitos casos, com o modelo de ensino e de sociedade que queremos. A pior coisa que pode acontecer a qualquer classe profissional é a desmotivação colectiva e não tenhamos ilusões de que quem paga a factura, numa primeira instância, são os alunos e, a longo prazo, a própria sociedade portuguesa que terá no seu seio cidadãos cujos mentores constituíam, na altura, a classe profissional mais desmotivada. Não há muito tempo, ser professor representava uma actividade profissional muito valorizada socialmente e seguramente que, hoje, muitos de nós, guardam uma imagem de credibilidade dos nosso antigos professores, se não de todos, pelo menos, da maioria. Por isso, impõem-se muitas questões sendo que a primeira delas é se é assim muito difícil perceber que se existe classe que deve ser acarinhada é a dos professores e que qualquer reforma tem que ser feita numa base razoável de entendimento? É difícil perceber que a educação é o meio mais eficaz que temos à nossa disposição para combater a pobreza e construir uma sociedade com um grau de desenvolvimento que todos almejam? É muito difícil perceber que, quando temos professores desmotivados, teremos inevitavelmente um mau ensino, maus alunos e péssimos cidadãos? Entendo que esse não é um problema exclusivamente entre um governo e os professores; é um problema nosso e face à centralidade que a educação assume, ou melhor, que deveria assumir, não podemos ficar na bancada a assistir à desvalorização de uma actividade profissional que tem a nobre tarefa de preparar as pessoas para o futuro. Acredito que se esse braço de ferro acontecesse, por exemplo, na saúde, há muito que o governo já tinha cedido, por força da pressão colectiva porque entendemos que a saúde é uma área intocável. Será que a educação deve merecer a nossa alienação? Nos Açores, tenho a sensação de que as coisas estão, pelo menos, mais apaziguadas e oxalá que a minha sensação seja efectivamente uma realidade.

sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Aquela última prenda

Gosto no Natal. Agrade-me ver as pessoas, de andar apressado nos centros comerciais à procura daquela última prenda. Gosto de ver a felicidade estampada na cara das pessoas que de passos apressados e acompanhadas dos cânticos de natal, meticulosamente escolhidos, procuram aquela prenda para os familiares e amigos.
Dedico, no entanto, este artigo às pessoas que, por um conjunto de razões, sei que dificilmente vão lê-lo. São aquelas pessoas que não têm um lar e nem fazem correr ninguém nos centros comerciais para comprar aquela última prenda.
Porque é natal e apesar de ter alguém a correr por eles algures para comprar a última prenda este artigo é também para eles. Para o António Paraíso. Tem 35 anos é brasileiro com sotaque nordestino. Entrou em Portugal há um ano, via Espanha. Trabalha da construção civil e vive nos Açores há 6 anos. No início do ano foi comprar um bilhete, às prestações, para ir ver a mulher e os dois filhos que ainda vivem no Brasil. Queria viajar no Natal. A agência onde comprou o bilhete abriu falência e o Natal do António Paraíso foi, literalmente, à vida. O António Paraíso foi um daqueles que estava a correr nos corredores do Centro Comercial para comprar aquela última prenda. Ironicamente estava a correr no mesmo corredor onde funcionava a agência que lhe estragou o Natal.
Este artigo é para também para Oksana. É ucraniana e vive há 5 anos nos Açores. Foi professora de Matemática durante mais de 15 anos na sua cidade natal, Betz, que se situa na parte oeste da Ucrânia, próxima da fronteira com a Polónia. O marido, também, ucraniano, andou a correr para comprar a última prenda. A Oksana espera que no Natal do próximo ano possa estar a partilhar a experiência com a sua família de ser professora de matemática nos Açores. A Oksana está à espera, há mais de 12 meses, da sua equivalência. Enquanto espera, vai ganhando a vida a limpar, entre outros lugares, os corredores que servem para comprarmos aquela última prenda.
Este artigo é para paquistanês Abhijat que está à espera há mais de um ano de uma resposta do Consulado Português no Paquistão sobre um documento que é necessário autenticar para conseguir trazer o irmão mais novo.
Também este artigo é para o Djaló, natural do país dos Bijagós; país que não obstante das esperanças que todos nós depositamos não consegue dar o tal salto. Um país que ainda não tem os tais corredores para que as pessoas possam comprar aquela prenda. Tem, claro, outros corredores. O Djaló queria que a estabilidade do seu país minimamente para poder regressar e ir comprar na Guiné aquela prenda.
O artigo é para todos nós. Todos nós temos as nossas dificuldades, as nossas angústias mas, sobretudo, as nossas esperanças e desejos. Espero que este Natal possa ser mais uma luz de esperança para todos. Que neste Natal e nos seguintes possamos todos, independentemente da origem, da cor e religião, concretizar os nossos desejos.
Os meus sinceros votos de um Santo Natal e de um ano novo repleto de felicidades.

terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Se o Obama fosse africano

A vitória do Obama tem permitido muitas discussões. Enquanto os Estados Unidos estão a se preparar para uma nova fase, tem existido um pouco por toda a Europa, um tipo da auto-reflexão sobre os preconceitos raciais e a (não) forma de integração de minorias na sociedade europeia. Muitos de nós se esgravatam se poderia existir um Obama francês, inglês, alemão, italiano ou português e perante o quadro actual a resposta é para já não. Culpa do sistema? Atraso da democracia europeia? Existência de discriminação institucional? Fraca pro-actividade e qualidade da população imigrante? Todas essas hipóteses são válidas no sentido de nos ajudarem a compreender a preocupante exclusão das minorias na vida política europeia e, em particular, a portuguesa. De qualquer modo, a vitória do Obama constitui uma gigantesca provocação à sociedade europeia e na forma como lida e vê o suposto outro.
Se é legitimo questionarmos se poderemos ter um Obama em qualquer país europeu, será um exercício estimulante e, até certo, constrangedor na sua conclusão, se perguntarmos … e se o Obama fosse africano? O título não me pertence. No outro dia, um amigo enviou-me um artigo do Mia Couto exactamente com este título, em que ele, à semelhança com que tinha feito um escritor camaronês, elabora um conjunto de interrogações sobre a possibilidade para a existência de um Obama africano.
O artigo é fantástico e não resisti partilhar com o leitor algumas dessas perguntas, e até porque foram muitos os líderes africanos que, na noite da vitória do Obama o apelidaram de “ irmão”, cuja única semelhança será, porventura, a tonalidade da cor da pele. Mais nada e qualquer outra semelhança é a mais pura coincidência.
A primeira pergunta seria: e se o Obama se candidatasse a uma presidência de um país africano? Com as escassas excepções, seria muito difícil a chegada dela ao poder se, atendermos a média de permanência dos políticos africanos no poder. Sem contabilizar os anos que o Mubague está no poder, temos o José Eduardo dos Santos ( Angola) que está no poder há 28 anos, Omar Bongo ( Gabão) mais de 40 anos, Teodoro Obiang Nguema ( Guiné Equatorial ) quase 30 anos. Eis alguns nomes de um grupo considerável de Presidentes africanos que estão no poder há mais de 20 anos. Para além da existência desses senhores no poder, no caso de aparecer uma candidatura consistente, o presidente que está no poder tentava arranjar um esquema (provavelmente alterava a constituição) para se manter por mais alguns anos a enganar os seus concidadãos. Claro, sem abordar o sufoco que é ser a oposição em África onde a pluralidade de opinião e a possibilidade de expressa-la é ainda uma miragem.
Todos sabem que o Obama é descendente de imigrantes, pois o pai era um antigo estudante queniano nos Estados Unidos. Em alguns países africanos, alguém se lembraria de fazer uma lei que impossibilitaria que um filho de um imigrante pudesse chegar ao poder. Aliás, Mia Couto dá um exemplo do antigo presidente zambiano, Kenneth Kaunda, agora na oposição, em que os actuais dirigentes alegam que ele governou o país de forma “ilegal” porque descobriram que é filho de malawianos.
Mas, também, o Obama seria tido, por alguns, como não suficientemente africano, já que a mãe era branca e, a meio do percurso, parte da elite política africana torturava-o com essa questão da “pureza africana”.
Imaginemos que, perante esses problemas todos o Obama conseguiria chegar ao poder e convidaria, em nome da estabilidade, o seu adversário do partido para ocupar um lugar de destaque no governo. Estou certo que o adversário, agora na equipa do Obama africano, estaria no dia seguinte a conversar com os militares e a desenhar um esquema para dar um golpe e, em última hipótese, assassinava o Obama africano.
Claro que esse quadro é generalista e não tem em atenção as excepções que, felizmente, existem no continente africano. De qualquer forma, é preciso esperança, esforço e espírito de auto-critica sobre a realidade dramática em que muitos países africanos vivem e para que um dia se possa celebrar de forma entusiasmada uma vitória de esperança no continente africano. É necessário criar condições para que os obamas africanos possam aparecer e vencer, também, em África.

A relatividade dos direitos

Os direitos não deveriam ser relativos mas sim absolutos. A discussão é igualmente válida quando interrogamos-mos sobre a universalidade dos direitos ou não, reflexão que vem a propósito da Celebração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Não obstante do percurso feito em torno da vivência e do respeito dos Direitos Humanos, a actual situação em que o mundo vive, é tão dramática que o simples partilhar de números de pessoas cujos direitos não existem ou são diária e primariamente desrespeitados seria um exercício abstracto e terrivelmente inconsequente.
Aprovar leis, todos os fazem: tantos os regimes democráticos como os autoritários. Aliás, agora parece-me que nem leis querem fazer, já que muitos deputados andaram a faltar, ultimamente às votações na Assembleia da República (é uma piada. Isso nunca acontece).
Apesar da inconsequência desta reflexão, vale a pena dizer que são milhares de pessoas que continuam a morrer por causa dos conflitos, muitas delas crianças e mulheres. Uns fazem a guerra, outros lucram com ela mas depois todos se sentam, à mesma mesa, para tentarem resolver o conflito. Ainda ontem a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) publicou um relatório onde evidenciou que 963 milhões de pessoas passam fome diariamente por esse mundo fora e onze mil crianças morrem diariamente de fome. Temos de ser claros e dizer que a fome não tem a ver com a escassez de alimentos mas sim com a má redistribuição da riqueza e dos meios de produção e da hipocrisia das regras do comércio internacional. A inexistência de políticas ou quando elas existem não são coerentes, nomeadamente para o sector da agricultura e comércio internacional, o aumento do desemprego e do trabalho sem direitos, as questões relacionadas com as alterações climáticas negam o direito a uma vida digna, negam a universalidade dos Direitos Humanos.
De qualquer modo, tenho a consciência que os números que nos são apresentados (por detrás estão pessoas, como qualquer um de nós) estão muito longe da nossa vivência e, por isso, não nos causa a reacção e a indignação que seriam desejáveis. Aliás, nem nos permite visualizar os culpados que, no fundo somos todos nós. Os políticos que, no conforto dos seus gabinetes e das mordomias que os cargos oferecem ou então das estratégias político-partidárias, nem estão aí para os verdadeiros problemas das pessoas. Somos nós, cidadãos, que na busca de soluções para os nossos problemas individuais, ficamos de tal forma absorvidos que esquecemos de que construir algo de bom e de forma colectiva, irá interferir de forma positiva na nossa vivência diária.
Mas não podemos esmorecer e faz toda a diferença acreditar que com determinação e a apropriação de uma agenda com base nos problemas das pessoas é possível transformar os princípios universais em acções concretas. É possível, inclusive, vivermos num mundo sem fome e miséria, sabemos como fazê-lo e este é um compromisso assumido por 189 países no mundo (incluindo Portugal).

Mas não é preciso apresentar exemplos longínquos para percebermos a dimensão das violações grotescas dos nossos direitos. Mesmo aqui na Região, vale a pena perguntar quantas crianças abandonam o sistema de ensino porque têm de ajudar as famílias no seu sustento ou quantas são vítimas de maus tratos e de negligência? Não conheço os números da Região, mas a nível nacional existem cerca de 30 000 crianças sinalizadas em riscos sociais e 3000 em risco de sofrer maus tratos. Uma sociedade que não consegue proteger as suas crianças, não vale a pena tentar fazer mais nada. Ainda, podemos perguntar quantas mulheres são vítimas de violência doméstica ou mesmo assassinadas?
Estas são algumas questões simples mas cujas respostas colocam em causa o tipo de sociedade que queremos construir na qual somos capazes de transformar os princípios em acções concretas. É uma tarefa do Estado mas não podemos, enquanto, cidadãos alhear a nossa gigantesca responsabilidade na construção de uma sociedade capaz de respeitar os direitos das pessoas.
Se não formos capazes de respeitar os Direitos Humanos e lutar pela igualdade de oportunidade e de dignidade humana em pequenos lugares; se os Direitos Humanos não tiverem significado no nosso trabalho, nas escolas que frequentamos ou no prédio em que vivemos, eles não terão sentido em lugar nenhum.

sábado, 22 de Novembro de 2008

Guiné Bissau..PAIGC continua no poder

19 partidos e 2 coligações concorreram às eleições legislativas da Guiné-Bissau e o PAIGC ( Partido Africano de Independência Guiné e Cabo Verde) continua no poder.
Os resultados:
PAIGC - 67 deputados eleitos, 49,75%
PRS - 28 deputados eleitos, 25,29%
PRID - 3 deputados eleitos, 7,52%
PND - 1 deputado eleito, 2,35%
AD - 1 deputado eleito, 1,39%

A taxa de participaçã foi de 82,%.

quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Governar à vista

Governar à vista


Um dos grandes problemas da actividade política é que se perde demasiado tempo em lidar com assuntos de gabinete, com burocracias desnecessárias e politiquices. As coisas verdadeiramente importantes e estratégicas para o desenvolvimento ficam, quase sempre comprometidas porque a governação é feita, quase sempre, à vista. Existe, um conjunto de hipóteses que explicam essa tal governação à vista, ou se quisermos, a ausência da governação estratégica: A primeira e, a mais óbvia, é que qualquer político almeja conquistar e renovar o poder, sendo que esse poder é conquistado com base numa retórica convincente e na obra feita. O problema é que a apresentação de resultados imediatos é, muitas vezes, incompatível com um planeamento estratégico, cujos resultados são só visíveis a médio e a longo prazo. A segunda hipótese e, como consequência da primeira, é que os governantes perdem muito tempo com assuntos urgentes e não com coisas verdadeiramente importantes. Essa urgência é muitas vezes artificial, ou seja, é resultado de pressões mediáticas ou de sectores da sociedade, em que o poder político vai sempre atrás. Cito um exemplo: há poucos meses, todos nós tivemos a percepção que um dos grandes problemas que o país estava a atravessar relacionava-se com a criminalidade. Essa prioridade só aconteceu porque a comunicação social ditou essa mesma prioridade, tornando-a, por conseguinte, num problema urgente. Enquanto se perdia tempo em procurar respostas para um problema “ urgente” as coisas estratégicas iam ficando pelo caminho.
A terceira hipótese é a que a governação é feita de forma muito fechada, assente em pressões locais que, frequentemente, entram em contradição com os interesses mais globais. Somando todas as hipóteses ficamos com um exercício político em que, para além de serem maioritariamente de pendor cosmético, não favorecem à emergência de soluções inovadoras. Acredito, no entanto, que isto é um problema que aflige muitas sociedades mas que no caso português essa navegação têm consequências mais graves e importa, em conjunturas de crise, semelhante à que estamos a viver, concretizar um pensamento estratégico para o País. Reparem que esta ausência de pensamento estratégico é assumida por vários actores que têm ou já tiveram grandes responsabilidades políticas (ex: Marques Mendes no seu recente livro).
O diagnóstico é aplicável para a nossa realidade regional. Os Açores têm um conjunto de desafios pela frente em que se exige um pensamento estratégico e de antecipação, já que em situação de uma crise aguda são as regiões mais frágeis e de menos recursos que pagam facturas mais elevadas. O desenvolvimento sustentado e minimamente equilibrado entre as várias ilhas, a desertificação das ilhas mais pequenas e de menor atractividade, o ângulo correcto de desenvolvimento do turismo, a diminuição da pobreza, a rentabilização do papel geoestratégico dos Açores, constituem alguns dos assuntos que impõem um pensamento estratégico, transversal e inovador.

segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Angola


Angola comemorou no passado dia 11 de Novembro, 33 anos de Independência. Todos os dados apontam, claramente, para uma nova e estimulante fase de desenvolvimento de Angola. Resta a esperança para que esse crescimento possa ser extensível às pessoas comuns e não fomente o fosso entre a elite e o povo angolano.

Os parlamentares

1. A Assembleia da República lançou há tempos um projecto na internet que se chama Parlamento Global, em que um dos objectivos é contribuir para quebrar a angustiante distância entre os eleitos e os eleitores. No outro dia, para matar a curiosidade, fui navegar no tal Parlamento Global e tive duas sensações: a primeira é que o projecto é muito interessante e sempre permiti conhecer, de forma rápida e simples, as pessoas em quem depositamos a nossa confiança para nos representar e defender os nossos interesses; a segunda sensação é que dos 230 deputados que constituem a Assembleia da República a maior parte nunca os tinha visto, o que equivale afirmar que uma parte dos deputados não têm uma participação activa no Parlamento ou se a tem, fazem-na de forma muito discreta. De qualquer forma e como os deputados regionais foram empossados hoje deixava aqui alguns apelos que povoam o imaginário dos cidadãos comum. O primeiro apelo é que fizessem um esforço no sentido de ter na região um projecto semelhante ao Parlamento Global, já que uma iniciativa desta natureza fomenta uma maior aproximação com os eleitores. O segundo apelo é que fizessem um esforço para auscultarem, no terreno, as pessoas e os seus problemas e que não o façam, exclusivamente, nos momentos eleitorais. O terceiro apelo é que tentem intervir com regularidade no Parlamento Regional, contrariando a ideia que muitas pessoas têm de que muitos deputados estão lá só para encherem chouriço. Escusado será de referir que esta percepção prejudica os que realmente trabalham no parlamento. Por último, que não fiquem a ler o jornal ou a mandar piadinhas enquanto um colega do parlamento está intervir. Fica muito feio e o parlamento deve dar o exemplo. No entanto, julgo ainda que do lado dos eleitores e da própria comunicação social deve ser reforçada a vigilância em torno do trabalho que é desenvolvido pelos deputados, de forma a distinguir os que realmente trabalham. Temos, nesta Legislatura, um Parlamento mais plural e existem todas as condições para um trabalho parlamentar que orgulhe a democracia açoriana.

quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Até Sempre...Mirian Makeba


quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Eu Acuso

video

Um dia histórico e apaixonante

Cresci a ouvir a celebre frase de Martin Luther King: “ Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vivam em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu carácter”. Cresci ainda a ouvir os relatos horrorosos da África do Sul que, manteve o Apartheid até 1990, ou seja, há menos de 20 anos, a nossa civilização convivia com um regime em que a cor da pele determinava o percurso e constituía a base do julgamento social dos indivíduos. Há menos de 20 anos, havia, na África do Sul, por exemplo, casas de banho para pretos e para brancos. Ainda não há muitos anos, nos Estados Unidos (em 1955), uma senhora preta, de nome Rosa Parks, costureira de profissão, se recusou a levantar do assento no autocarro para dar lugar a um branco. Este acto levou a boicote em massa dos negros ao transporte público no Estado da Alabama, protesto que culminou, em 1964, com a entrada da Lei dos Direitos Civis, criminalizando a segregação racial nos Estados Unidos.
A eleição de Barack Obama tem muitos significados e um deles é que abre, definitivamente, uma nova página da História dos Estados Unidos e do Mundo. Esta eleição contrariou todas as probabilidades sociais, de um miúdo filho de um preto do Quénia e de uma branca dos Estados Unidos, conseguir chegar à Presidência da nação mais poderosa do mundo. Só mesmo nos EUA, cuja liderança mundial não se mede somente pelo pioneirismo e capacidade económica, mas, também, pela inovação e mudança social, como é o caso desta eleição. Na Europa, tenho as minhas dúvidas que isso pudesse acontecer, pelo menos, nos tempos mais próximos. Será que França, por exemplo, elegeria para Presidente, um descendente Marroquino ou a Alemanha um cidadão com raízes turcas? Será que Portugal elegeria um Presidente preto? Uma rápida visão pela Assembleia da República, e ficaríamos com pistas interessantes relativas a esta questão.A propósito, o açoriano José Ferreira Medeiros, tem uma opinião bastante esclarecedora.Aliás, BO no discurso de ontem, não deixou passar a questão do racismo e a capacidade de mudança nos EUA quando disse que: "Se há pessoas que ainda têm dúvidas de que a América é o lugar onde as coisas são possíveis, que ainda acreditam que os sonhos dos nossos fundadores ainda estão vivos, se ainda questionam o poder da nossa democracia, esta noite é a sua resposta. O mérito do Obama tem ainda, na minha opinião, uma outra base de explicação; Durante o percurso que o levou à Casa Branca não proferiu o discurso de vitimização, estratégia que era seguida por muitos potenciais candidatos negros. Aliás, na altura em que a candidatura do Obama começou a ganhar alguma consistência, era considerado pela comunidade negra dos Estados Unidos como demasiado branco e, simultaneamente, pela comunidade branca, como não suficientemente branco. A tentação do discurso de vitimização, com riscos reais de fazer o efeito de ricochete de discriminação, é muito grande, sendo que esta apaixonante vitória veio confirmar, no entanto, que não é por aí que as mudanças são concretizadas. Não é com um discurso de choramingas que se faz a mudança. Obama conseguiu fazer uma campanha em que o tema do branco/preto não foi determinante. Aliás, na convenção nacional do Partido Democrata, em 2004, declarou em discurso “Não há um EUA branco e outro negro, e sim os Estados Unidos da América”.
Na altura, muitos de nós, duvidamos não da capacidade do Obama chegar a vencer esta corrida, mas da capacidade do povo americano em ultrapassar a barreira do preconceito. A resposta foi dada, com uma corrida sem precedentes na História do Estados Unidos nos últimos cem anos e uma vitória de que não deixa ninguém indiferente. Uma outra leitura que poderá nos servir para a realidade nacional e regional é a apatia das pessoas em relação à participação política. Esta vitória tem essa dimensão, ou seja, quando as pessoas se revêem na mensagem a participação acontece. Agora é hora de trabalhar e concretizar a tal mudança. Ninguém está à espera que Barack Obama mude o mundo. Mas não podemos esquecer que quem faz as mudanças não são extraterrestres, são homens, somos nós.
http://www.ponteinsular.blogspot.com/

quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

Um feito absolutamento extraordinário


domingo, 2 de Novembro de 2008

Faltam apenas dois dias...yes we can

sábado, 1 de Novembro de 2008

A apatia dos açorianos

Pode ser incómodo dizê-lo e mesmo repetitivo, mas as eleições regionais vieram comprovar, entre outras coisas, a apatia dos açorianos face à política, partindo do pressuposto de que a participação nos actos eleitorais constitui uma dimensão central dessa mesma participação política. Está longe de ser um problema exclusivo dos Açores, mas é mau para a democracia quando metade dos eleitores (53,24%) ficaram em casa num momento importante de afirmação democrática. No entanto, um dos argumentos que os estudiosos da participação política apontam para explicarem a apatia dos cidadãos face à vida política é a descrença no sistema político e no afastamento dos políticos com os cidadãos. Este último argumento é relativamente compreensível, por exemplo, em países de grandes dimensões, em que a aproximação entre os eleitos e eleitores é sempre mais complicada de contrair. Nos Açores, esta fraca participação para além de assentar em explicações generalizáveis para outros espaços tem um dado curioso, na medida em que estamos perante um pequeno espaço insular e arquipelágico (com 192956 inscritos nos cadernos eleitorais), em que a proximidade que existe deveria contribuir para uma participação política mais activa e não o contrário. Se contabilizarmos com os jovens que ainda não fizerem o recenseamento, o número de pessoas que, efectivamente, não votam, ganha uma dimensão ainda mais grave. A apatia política é um autêntico cancro para a democracia e por isso não nos podemos lembrar do problema apenas nos momentos eleitorais. Vale a pena, por isso, que nos próximos tempos se desenvolva um projecto concreto no sentido de contrariar esta tendência. Para além disso, os políticos têm outras ferramentas que vale a pena, pelo menos, discutir. No Brasil, por exemplo, o voto é obrigatório e a não participação nos momentos eleitorais sem uma justificação prévia e plausível é passível de punição. O que é interessante é que a discussão do voto passar a ser facultativo no Brasil já está a ser feita. O facto é que o voto obrigatório tem, também, uma dimensão discutível, ou seja, poderá ser entendido como um acto mais democrático e que reflecte de forma mais genuína a vontade do eleitor. Não votar é passível de ser entendido como um direito fundamental do cidadão na democracia representativa e o argumento não é de todo desprezível, tendo em conta que o eleitor pode entender que a melhor forma de dizer que já não acredita no sistema é não votar. O voto em branco poderá ser uma forma de expressar a concordância com o sistema mas o não-alinhamento com nenhuma força ou candidato.A nota que importa ser sublinhada é que é preciso medidas radicais para tentar inverter a apatia dos açorianos face à política, o que implica, antes, perceber as motivações das pessoas. As hipóteses e as respostas do senso comum tendem a predominar enquanto factores explicativos, mas as instituições com responsabilidade nesta matéria devem ajudar-nos a esclarecer essas dúvidas. Em relação aos resultados, apesar de Carlos César ter tido mais uma confiança dos açorianos para os próximos quatros anos terá a difícil tarefa de arrumar a casa no sentido de criar as condições para a emergência de um novo líder dos socialistas açorianos. Não será fácil, mas a liderança de Carlos César será avaliada no futuro, para além do trabalho desenvolvido pela capacidade que teve ou não em criar espaços para a emergência de alternativas de liderança. Vamos lá ver as coisas como é que correm, numa altura em o PSD ficou, mais uma vez, sem líder e parece-me que os dados apontam para a entrada de Berta Cabral.A pluralidade da Assembleia Legislativa será, claramente, um ganho para o debate político regional. Para além de um excelente resultado do PP, a líder do Bloco de Esquerda ficou, ela própria, surpreendida com a eleição de dois deputados. Os votos é que contam, mas o percurso do BE-Açores não permitia de todo vislumbrar esse resultado; e também com o PCP, de regresso ao trabalho, os resultados do parlamento serão mais plurais e para melhor.

domingo, 19 de Outubro de 2008

Ainda existem pobres??

Comemora-se amanhã o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza. Deduzo que a data não tenha interesse para muitos até porque morrer à fome nos dias que correm é algo que raramente acontece. Pelo menos, dirão alguns os mais distraídos. Vale reter alguns números: 900 milhões de seres humanos não têm capacidade para as necessidades primárias de sobrevivência diária, seis milhões de crianças morrem de fome e outros 161 sofrem de subnutrição crónica. Perto de 1/6 da população mundial vive com menos de 0,70 euros por dia, valor muito inferior aos 20 milhões de vacas que recebem diariamente de subsídio na Europa (2,00 euros por dia); que os Estados Unidos despenderam com a Defesa, em 2006, mais de 400 mil milhões de dólares. A fome, poderiam dizer alguns, é problema deles. Dos países corruptos, dos estúpidos dos governantes, na sua maioria africanos, que não sabem fazer outra coisa senão contribuir para empobrecer os seus concidadãos. Todavia, e por causa das relatividades dessas questões não resisto a partilhar a passagem de uma crónica de Eça Queirós (citado há pouco tempo por José Saramago) que aborda uma reunião familiar, só mulheres, sendo que umas iam fazendo bordados e uma outra ia lendo o jornal em voz alta, dando informações às restantes. A primeira notícia que ela leu foi sobre a inundação na China em que morreram milhares de pessoas, não despertando em nenhuma delas nenhum tipo de choque; a seguir partilhou com os familiares outras notícias, igualmente, trágicas mas que aconteceram em paragens longínquas e o comportamento é precisamente o mesmo. Por último, há uma pequena notícia que refere que a prima Joaquina caiu e torceu e tornozelo. A notícia despertou, logo, uma onda de emoção em todas as presentes. Isso para dizer que quando ouvimos que 6 milhões de crianças morrem de fome anualmente, percepcionamos essa tragédia como algo abstracto. Todavia, deveria haver uma solidariedade civilizacional em que fosse proibido que alguém morresse a fome. Bono, disse a propósito da actual crise financeira: “ existem 700 mil milhões de dólares para salvar o Wall Street da bancarrota mas não existem 25 mil milhões para salvar 25 mil crianças de morte certa todos os dias, então eu chamo a isso bancarrota moral”. Não poderíamos estar mais de acordo e essa resposta rápida e pujante que os países mais ricos estão a conferir para travar os efeitos desta crise financeira, comprova uma coisa muito simples: que se houvesse vontade genuína dos mais ricos, a pobreza extrema, a falta de comida, o equilíbrio ambiental ou mesmo os objectivos do milénio já estavam resolvidos; A culpa é, inquestionavelmente, dos governos e dos políticos mas, também, da própria sociedade civil (que somos todos nós) que ficamos parados a ver tamanha hipocrisia. Ficamos como as primas da Joaquina, preocupados com coisitas e as que verdadeiramente devem merecer a nossa atenção nem estamos aí.

A apatia do eleitorado açoriano

Mas, também, quase metade das pessoas nem está aí para com as eleições. Refiro aos mais de 44% dos cidadãos desta região que entendem não ir votar. São perto de 85 mil eleitores, num universo de 191 mil inscritos que entendem que a forma mais “in” de participação política é ficarem em casa. Penso que seria uma boa lição para o país, um sinal de maturidade e vivência democrática dos açorianos se no próximo dia 19 fossem votar em massa. Já que eu não voto, resta-me apelar ao sentido cívico dos açorianos. Seria vergonhoso se na noite de domingo, todas as atenções se concentrassem na apatia dos açorianos em relação à democracia. Por favor, não deixe que isso aconteça. Irritou-me, no outro dia, ouvir as bocas do Jardim a propósito das passadeiras para as vacas que teve, de resto, uma ampla cobertura nacional. Com tantas coisas positivas que vem acontecendo na nossa Região é desgostoso saber que o resto do país fica a conhecer essas nove ilhas pelas piores razões.

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Os árabes não são cidadãos honestos e nem são bons chefes de Família?

O McCain tentou corrigir mas a emenda saiu pior que o soneto. Uma senhora na plateia, usando da palavra num comício do republicano, disse que o Obama é árabe. Prontamente, o McCain defendeu o Obama, dizendo que o candidato democrata é um bom chefe de família e um bom cidadão. Os árabes é que não devem ter achado piada nenhuma a resposta do McCain.
Percebe-se a ideia do McCain mas…aliás, para mim os republicanos enceneram tudo isso para que o McCain ficasse bem na fotografia.

domingo, 12 de Outubro de 2008

Gran Canyon

Gran Canyon, nos Estados Unidos (Arizona) é considerado uma das sete maravilhas do mundo. A paisagem é absolutamente fantástica e as palavras, nestas circunstâncias, são sempre infiéis. Vale mesmo a pena visitar. No entanto, aconselho uma boa programação. As coisas no Gran Canyon estão estruturadas de tal forma que os dólares voam.
O Grand Canyon Skywalk é a principal atracção do Grand Canyon. Não aconselhável para quem tem medo das alturas. A Cris foi a realizadora do filme. video

sábado, 11 de Outubro de 2008

Campanha Política nos Açores: Déjà Vu?


Um dos momentos mais excitantes mas, igualmente, mais aflitivo do jogo democrático, é a campanha eleitoral. Se, por um lado, é altura em que as pessoas são chamadas a exercerem o seu direito de voto, por outro, são confrontadas com algumas propostas sobre as quais ninguém diz (salvo honrosas excepções) como e com que meios pensam concretiza-las. É insuficiente o mero exercício de diagnóstico do problema. Os candidatos aos cargos políticos têm, obrigatoriamente, de ir mais além apresentando soluções concretas e as vias para lá chegar. Ouço propostas provenientes de todos os quadrantes e fico sem saber exactamente qual é o caminho estratégico dos Açores que os candidatos se propõem liderar para os próximos tempos. Fico sem saber o que pensam que será as mais valias da Região daqui a 10 ou 20 anos, bem como o papel que as ilhas açorianas podem a vir desempenhar em Portugal, na Europa e mesmo no mundo. Fico, todas as vezes que acompanho os momentos eleitorais, na incógnita sobre uma visão estratégica para os Açores que, é infelizmente, substituída por propostas e discussões de medidas avulsas e que em nada nos ajudam a acreditar no caminho que nos é proposto.
Não quero com isto dizer que não é importante discutir mais e melhor acesso à saúde para as pessoas, melhor educação ou mais rendimentos para as empresas e famílias, transportes mais eficientes e menos dispendiosos para o cidadão. São propostas expectáveis e penso que uma das causas que têm determinado o afastamento das pessoas da vida política é essa excessiva previsibilidade das propostas e, paradoxalmente, o desacreditar das pessoas que, ainda assim, os políticos não conseguem cumprir as tais propostas expectáveis. Precisamos de inovar as respostas para os problemas que, na sua aparência são imutáveis mas que nas suas causas e consequências se alteram permanentemente. Por isso, é importante saber o que é queremos que essas ilhas sejam a médio e a longo prazo e, consequentemente, do caminho que temos de fazer para lá chegar. Para além de ter esta noção bem presente é preciso saber passar esta mensagem de mudança e de visão estratégica. O futuro não pode e, nem deve, esgotar-se nos próximos quatro anos e parece-me que toda a lógica da campanha eleitoral baseia-se, de forma excessiva, em questões que não são estruturais.
Apesar dos Açores estarem a atravessar uma fase inquestionavelmente positiva e estimulante a vários níveis, com consequência, da integração no espaço europeu mas obviamente, da governação nos últimos anos, ainda persistem algumas debilidades estruturais que não resolvidas, podem comprometer o desenvolvimento que todos nós almejamos.
Para além de estarmos perante um mercado muito pequeno o desenvolvimento verificado nos Açores é extremamente desigual entre as nove ilhas. A actividade económica está concentrada, essencialmente, nas ilhas de São Miguel e Terceira (cerca de 4/5 concentra-se nas duas ilhas). As perspectivas de redução de números de jovens nos próximos vinte anos são reais, sendo que são nas ilhas mais pequenas que as consequências são mais preocupantes. Mas, também, e apesar da melhoria do nível de escolaridade dos açorianos, a maior percentagem dos activos na região têm níveis de escolaridade igual ou inferior ao 3º ciclo. Os dois primeiros dados servem-nos como alerta de que precisamos de respostas inovadoras para, por um lado, minimizar o efeito da desertificação humana e da pouca atractividade que algumas ilhas apresentam e, por outro, sem prejudicar as ilhas com maior potencialidades encontrar equilíbrios entre no conjunto do arquipélago.
É claro que reconheço que essas respostas não são fáceis de serem encontradas mas não debater o problema da desertificação e do envelhecimento populacional de algumas ilhas é um erro. O desenvolvimento só é possível com pessoas; podemos ter a região mais fantástica do mundo mas sem as pessoas não vamos a lado nenhum.
Por isso, e voltando às propostas expectáveis, é relevante que nesta campanha sejam discutidas e apresentadas propostas que vão para além do óbvio e que encarnam um visão estratégica dos Açores. Mas isso não é um problema dos exclusivo dos Açores.

sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Os Açores perderam um verdadeiro soldado das causas ambientais

(In)felizmente a única verdade que os humanos transportam é a verdade da morte. A noção e a certeza que tudo isso chega ao fim... um dia. A defesa de causas tem sempre nomes; é feita pelas pessoas que acreditam que é possível um bairro melhor, uma cidade onde as pessoas possam viver melhor; um país ou o mundo mais equilibrado e mais justo. Conheci Veríssimo Borges de rua e das intervenções que fazia em defesa do ambiente. Veríssimo terminou a sua viagem ontem. Os Açores perderam um genuíno soldado do ambiente.

A Rádio Atlântida publicou a propósito do TN2020

Paulo Mendes que esteve recentemente na cimeira inaugural do projecto “Transatlantic Network 2020, uma iniciativa do British Council que visa aproximar a nova geração de formadores de opinião e líderes globais e criar novas colaborações para desafios globais.São para já 4 os desafios comuns existentes na opinião de Paulo Mendes.Um primeiro desafio tem a haver com o desenvolvimento sustentado; outro desafio tem a haver com as migrações decorrentes dos desequilíbrios do desenvolvimento; Paulo Mendes destaca ainda a problemática das alterações climáticas; um último desafio prende-se com a própria cooperação internacional.O Presidente da Associação de Imigrantes dos Açoes, refere que em virtude da “complexidade e dimensão dos problemas que actualmente o mundo enfrenta, faz todo o sentido um diálogo cada vez mais consequente e genuíno entre todos, na convicção de que juntos conseguem contribuir para a mudança que todos almejam”. Para ouvir a reportagem

terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Participação Portuguesa do Projecto TN2020

video

Belfast e Dublin acolheram de 28 de Setembro a 04 de Outubro a Cimeira Inaugural do projecto Transatlantic Network 2020, uma iniciativa do British Council que visa aproximar a nova geração de formadores de opinião e líderes globais e criar novas colaborações para desafios globais.

Representaram Portugal , João Meneses, gestor nas ONG Chapitô e TESE, Zakir Karim, presidente da juventude da Comunidade Islâmica de Lisboa e Paulo Mendes da AIPA

Para além de uma série de workshops, debates, palestras e exercícios criativos sob o tema “conflito e cooperação transatlânticos”, foi mais uma oportunidade para o reforço das relações entre a América do Norte e a Europa . Entre os oradores convidados encontraram-se a Presidente da Irlanda, Mary McAleese, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido David Miliband e Arianna Huffington, Editora-chefe e fundadora do blog político Huffington Post. Com base nas melhores práticas e ideias da cimeira, cada participante desenvolveu um plano de acção para implementação na sua comunidade.

Coisas de um outro planeta?


Confesso que tenho muita dificuldade em perceber a decisão do Procurador Geral da República em considerar legal o cartaz afixado pelos estúpidos do PNR. O procurador deveria ler com mais atenção o nº 2 do artigo 13 e nº do artº 26 da constituição portuguesa. Vale a pena, no entanto, ler o texto do Tiago no blog da PERCIP
No entanto, a atitude do PNR é compreensível, pois constitui uma lógica primária de desviar a atenção, numa altura em um tipo de extrema direita foi condenado a quatro ano de prisão pelos crimes discriminação racial, coacção agravada, detenção de arma ilegal, ameaça, dano e ofensa à integridade física qualificada.
Uma decisão histórica e exemplar que só dignifica a sociedade portuguesa.

segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

A culpa é sempre do outro

Nos últimos meses emergiram em catadupa, como se de uma estratégia concertada se tratasse, notícias, comentários e declarações, proferidas por personalidades com importantes responsabilidades no País, que contribuíram, não só, para aprofundar o clima de insegurança que efectivamente se vive, mas também, para desviar atenção das causas que estão na génese do aumento da criminalidade em Portugal que nos preocupa a todos de igual modo. Sejamos nós cidadãos autóctones ou cidadãos de outras origens nacionais que procuraram e procuram este país para honestamente trabalhar e viver. A tentativa de culpabilizar o "outro" não é, de todo, uma novidade. A história está recheada de exemplos e equívocos que importa, no presente caso desconstruir para que nem os erros, nem a história se repitam com custos elevados para a sociedade portuguesa. A falta de rigor com que, no caso de alguns responsáveis políticos, abordam a questão da criminalidade e da associação aos cidadãos estrangeiros provoca um sentimento generalizado de desconfiança e a conclusão simplista de que todos os estrangeiros são criminosos ou potencialmente criminosos. A propensão para a criminalidade não está na origem nacional ou geográfica dos cidadãos. Ela está relacionada com fenómenos sociais e económicos de exclusão, num contexto de modelo de desenvolvimento propenso a acentuar a desigualdade e a exclusão entre pessoas. Mais importante do que encontrar bodes expiatórios e relacionar a criminalidade com o origem dos pessoas é necessário enfrentar de forma corajosa o problema sem subterfúgios nem manipulações. Por outro lado, a unilateralidade e superficialidade que pautou, por exemplo, a cobertura mediática dos incidentes na Quinta da Fonte, a suposta existência de uma organização criminosa brasileira em Portugal e a referência sistemática da nacionalidade do indivíduo em situação de prática de um crime, reforçam a convicção das pessoas que a criminalidade está relacionada com os imigrantes. O Coordenador de Segurança defendeu, há poucos dias e de forma objectiva que os estrangeiros têm a responsabilidade do aumento da criminalidade. Ficou por saber o que é isso significa realmente. Todavia, o que passou para a opinião pública, a partir de um discurso absolutamente simplista mas simultaneamente grave é que os imigrantes serão os responsáveis pelo aumento da criminalidade, sem apresentar nenhuma sustentação objectiva para esta afirmação. É extraordinário que, perante essas graves declarações, ninguém exija uma a explicação ao coordenador de Segurança sobre os factos que lhe permitiram fazer tal afirmação. Perante a ausência de contraditório, somos confrontados com duas alternativas: ou o coordenador de Segurança tem números e dados credíveis que sustentam a sua declaração e teria, por isso, de os apresentar publicamente; ou então, estão todos de acordo que é mesmo verdade, ou seja, que o aumento da criminalidade está relacionado com os imigrantes. Caso se comprove que a declaração é gratuita e sem base de sustentação, é expectável que daí sejam tiradas as devidas consequências. Não podemos, é compactuar com afirmações que na nossa perspectiva são objectivamente injustas e fomentadoras de generalizações e estigmatizações da população imigrante em Portugal que, representa hoje, 5% da população residente e perto de 10% da população activa. Com excepção da alta-comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, não houve ninguém com responsabilidade tentando contrair as afirmações e notícias sistematicamente veiculadas e ampliadas na comunicação social. Não defendemos, obviamente, uma lógica de defesa gratuita mas sim a partir de factos concretos, sendo que os estudos sobre a matéria demonstram objectivamente, que não há uma relação directa da imigração com a criminalidade e nem os imigrantes apresentam uma maior taxa de incidência criminal. Vale a pena, por isso, fazer prevalecer o bom senso e rigor na abordagem da criminalidade, já que as afirmações e notícias que nos chegam não têm, definitivamente, nem uma coisa nem outra

sábado, 27 de Setembro de 2008

TN2020 A caminho da Irlanda

Durante uma semana 100 jovens líderes provenientes da Europa e da América vão estar juntos para debater as várias questões e desafios que as nossas sociedades enfrentam. Por isso, e como refere , João Wengorovius Meneses, um dos três representantes de Portugal no projecto , o TN2020 pode ser um contributo muito válido no processo de busca de melhores respostas.

quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Mais um triste contributo...

Sinceramente não sei que com base esse o Coordenador do Gabinente de Segurança chegou a conclusão que o aumento da criminalidade está ligado aos imigrantes. Se é verdade que alguns imigrantes cometem crime é muito perigoso esse discurso e fomenta atitudes xenofóbas junto da população perante os imigrantes. A moda que está a ser seguida por esse senhores é está: os culpados da criminalidade são os imigrantes.Para além deste discurso complemante irresponsável, o Coordenador do Gabinete de Segurança refere imprecisões e um discurso muito vago, desconhecedo a realidade. No entanto, a moda está a pegar.

Vale a pena, a propósito da actual crise financeira internacional, reflectir sobre essa frase

"As políticas de privatização da segurança social ficaram desacreditadas: é eticamente monstruoso que seja possível acumular lucros fabulosos com o dinheiro de milhões de trabalhadores humildes e abandonar estes à sua sorte quando a especulação dá errado." Boventura de Sousa Santos"

Acrescento: Os lucros são para alguns e quando os prejuízos batem à porta todos pagam. Quer dizer todos não. Pagam sempre os mais fracos. Será que é um sistema justo?

sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Mário casa com Mário. Maria casa com Maria. Qual é o problema

Exactamente. Qual é o problema? Um dos objectivos dos políticos é trabalharem para a felicidade das pessoas. Para cada um de nós, imbuído de convicções próprias e diferentes formas de viver a vida, a meta é ser feliz por estas bandas, não sabendo o que existe do outro lado, se é que existe. Para quem acredita que existe ainda bem, e para os que pensam o contrário resta atingir a felicidade aqui… aqui na Terra.Esta introdução meia chata vem a propósito do agendamento de discussão para 10 de Outubro sobre os projectos de Lei do Bloco de Esquerda e de Os Verdes sobre o casamento homossexual e a adopção. Depois de umas férias, aí está um tema que a direita e a esquerda têm para se entreter nos próximos tempos, se é que estamos a falar de uma questão ideológica.Eu sou a favor tanto do casamento como da adopção e é contraditório ser a favor do primeiro e mostrar alguma reserva em relação ao segundo.A questão, admito que é sensível (sobretudo a adopção) e merece alguma discussão na sua abordagem, pois a legalização da união homossexual, e consequentemente a adopção, irão mexer com o conceito, por exemplo, de família tradicional, dos valores etc. A minha premissa para a defesa do casamento homossexual é que, se existe um grupo de pessoas que entende que a sua felicidade está ao lado de uma a pessoa do mesmo sexo, o Estado tem a obrigação de criar as condições legais para que isso aconteça. Não se trata de gostos pessoais ou sequer de moralismo individual. Está em causa a construção de uma sociedade verdadeiramente igualitária nas oportunidades e não de uma sociedade que na teoria diz uma coisa e na prática assume formas de exclusão e de discriminação que, nos tempos que correm, não fazem sentido. Há um princípio, salvaguardado na constituição da República (artº 13), que é o da igualdade entre as pessoas: “Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei”. Das duas uma: ou fazemos de conta que a constituição só serve para decorar a nossa democracia e (já agora) para o Presidente a ela recorrer de vez enquanto para cortar as pernas às tentativas de aprofundamento das autonomias, ou deve orientar-nos de forma genuína no sentido de edificação de uma sociedade que faz do exercício individual e da forma como é exercida a prova máxima de igualdade entre os cidadãos.Por outras palavras, devemos é ter uma sociedade que trata de forma igualitária os seus membros, independentemente da sua condição, orientação sexual etc. Não se pode gastar milhões em projectos para a igualdade de oportunidades e ao mesmo tempo ter coisas escritas que promovem justamente o contrário. Por isso, permitir o casamento homossexual e a adopção é dar um sinal claro de combate à homofobia, mas será sobretudo uma excelente mensagem para os portugueses no sentido de que as leis não podem nem devem ser o reflexo e a perpetuação de preconceitos mas sim uma forma de os combater. O PS já afirmou que vai impor disciplina de voto na bancada, no sentido de chumbar os projectos, uma vez que o tema do casamento homossexual não faz parte do programa do Governo para esta legislatura. O PSD, por sua vez, entendeu dar liberdade de voto à sua bancada, e à esquerda do PS existe uma correcta visão sobre a matéria.Em relação à adopção, e apesar dos argumentos serem mais sensíveis, o facto é que não existe consenso científico que nos leve a afirmar que um casal homossexual não satisfaz todos os direitos básicos da criança. De qualquer modo, e em relação à votação no próximo dia 10 de Outubro, acho que a melhor forma de assumpção de responsabilidade individual do deputado é os partidos darem liberdade de voto nesta matéria aos seus deputados. Por último, e já que estamos muito perto das eleições regionais, vale a pena saber o que pensam os nossos candidatos sobre a matéria.

terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Bodes expiatórios para o problema da criminalidade


Em consequência das recentes notícias, dando conta do aumento da criminalidade em Portugal, sobretudo, da criminalidade violenta e a associação por parte de um conjunto de personalidades com responsabilidades políticas e de alguns órgãos de comunicação social que, de forma sistemática vêm imputando, de forma pouco rigorosa e objectiva, a cidadãos imigrantes a principal responsabilidade pelo aumento da criminalidade, a PERCIP enquanto representante das estruturas representativas das comunidades imigrantes em Portugal, vem tornar pública a seguinte posição:Atribuir a criminalidade e o seu aumento aos imigrantes, é um discurso simplista, de rápida aceitação e apropriação junto das pessoas. Basta que um cidadão estrangeiro cometa um crime para logo se inferir que os imigrantes são os principais responsáveis pelo aumento da criminalidade. Muitas das afirmações e ideias veiculadas nos órgãos de comunicação social e por alguns dirigentes políticos estão ancoradas, ainda, numa visão estereotipada dos imigrantes e na clara tentativa de encontrar bodes expiatórios para um problema que carece de medidas estruturais. Aliás, consideramos que esse é o mais fácil argumento para justificar a falência das políticas sociais e económicas que afectam toda a população portuguesa, independentemente da sua origem nacional e cultural. As atitudes xenófobas nascem e agudizam-se neste tipo de contexto e, por isso, é necessário enfrentar de forma corajosa o complexo problema da criminalidade, sem subterfúgios nem manipulações;A criminalidade tem origem e expressão em comunidades autóctones e estrangeiras, não são um produto exclusivamente de cidadãos que procuraram, legitimamente, Portugal para trabalhar e viver. Assim, consideramos que responsabilizar o “outro” por situações de crise, e libertar os autóctones e, mormente, os dirigentes políticos de responsabilidades na emergência e no desenvolvimento de processos negativos, como é o caso, é perigoso. Não há nenhum dado ou estudo que nos diga que a presença dos imigrantes é um factor para o aumento da criminalidade. Aliás, pelo contrário, os estudos feitos nesta matéria concluem que os imigrantes apresentam uma menor propensão para a prática criminal do que os cidadãos nacionais;Neste contexto, mais importante do que procurar bodes expiatórios, devemos ter como perspectiva que a criminalidade é um problema que diz respeito a todos nós como cidadãos comprometidos na construção de um país mais desenvolvido, equilibrado social e economicamente e com autêntica paz e justiça social;A PERCIP reafirma que mais do que medidas paliativas e manobras de diversão na comunicação social os responsáveis políticos devem concretizar esforços sérios para travar o problema da criminalidade.Hoje, os imigrantes representam cerca de 5% da população residente e 10% da população activa em Portugal que, diariamente e de forma honesta fazem o seu trabalho e concorrem, ao lado dos portugueses de nascimento, para a construção de um país melhor. O clima de insegurança afecta a sociedade portuguesa, partindo do princípio que dela fazem parte os cidadãos estrangeiros e, por isso, queremos que os imigrantes sejam, também, parte da solução do problema da criminalidade. As associações de imigrantes reiteram a sua total disponibilidade em colaborar com as entidades na procura de vias estruturais para a minimização do problema da criminalidade em Portugal.Apelamos, por isso, ao bom senso na comunicação social e dos dirigentes políticos na abordagem e na apresentação de medidas integradas de combate à criminalidade.

sábado, 13 de Setembro de 2008

O Presidente da República está com medo do aprofundamento da Autonomia?


O Estatuto Político-Administrativo dos Açores está a chatear o Presidente da República, que ameaça vetar o diploma caso não se vier a adequar das "sérias reservas político-institucionais" que manifestou na mensagem de Julho.

Eu tenho, também, uma dúvida: A Assembleia da República aprovou por unanimidade o diploma. O Presidente alegou, depois, que o diploma contem alguns artigos inconstitucionais. Sinceramente ainda não percebi os receios do Presidente. O aprofundamento da Autonomia é uma mais valia para Portugal e os tais receios revelam o carácter centralista dos poderes em Lisboa.

sábado, 6 de Setembro de 2008

O populismo de Paulo Portas



Face às declarações feitas pelo Líder do CDS-PP, Paulo Portas, no passado dia 04 de Setembro, aquando da sua visita à Ilha da Terceira, em que, a propósito do aumento da criminalidade em Portugal, defendeu o repatriamento dos imigrantes que comentam qualquer acto ilícito em Portugal, deixando no ar a ideia de que o aumento da criminalidade que o país está a assistir nos últimos tempos é da responsabilidade dos imigrantes, a Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA) vem tornar pública a seguinte posição:
A Associação dos Imigrantes nos Açores, considera as palavras e as propostas dos Partido Popular, terrivelmente demagógicas, perigosas e assentes numa perspectiva populista tanto no entendimento como no diálogo com o país, em relação a um problema que dever ser encarado com total seriedade;
Associar a criminalidade e o seu aumento à presença de imigrantes, é um discurso muito fácil e de rápida aceitação para a maioria das pessoas. Basta que um imigrante cometa um crime para se afirmar que os imigrantes são os principais responsáveis para o aumento da criminalidade. As afirmações do Líder do CDS-PP estão ancoradas ainda, numa visão estereotipada dos imigrantes e numa tentativa de encontrar bodes expiatórios para um problema que carece de medidas estruturais e não de palavras vagas desprovidas de qualquer sentido.
Não há nenhum dado ou estudo que nos diz que a presença dos imigrantes é um factor de aumento da criminalidade. Aliás, pelo contrário, os estudos feitos nesta matéria concluem que os imigrantes apresentam uma menor propensão para a prática criminal do que os portugueses.
Mais importante do que procurar bodes expiatórios, devemos ter em perspectiva que a criminalidade é um problema que nos interpela a todos nós como cidadãos comprometidos na construção de um país mais desenvolvido, equilibrado social e economicamente e com autêntica paz social. Por isso, devemos e, em particular, os responsáveis políticos, concretizar esforços sérios para travar o problema da criminalidade que resulta, não tenhamos dúvidas, do modelo desenvolvimento económico e social implementado.
De qualquer modo, a proposta do Presidente do CDS-PP, em relação ao repatriamento dos imigrantes que tenham cometido crime em Portugal, não veio trazer de novo e demonstra um total desconhecimento do actual quadro legal que regula a entrada e permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território Nacional (Lei nº 23/2007 de 04 de Junho) que não permite, por exemplo, a concessão ou renovação da autorização de residência aos cidadãos estrangeiros que tenham sido condenados em pena ou penas, que isolada ou cumulativamente, ultrapassem 1 ano de prisão (alínea d, nº 1 do artº 78º)
Por último, gostaríamos de dizer que o Presidente do CDS-PP, escolheu o local errado para proferir tais palavras e por duas razões: A primeira é que nos Açores, os imigrantes estão a integrar-se de forma muito positiva e, tais afirmações serão interpretadas pelas pessoas como um sinal ainda de maior populismo e demagogia. Segundo, os Açores representam, dentro do contexto nacional, a região em que o repatriamento de portugueses do Canadá e Estados Unidos assume dramas humanos absolutamente cruéis, sendo que o local ideal para abordagem do problema é onde os crimes são cometidos.

sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Kits de Verão.


Pelos vistos, o termo KIT está na moda e os açorianos sabem-no bem, pelo menos, os que receberam pelo correio uma caixinha contendo, entre outras coisas, uma bandeirinha, um cd, autocolantes, que o Governo enviou e apelidou de forma simpática de “ Kit Autonómico ” Para quem quer fazer um programa de humor e, no caso de se esquecer do Hino dos Açores, terá sempre à mão o tal kit autonómico e a questão fica resolvida. Confesso, no entanto, que não recebi nenhum Kit Autonómico em casa. Acreditando que a sua distribuição tenha sido aleatória, ainda perguntei algumas pessoas se receberam o famoso Kit autonómico mas todas as respostas foram negativas. O problema, comecei a pensar, teria a ver com a minha amostra e parei de perguntar.
Isso a propósito da queixa feita pelo CDU em relação à distribuição do KIT Autonómico pelos lares da Região, alegando à utilização indevida dos símbolos da região, numa altura em que estamos a menos de dois meses das eleições regionais, proporcionando alguma confusão entre as iniciativas governamentais e partidárias.
Devo dizer que é importante qualquer esforço na tentativa de dar a conhecer às pessoas os símbolos da região, fomentado aqui o reforço da identidade açoriana e do espírito autonómico, sendo que as instituições públicas têm, neste aspecto, um papel importante.
O actual governo regional teve e terá (caso vença as próximas eleições) muito tempo para dar a conhecer à população os símbolos da autonomia açoriana. Era escusado tê-lo feito nesta altura, a menos de dois meses das eleições. Ficou numa posição de ser criticado legitimamente por alguns partidos. Não havia necessidade. Já agora, pergunto onde posso ir buscar o meu Kit… Kit Autonómico (entenda-se).

domingo, 31 de Agosto de 2008

A Europa Fortaleza


Foi aprovada recentemente, no Parlamento Europeu, a Directiva do Retorno, que representa na nossa perspectiva um autêntico retrocesso no quadro de uma política realista e adaptada aos nossos dias, que seria aconselhável ser implementada nos espaços de acolhimento dos fluxos migratórios, em particular na Europa. Esta directiva, assente numa visão difusa, errada e preconceituosa em torno das migrações, desfoca de forma primária a questão essencial. Todos nós estamos de acordo que é preciso um combate sério em relação à imigração irregular, sendo necessário o desenvolvimento de acções e medidas concretas no sentido de potenciar que os fluxos migratórios se concretizem dentro da regularidade. A opinião pública, por sua vez, tem uma visão completamente distorcida das migrações, sendo que as ideias e respostas ponderadas e realistas estão cada vez mais ausentes do debate. Mas também é uma verdade que a aprovação desta Directiva assenta numa perspectiva ideológica anti-imigração que, gradualmente, vem ganhando terreno nesta Europa que se quer construir em sólidos princípios de defesa dos Direitos Humanos. Por outro lado, a visibilidade que se empresta à imigração irregular (como é o caso desta directiva) reforça a percepção de que a maior parte dos imigrantes são indocumentados ou que os fluxos migratórios ocorrem de forma não autorizada. O problema não está neste diagnóstico, ou seja, que é preciso retirar o controlo dos fluxos migratórios das mãos das redes organizadas e de traficantes de pessoas. O problema radica nas opções que são apresentadas para atingir esse fim. A Directiva tem muitos aspectos condenáveis e podemos citar um exemplo: fixa, em dezoito meses, o período máximo de detenção de imigrantes indocumentados, antes da sua deportação. Como um primeiro passo, fixa um máximo de seis meses, que pode ser prolongado por mais doze meses no caso de falta de "cooperação" dos países de origem dos migrantes. É inaceitável que as pessoas que, pelo facto de não terem uma simples autorização administrativa, sejam tratadas como criminosas. A Directa prevê ainda que a partida de um imigrante indocumentado, suavemente chamada de "remoção", tenha lugar numa base "voluntária" mas que este, no caso de resistência, poderá ser forçado ou obrigado a sair, sendo depois proibida a sua entrada no território da UE durante cinco anos. No entanto a Eurostat divulgou no início da semana as projecções demográficas na Europa daqui a quase 50 anos, evidenciado a imigração como um dos factores vitais para minimização dos efeitos negativos do envelhecimento populacional na Europa, que assume proporções cada vez mais preocupantes. Sendo certo que a imigração não pode ser vista como um mero instrumento para resolver o problema demográfico, estes dados ajudam-nos a encarar os imigrantes de uma outra forma.
De qualquer modo, julgo que estamos a assistir na Europa um claro retrocesso dos direitos sociais e as várias conquistas estão cada vez mais comprometidas. A Europa está cada vez mais à direita. Os poucos governos de esquerda que ainda estão no poder são de uma esquerda altamente duvidosa ( Portugal é um exemplo).
Por outro lado e, porque a maioria dos governos estão à direita é mais fácil aprovar determinadas medidas ( ex.a directiva de imigração a possibilidade da semana de trabalho chegar as 78 horas) nos conselhos intergovernamentais do que, por exemplo, nos parlamentos nacionais.

sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

A perigosa "relação" entre a imigração e criminalidade




É incontestável o aumento da criminalidade em Portugal nos últimos meses e, por consequência, da percepção da insegurança por parte da população. Segundo alguns dados, a criminalidade aumentou 10% nos últimos dois meses. Ontem, 28 de Agosto, o Ministro da Adminitração Interna, na Grande Entrevista, na RTP, na tentativa de explicar o actual quadro legal e das medidas do Governo para travar o problema, referiu que, nos últimos dias, houve, entre outras medidas, um reforço de segurança nas fronteiras portuguesas por causa de imigração ilegal. Subjacente a essa medida, está algo que é recorrente nos discursos políticos e na população em geral, que é de associar a criminalidade à imigração. A ligação é muito fácil, mas é perigosa, injusta e falsa. O Ministro deveria explicar melhor e presta um péssimo serviço ao tentar arranjar bodes expiatórios para o problema da criminalidade em Portugal.
No dia 27, n Jornal da Noite da SIC e peça começa assim: uma estação de serviço foi assaltada por três indíviduos da raça negra, ou seja, três pretos. Lamentável que a comunicação insista em em fazer reportagens, potencialmente, racistas e discriminatórias.

quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

A medalha intercultural do Nelson Évora


Custou muito mas Portugal conseguiu trazer o ouro da China. Muitos já não acreditavam que Portugal iria ganhar uma medalha de ouro nos jogos olímpicos mas o salto 16,67 metros do Nélson Évora deu-nos uma alegria indescritível a todos nós e colocou Portugal no pódio nesta modalidade. Foi fantástico ver o Nelson Évora abraçado à bandeira portuguesa. Seria, porém, muito chato e uma autêntica derrota, se Portugal não conseguisse ganhar nenhuma medalha de ouro nesses últmos jogos olímpicos. Para alguns países, nomeadamente, os de menos recursos, participar já é uma vitória e não existe nenhuma expectativa em torno das medalhas. Portugal, porém, já passou esta fase e quando os atletas portugueses estão numa competição (pelo menos em algumas modalidades) é para ganhar.A medalha de ouro conquistada por Nélson Évora no triplo salto dos Jogos Olímpicos tem um significado muito especial, porque é um exemplo acabado do tipo de sociedade que almejamos construir, valorizando a diversidade e não fazendo com que o local de nascimento seja um factor de discriminação como é, para o caso de milhares de imigrantes, que se encontram entre nós. Os pais de Nelson Évora nasceram em Cabo Verde e têm a nacionalidade cabo-verdiana. O atleta nasceu na Costa do Marfim, em 1984, obtendo a nacionalidade portuguesa em 2001. Muitas universidades norte-americanas ofereceram bolsas de estudo ao atleta para ir estabelecer nos Estados Unidos. Se o atleta acedesse à tentação era mais um ouro para os Estados Unidos e, nesta altura, o Presidente do Comité Olímpico Português estava com a cabeça a prémio. O local de nascimento é um acaso do destino e, hoje, é cada vez mais evidente. Ser português, nos dias que correm, não implica nascer, necessariamente, em Portugal. Ser português implica sentir e amar este país, sendo que esta noção é aplicável para qualquer território. Por isso, estou convencido que este sucesso do Nelson Évora irá nos ajudar a construir esse novo Portugal assente na diversidade e na pluralidade. Temos por este país todo muitos "Nelsons" que não irão dar nenhum ouro a Portugal mas que é necessário respeita-los e fazer com que possam dizer com o mesmo orgulho: sou português nascido no Brasil, Ucrânia, Angola, Paquistão ou outro sitío qualquer. É este o caminho que estamos convencidos que teremos de percorrer e a vitória do Nelson Évora é uma homenagem a todos que amam Portugal, independentemente do local de nascimento.

quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Os fantasmas dos lusófonos



Para além das alterações dos protagonistas (excepção do presidente angolano e guineense, infelizmente) vale a pena questionar, passados estes 12 anos após a constituição formal da CPLP, sobre o papel que a organização tem vindo a desempenhar, numa altura em que Guiné-bissau passou a assumir o secretariado executivo da Comunidade depois de o cargo ter sido ocupado por Cabo Verde, através do Embaixador Luís Fonseca que foi condecorado pelo presidente português com a Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique.
Apesar do esforço que acredito que alguns dirigentes têm vindo a desenvolver, o facto é que a CPLP continua a ser uma organização com elevado grau de inoperância e de pouca penetração e a apropriação das pessoas que têm em comum a língua portuguesa.
Esta minha opinião resulta não tanto das pessoas que dirigem a organização, mas sim de problemas estruturais que, não resolvidos, irão agudizar-se no futuro, fazendo com que a comunidade seja um mero espaço de conversas inconsequentes entre os chefes de estados e os seus ministros, em torno da língua comum.
Penso que um dos problemas de fundo da comunidade lusófona é o facto de colocarem na mesma mesa o colonizador e os colonizados. Não que isto seja, necessariamente, um problema. O complicado são ainda os tais recalcamentos e graus elevados de complexo do passado colonial que constituem autênticos obstáculos a um diálogo sério e, sobretudo, consequente, em torno do projecto lusófono. Os portugueses levam a coisa com cuidado para que as suas intenções não sejam interpretadas de forma errada; os países africanos (uns mais que outros) sentam-se à mesa já desconfiados e prontos a interpretarem tudo e mais alguma coisa sob o prisma do passado colonial.
Claro que o colonialismo é algo absolutamente condenável na sua própria definição, sendo necessário um esforço colectivo no sentido ultrapassarmos os traumas do passado colonial e encarar as coisas com um outro olhar. Um exemplo acabado do fantasma colonial é a reserva e o desconforto relativamente à utilização do termo "lusofonia" por parte de alguns os países.
O segundo problema da CPLP são os seus próprios membros, partindo de um pressuposto básico de que a qualidade do colectivo dependerá de cada uma das partes. Portugal andou muito tempo distraído com a sua integração na União Europeia, relegando para planos completamente secundários outros espaços de integração, como é o caso da CPLP. O Brasil leva a CPLP de forma muito desconstruída e não empenha o necessário esforço compatível com a sua dimensão. No quadro africano, a situação é ainda mais complicada. Dou um exemplo: Angola, apesar da capacidade financeira e, por causa disso, é o país que vivencia de forma mais profunda os complexos do passado colonial. Foi estranha, por exemplo, a ausência do presidente angolano na última cimeira que decorreu há poucos dias em Lisboa. Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe não conseguem resolver os seus problemas domésticos básicos. Fico por aqui.
Um terceiro problema é a não apropriação da CPLP por parte da sociedade civil. A cimeira que foi realizada agora em Lisboa passou, por exemplo, completamente despercebida. Está na gaveta, há já algum tempo, o estatuto do cidadão lusófono, tendo uma das vantagens a livre circulação dos cidadãos lusófonos. Por razões de compromissos dos Estados Membros com outras integrações em espaços regionais, o estatuto do cidadão lusófono dificilmente conhecerá a luz do dia.
Aqui na região, salvo uma iniciativa que é desenvolvida pela Câmara Municipal da Lagoa e da Ribeira Grande, nunca vi nada a acontecer em torno da lusofonia e prevalece um desconhecimento total sobre a CPLP.
E assim vamos em torno da nossa comunidade.

terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Afinal dorme-se em Nova York

video

sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Funcionária da Junta de Freguesia de Benfica acusa presidente de racismo, autarca nega

olhos

Lisboa, 29 Jul (Lusa) - Uma funcionária da Junta de Freguesia de Benfica acusa o presidente de racismo e de proibir conversas em crioulo nas instalações, mas o autarca alega que se trata de "especulação política" e admite instaurar um processo disciplinar por difamação.ugal

O meu comentário: Portugal é um país plural e desde que falar a língua materna não está a interferir com o normal desenrolar no trabalho não vejo, sinceramente, qual é o problema. A pluralidade tem que ser vivida e este Presidente de Junta merece reformar.

quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Obamamania

obama

Se a eleição do próximo presidente dos Estados Unidos acontecesse hoje e dependesse do resto do mundo Barack Obama, seria o eleito para ocupar o gabinete oval da Casa Branca. Esta ideia assenta numa sondagem feita em alguns países (europeus) em que 52% dos inquiridos votariam no candidato democrata para a presidência. Confesso, também, que navego totalmente nesta onda da Obamamania e que se votasse no outro lado do atlântico, o meu voto iria para ele. Pelo discurso de esperança e, sobretudo, pela força das suas ideias de mudança, junto a minha voz de apoio a este homem que cresceu num meio potencialmente intercultural (filho de pai, negro natural do Quénia e de mãe branca dos Estados Unidos) mas que muito cedo viveu as amarguras de pertencer a uma minoria. De negro, preto, de cor e, finalmente afro-americano, Barack Obama experimentou, diria que inevitavelmente, todas esses apelidos que, faz confusão tanto aos pretos como os próprios brancos.

O percurso do Barack Obama e toda a expectativa que está a ser criada em torno da sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos assenta, claramente, nas suas qualidades de liderança, de comunicação e, essencialmente, de ter uma ideia ou, se quisermos ainda, uma utopia para os norte americanos e, em última instância, para o próprio mundo.

A questão do Obama ser preto, negro ou afro-americano é secundária, e, simultaneamente, importante, dependo do ponto de vista de análise. O que as pessoas querem é um líder capaz, competente e com uma visão clara sobre o caminho que deverá ser percorrido. Visto as coisas desta forma e porque o Obama reúne estas qualidades, a cor da pele ou uma outra qualquer característica física não tem importância nenhuma. No entanto, temos de ver o mundo como ele é e não será concerteza, pelo facto de se ter um negro com fortes possibilidades de vir a ser o Presidente da potência mundial que o problema da discriminação racial fica resolvido, assim, de repente. Todavia, a candidatura do Obama à Presidência dos Estados Unidos, constitui, inquestionavelmente, uma revolução cultural, como o próprio Mário Soares, defendeu, na semana passada, no âmbito do Fórum Roosevelt que decorreu em Ponta Delgada nos Açores

Como já o disse em outras ocasiões, ainda carregamos o fardo de um passado terrivelmente trágico nas questões raciais. O mais recente, foi o Apartheid em África do Sul que vigorou até finais 1990. Portanto, foi ainda há 18 anos que o mundo sabia da existência de um país em que havia escolas para brancos e para pretos; autocarros para os mais claros e para os mais escuros; os pretos não podiam votar, com base na crença da inferioridade de uma pessoa em função da cor da pele.

No próprio Estados Unidos, há pouco mais de 40 anos que se pós termo a segregação racial e desde então o país tem lutado para que o problema racial fosse, efectivamente, resolvido.

Muitos acham que Barack Obama é mais um e que a única diferença é que ele tem em relação aos outros democratas é a cor da pele e que o seu projecto de mudança é muito vago. Acho que não e, assumindo os riscos próprios de quem não conhece a realidade concreta dos Estados Unidos, acredito que a forma como ele apresenta para gerir os problemas, a sua visão sobre o tema do Iraque e a própria noção do papel que os Estados Unidos devem ter no mundo, asseguram esta mudança.

Porém, há um perigo real que está relacionado com o facto de se depositar muitas expectativas sobre o Obama na resolução dos problemas domésticos dos Estados Unidos e do mundo. A sua exposição mediática está a ser explorada pelo seu adversário republicano, que está a fazer um anúncio comparando o Obama a celebridades como Britney Spears e Paris Hilton que são muitos populares que não sabem administrar nada.

Sozinho, seguramente, que ele não consegue resolver todos os problemas e nem é expectável que assim acontecesse. O que me motiva e, julgo, também, os norte-americanos que o apoia, é que o Barack Obama personifica alguma mudança; espero que este vento de mudança sopre para outras latitudes.

www.ponteinsular.blogspot.com

domingo, 20 de Julho de 2008

TN2020

Tenho tido o privilégio de participar num projecto desenvolvido pelo British Council, denominado Transatlantic Network 2020 (TN 2020). Basicamente, o TN2020 pretende fortalecer os laços entre a Europa e América de Norte, a partir da criação de uma rede sustentável de jovens líderes, provenientes de diferentes áreas de acção e formação, proporcionando-lhes o alargamento das suas próprias perspectivas e competências de liderança, ao mesmo tempo que contribui para um futuro mais forte no relacionamento transatlântico. Todos sabem que o mundo enfrenta, actualmente, desafios gigantescos que não são compatíveis com actuações isoladas nem suportadas por visões egocêntricas e alicerçadas em interesses de cada país.
Os problemas que temos à nossa frente não são ficção e nem devem ser falados só por uma questão de cliché. Os efeitos das alterações climáticas são reais. Na recente cimeira do G8 realizada no Japão, saiu um acordo para a redução em 50% das emissões de carbono para a atmosfera até 2050. A China, Brasil, Índia, México, Índia e África do Sul defendem metas de 25% a 40%, com o argumento de que os países mais industrializados devem assumir a liderança na redução de emissão de gases, possibilitando maior espaço de manobra às economias emergentes. O argumento é compreensível mas muito discutível. No entanto, são esses interesses, muitas vezes antagónicos, que constituem obstáculos na resolução dos nossos problemas colectivos. Também não é novidade para ninguém que o mercado petrolífero mundial está a ficar cada dia que passa mais insuportável economicamente. A produção do crude, defendem os especialistas, está a chegar a um pico e no final da próxima década haverá um colapso com consequências imprevisíveis.
As migrações forçadas, resultantes da pobreza extrema em que uma parte da população mundial vive e da instabilidade politica, está a colocar em causa, todos os dias, o conceito de fronteira e a capacidade dos Estados em controlarem os fluxos migratórios. A única forma que os Estado têm de lidar seriamente com os fluxos migratórios irregulares é promoverem condições de vida dignas a um maior número de pessoas. Privilegiar os meios repressivos para a resolução dos fluxos irregulares é contraproducente e os políticos sabem isso muito bem. Porém, querem é passar para a opinião pública a ideia de que os Estados conseguem regular os fluxos migratórios. Nada mais falso. A Europa e os Estados Unidos têm um papel cada vez mais central na procura de melhores soluções para alguns dos desafios atrás referidos e para que possamos construir uma ponte sólida é fundamental que se conheça, pelo menos, as duas margens, sob pena de ela ruir a qualquer momento. Sob vários domínios, a Europa e os Estados Unidos são actores da primeira linha no mundo, mas prevalece uma falta de conhecimento e de compreensão mútua dos continentes, não obstante a vontade existente no estreitamento das relações, conclusões que foram retiradas de um estudo encomendado pelo Bristish Council com o propósito de avaliar o grau de relacionamento entre os europeus e norte-americanos e as percepções e imagens existentes entre ambos. A partir deste estudo, realizado na UK, EUA, França, Alemanha, Polónia, Turquia, Irlanda, Canada e Espanha, ficamos a saber que prevalecem estereótipos entre os dois lados do atlântico e a avaliação da cooperação entre os Americanos e os Europeus na busca de soluções para as questões globais é negativa. A título de exemplo, nas alterações climáticas 58% dos inquiridos avaliaram negativamente o actual estado da cooperação e 53% para as questões migratórias. Indo ao encontro do que seria expectável, o relacionamento comercial foi a única área que mereceu uma avaliação positiva.

I Fórum Açoriano Franklin Roosevelt

A propósito das relações transatlânticas que decorreu na semana Ponta Delgada, o I Fórum Açoriano Franklin Roosevelt com reputados especialistas. Os Açores, face à sua condição geográfica, histórica e social, podem ter um papel relevante na construção deste diálogo entre as das margens do atlântico. Os conceitos de centro e periferia são construídos e dependem, em grande medida, do aproveitamento rápido e inteligente de contextos muito específicos. Por isso, a existência de uma visão politica clara sobre o potencial e a importância que os Açores assumem, no meio do oceano, é um grande passo.
A nota positiva vai o Presidente do Governo Regional que, fez uma excelente discurso abertura. A nota negativa vai para a pouca afluência do público ao Fórum que pela qualidade dos oradores era expectável uma boa audiência.

terça-feira, 15 de Julho de 2008

Condecorações em massa

As condecorações quando são feitas em massa geram sempre efeitos perversos. Por outras palavras e socorrendo de um ditado popular “ é um pau de dois bicos” O Presidente da República de cabo Verde Pedro Pires, entendeu distinguir, algumas associações e personalidades pelo trabalho meritório que desenvolvem em Portugal em prol da integração das comunidades cabo-verdianas e na criação de pontes culturais com o arquipélago. Sou um defensor do movimento associativo, enquanto, um meio privilegiado de trabalho junto das comunidades e o reconhecimento por parte das entidades oficiais é uma forma simpática de valorizá-lo.

No entanto, o risco que se corre nessas “ondas” de condecorações é sua banalização; tentar agradar os gregos e os troianos, colocando em causa a essência de uma distinção que, por definição, deveria ser um selo que distingue uns de outros, pela positiva, naturalmente.

Algumas associações e personalidades que irão ser condecoradas pelo Presidente Cabo-verdiana merecem inquestionavelmente essa mesma distinção. Outras que estão na lista são, pelo menos, discutíveis.

Como esta condecoração é feita quase que em massa, perde-se o brilho e ficamos a pensar “ qualquer um pode ser condecorado”. Não deveria ser assim, até porque algumas dessas pessoas e associações merecem muito mais que uma condecoração.

quarta-feira, 9 de Julho de 2008

A criminalização dos indocumentados

No outro dia contaram-me uma história que aconteceu na Região, na altura da segunda guerra mundial, portanto, há mais 60 anos que revela dois sentimentos muitos característicos dos humanos e, simultaneamente, contraditórios. São Vicente é a segunda ilha mais importante de Cabo Verde e sempre teve uma forte tradição marítima. Uma fantástica baía e um porto com excelentes condições suportam este rótulo. Esta tradição é também, visível através de centenas velejadores que todos anos atracam na Ilha do Porto Grande, nome pela qual é, igualmente, conhecida. Por outro lado, toda a estrutura social da ilha de S. Vicente foi fortemente influenciada por esta vocação marítima e, em tom de brincadeira, costumamos dizer que todos os habitantes da ilha falam o inglês e que são muitos que dão a volta ao mundo nas várias embarcações que por ai passam.
Na Ilha de Terceira, viveu por mais de 60 anos um senhor que todos os conheciam por “Cabo Verde”. Chegou à ilha, por acaso, num acto de indescritível coragem mas, também, revelador na mesma proporção da crueldade dos seres humanos, pelo menos, de alguns. O senhor “Cabo Verde acompanhado de mais um amigo, viajaram de forma clandestina, num navio grego, que saiu do Porto do Mindelo, em Cabo Verde, com destino à Europa. Estávamos ainda em plena segunda guerra mundial. Durante a viagem, a tripulação encontrou-os escondidos no porão do navio. Sem qualquer misericórdia e um completa ausência de estima pela vida humana, o capitão ordenou que mandasse os dois cabo-verdianos para a borda fora. O barco estava a passar relativamente perto da das ilhas açorianas. O amigo de “ Cabo Verde”, apesar de esforços não conseguiu resistir no alto mar. “ Cabo Verde”, já completamente cansado e o corpo e a não responder a vontade de continuar vivo. De repente, “ Cabo Verde, avistou uma pequena luz e pensou que fosse a morte a chama-lo. A medida que nadava a luz aumentava de brilho. A aproximação da luz deu-lhe força e continuou a encurtar a distância, quando percebeu que a luz era um candeeiro de uma pessoa que estava a pescar, durante a noite, na costa norte da Ilha da Terceira. Assim que se aproximou, o tal pescador deu-lhe as mãos, puxando-lhe para cima das pedras que dividiam o oceano da terra.
O Sr. “Cabo Verde”, nunca mais voltou à ilha do Porto Grande. Casou e constitui família por aqui, deixando descendentes que criaram entre a cultura açoriana a cabo-verdiana. O Sr. “Cabo Verde morreu há pouco mais de dois anos, na mesma ilha que lhe deu e a esperança e que lhe acolheu por mais de 50 anos.
São muitos que não têm a mesma sorte que Sr. “Cabo Verde”; são incontáveis as pessoas que tentam desesperadamente melhores condições de vida, arriscando, inclusive o que têm de mais precioso: a própria vida.
O facto que acabei de relatar não é, infelizmente, ficção e, hoje, esses dramas humanos continuam a ocorrer todos os dias e, muitos dos quais, terminam da pior forma possível.
Como é do conhecimento público, o Parlamento Europeu aprovou, há poucos dias, uma Directiva que, em termos gerais, criminalizar os imigrantes indocumentados no solo europeu. A Directiva da Vergonha pretende, depois de deixar que muitos homens e mulheres contribuam na construção das estradas europeias e que vendam a sua força de trabalho para sectores que muitos desprezam, os expulses e com uma elevada probabilidade de ficarem detidas até 18 meses.
O Presidente Sarkosy disse, poucos dias antes do início da presidência francesa da União Europeia e a propósito do tema da imigração que “ A França, ou a Europa, não vão aceitar toda a miséria do mundo”. A frase até soa bem, mas está repleta de hipocricia.

terça-feira, 24 de Junho de 2008

A Directiva da Vergonha




Foi aprovada, ontem, no Parlamento Europeu, a Directiva do Retorno que representa um autêntico retrocesso no quadro de uma política realista e adaptada aos nossos dias que seria aconselhável ser implementada nos espaços de acolhimento dos fluxos migratórios, em particular, na Europa. Essa directiva assente numa visão difusa, errada e preconceituosa em torno das migrações, desfocando de forma primária da questão essencial. A preocupação essencial aqui é, por um lado, potenciar uma verdadeira política de integração e, por outro, gerir de forma equilibrada os fluxos migratórios.
Todos nós estamos de acordo que é preciso um combate sério em relação à imigração irregular, sendo necessário o desenvolvimento de acções e medidas concretas no sentido de potenciar que os fluxos migratórios se concretizam dentro da regularidade. A opinião pública, por sua vez, tem uma visão completamente distorcida das migrações, sendo que as ideias e respostas ponderadas e realistas estão cada vez mais ausentes do debate. Mas, também, é uma verdade que a aprovação desta directiva assente numa perspectiva ideológica anti-imigração que, gradualmente, vem ganhando terreno nesta Europa que se quer construir em sólidos princípios de defesa dos Direitos Humanos. Por outro lado, a visibilidade que se empresta à imigração irregular (como é o caso desta directiva), reforça a percepção de que a maior parte dos imigrantes são indocumentados ou que os fluxos migratórios ocorrem de forma não autorizada.
O problema não está neste diagnóstico, ou seja, que é preciso retirar o controlo dos fluxos migratórios das mãos das redes organizadas e de autênticos traficantes de pessoas. O problema radica nas opções que são apresentadas para atingir esse fim.
Mas, antes de entrar nos factos concretos que suportam esta directiva de vergonha, vale a pena definir os indocumentados: Num grupo mais alargado, temos pessoas que, na sua maioria, entram num outro país com vistos de curta duração e prolongam a sua estadia, excedendo o período de permanência. Num outro grupo, temos pessoas que entram no mercado de trabalho sem terem uma autorização administrativa para o efeito. Por isso, quando estamos a falar de cidadãos “ilegais”, estamos a falar de pessoas que o único crime que cometeram foi fugir à pobreza e procurar melhores condições de vida num outro território, não tendo para o efeito uma autorização administrativa. Quem ouve e vê alguns comportamentos e medidas, ficamos com a convicção que se está a falar de autênticos criminosos.
Mas vamos por factos concretos: Primeiro, a directiva fixa em dezoito meses o período máximo de detenção de imigrantes indocumentados, antes da sua deportação. Como um primeiro passo, fixa um máximo de seis meses, que pode ser prolongado por mais doze meses no caso de falta de “cooperação” dos países de origem dos migrantes. É verdade que os Estados Membros são autorizados a manter um período de prisão inferior a dezoito meses, mas a directiva fará com que tendam a alinhar-se com a duração máxima prevista pelo acordo. É inaceitável que as pessoas que, pelo facto de não terem uma simples autorização administrativa, sejam tratadas como criminosas. A directa prevê ainda que a partida de um imigrante indocumentado, suavemente chamada de “remoção”, tenha lugar numa base “voluntária” mas que este, no caso de resistência, poderá ser forçado ou obrigado a sair, sendo depois proibida a sua entrada no território da EU, durante cinco anos. Até as crianças podem ser detidas, mesmo que por um período “tão breve” quanto possível.
Por isso, estou com receio que iremos assistir nos próximos temos uma autêntica caça aos cidadãos indocumentados na Europa, forjando um caminho mais fácil e violadora dos princípios básicos.

quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Os equívocos do Presidente com o Dia da Raça




Durante as comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades, o Presidente da República, em resposta às perguntas dos jornalistas sobre a greve dos camionistas, falou em Dia da Raça, que era o nome que antes do 25 de Abril se dava ao actual Dia de Portugal, hoje.
Para já, não espero que o Presidente faça sempre afirmações correctas ou que estas devam sempre merecer a nossa concordância. Lá está, nós, os Homens, falhamos e os que exercem cargos públicos têm também os seus momentos de erros e fraquezas e ainda bem que é assim. No entanto, é expectável que quando as pessoas afirmam coisas que não fazem sentido nenhum, sobretudo, quando se exerce um cargo como o do Presidente da República , pelo menos admita o lapso e assunto morre aí e ponto final. Na época em que vivemos, em que há um esforço, em muitos quadrantes da sociedade portuguesa, em construir um novo nós em Portugal assente na diversidade, o mais alto representante do país utiliza o termo “ Raça” num momento completamente despropositado. Pessoalmente e apesar de um esforço de compreensão não percebi, sinceramente, o significado e a razão pela qual o Presidente cometeu tal erro.
De qualquer forma, o que não é correcto é fingir que nada aconteceu e entendo que o PCP e o Bloco de Esquerda estiveram muito bem, ao solicitarem uma explicação do Presidente da República. O PS não disse nada (não se compreende) e à direita já podemos, no entanto, entender a não reacção.
Como o Presidente resolveu ficar em silêncio, vamos lá é avançar as nossas hipóteses. A primeira, quero sinceramente acreditar nisso, é que foi um lapso de memória do Presidente que ainda vive os rescaldos do passado recente português. Se for esta a hipótese, a coisa fica resolvida com a admissão do lapso.
A segunda hipótese é que o Presidente acredita mesmo na Raça. Antes de mais, como o leitor saberá o termo raça já não se usa no meio académico e pensava eu, também, no político. Para além de, cientificamente, o termo “Raça”, não fazer sentido, a difusão do racismo esteve sempre ligado a ideia de raças, relação de superioridade etc. Mas Portugal, é o país europeu que se registou de forma mais intensa o cruzamento de “raças”. Por isso, nem falo da realidade da sociedade portuguesa actual que, inquestionavelmente, está sendo construída nesta diversidade cultural, assente na presença de mais quinhentos mil estrangeiros.
A afirmação do Presidente da República não faz igualmente sentido pelo passado de Portugal. A este propósito, vale a pena ler um livro de um investigador brasileiro, José Ramos Tinhorão, “ Os negros em Portugal: uma presença silenciosa” em que faz uma extraordinária investigação histórica sobre a miscigenação portuguesa, nomeadamente a presença em 1550 em Lisboa de cerca de dez mil negros, representando na altura pouca mais de dez por cento da população. A pergunta que se impõe: para onde foram estes negros? Não foram para lado algum. Misturaram-se, na altura, com os portugueses brancos.
Levando a segunda hipótese ao extremo, ou seja, da existência da Raça, o Presidente poderia dizer no lugar de “Raça”, “Raças”, tendo em conta que não existem somente brancos, negros etc, em Portugal.
Que o Presidente incentive e apele ao reforço da identidade portuguesa, do envolvimento da diáspora no desenvolvimento do país, faz todo o sentido e é desejável que isso aconteça.
Existem, por aí, muitas pontas soltas em relação a estes assuntos de raça, racismo, xenofobia e algumas atitudes segregacionistas. Por isso, a recuperação da expressão “ raça” por parte do Presidente é grave e absolutamente lamentável. As palavras têm o peso que têm e a força de quem as pronuncia, mesmo que não intencionalmente.

segunda-feira, 9 de Junho de 2008

As eleições em Cabo Verde...comentários

1. Face a existência de um corredor cada vez mais intenso entre Cabo Verde e os Açores, vale a pena partilhar com o leitor os principais acontecimentos sobre as últimas eleições autárquicas realizadas no arquipélago da morabeza.
Acho que a primeira nota prende-se com o nível da abstenção que foi relativamente baixo (na ordem dos 19,76%), em comparação, por exemplo com a situação em Portugal e, em particular, dos Açores. Aliás, tem sido hábito, nos vários momentos eleitorais, uma participação muito intensa da população cabo-verdiana o que poderá ser explicada, em parte, pelo facto de Cabo Verde ter uma democracia muito jovem (a partir de 1991). Mas é, também, uma prova inequívoca do funcionamento e da vitalidade do próprio sistema democrático em que a participação e a liberdade no exercício desta mesma participação constituem indicadores privilegiados.

A segunda nota e, ao contrário das expectativas é a derrota do PAICV nestas eleições, tendo em conta que perdeu os três maiores concelhos do país, nomeadamente Praia, Santa Catarina e S. Vicente. Nessa última, cidade conhecida pelo seu famoso porto e a segunda maior do país, a previsibilidade do vencedor era muito difícil, face aos candidatos que concorrem à presidência daquele município. O PAICV apoiou Onésimo Silveira, antigo presidente daquela autarquia, ex-embaixador em Portugal e indivíduo com grande capital político. Foi o segundo mais votado (30,76%). A surpresa maior em S. Vicente foi o facto de Gualberto do Rosário, antigo primeiro-ministro e apoiado pelo MPD, ter conseguido apenas 2,96%, ficando em última posição no conjunto dos quatro candidatos. Isaura de Carvalho, reafirmou a sua liderança em S. Vicente com 46,02% dos votos.

Na cidade da Praia as coisas foram mais complicadas. Felisberto Vieira, há dois mandados à frente dos destinos da capital e suportado pelo PAICV, perdeu por apenas 559 votos (1,17%) a favor de Ulisses Correia, antigo ministro das Finanças do governo do MPD. O facto é que a derrota do Felisberto Vieira não era de todo previsível e mesmo o MPD estava, na altura da escolha dos candidatos. com muitas dificuldades em encontrar uma pessoa que conseguisse, pelo menos, um bom resultado e que preparasse o partido para os futuros embates eleitorais.

Excesso de confiança do Felisberto Vieira, uma classe média em ascensão e que está a acrescentar um peso cada vez mais considerável no conjunto dos eleitores flutuantes que tende a orientar o seu sentido de voto desprendido dos partidos políticos, são algumas das razões explicativas da derrota do Felisberto Vieira na cidade da Praia.

Em termos gerais, o PAICV ficou com 10 câmaras, menos uma que o MPD. Apesar desta ligeira diferença estatística, pelo facto do PAICV ter perdido sobretudo, a capital, tem uma interpretação e um custo político elevado. De qualquer modo, as eleições legislativas só acontecerão em 2011 e, até lá, muitas coisas poderão acontecer. Todavia, a forma como correu estas eleições confirmam uma vivência recomendável da democracia cabo-verdiana.